Afinal, Quem se Importa? Uma Crítica a Indifirença!

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Pensando nesses dias sobre o que fazemos para mudar o mundo, me veio a mente uma reflexão interessante; afinal, quem se importa? Estou rodeado de pessoas que aparentemente se dizem preocupadas com a situação cultural que vivem. Semanalmente lido com gente discursando opiniões sobre os mais diversos assuntos, refletindo uma inquietação sobre o que fazemos, somos, pensamos, querendo parecer (ou ser) alguém comprometido com alguma mudança necessária. No entanto, após publicar um texto onde argumento que somos àquilo que curtimos, comentamos e compartilhamos no Facebook (leia AQUI), pensei também sobre a transparência/coerência com que dizemos nos importar. Afinal, por quê parecemos preocupados com determinados assuntos sem ao menos dar atenção às coisas que abordam estes mesmos assuntos? 

Tenho falado e escrito: a hipocrisia social fala mais que o bom senso! Disso não me arrependo, pois comprovo diariamente a quantidade de pessoas que "face a face" parecem indignados com o problema A, B ou C, mas que numa oportunidade simples de ser "diferente", preferem ser iguais. Os discursos antes "revolucionários" que apontavam um caráter " marcante sobre determinados posicionamentos, se tornam invisíveis, ou neutros, quando de cara com o problema podem com uma mínima decisão fazer a diferença, mas não fazem.

Dizemos nos importar sobre a exploração humana do consumismo que relega uns à riqueza e outros à exclusão social, mas não vemos problema em pagar R$ 15,00 num pedaço de pão e carne "química" com tomates. 

Dizemos nos importar com a violência que assola as periferias, criminaliza inocentes e faz padecer o mais necessitado, mas não vemos problema em pagar fortunas para morar em condomínios fechados com segurança privada, distante da realidade que julgamos conhecer, embora julguemos para fazer parecer que sabemos daquilo que, na verdade, não vivenciamos...

Parecemos preocupados com a cultura humana apontando para a morte, mas não vemos problemas em deixar nossos filhos se "divertindo" com jogos de horror, assassinato e perversão. Embora queiramos a paz, equilíbrio e civilidade, não damos importância a competitividade econômica, moral e material capaz de produzir assassinos, exploradores e escravos culturais;

Dizemos ser contra a alienação moral e manipulação do conhecimento, mas não vemos importância em patrocinar com ingressos, audiências, shows de "pão e circo" que definham o senso crítico dos que deveriam se manifestar contra o poder opressor, mas não o fazem, porque a euforia do show faz parecer mais importante que a necessidade de mudança;

Quem se importa com a notícia em sua página de perfil? Quem se importa o suficiente para se comprometer, em público, com o que aparenta se preocupar em círculos fechados? Quem dentre nós tem o caráter traduzido nas páginas da internet que navega, notícias que curte, comenta e compartilha?  Preferimos ser neutros. Não se "comprometer" com a opinião alheia é mais fácil do que ter caráter, porque esse último exige de nós parcialidade, posicionamento, importâncias, e tal atitude só é capaz de assumir quem possui "verdades" para colocar à prova.

Verdades não são o forte dessa geração. É o que imaginam, muito embora existam nos redutos de quem domina. Verdades não apenas existem, como controlam àqueles que pensam ser a relatividade melhor que a decisão. Mas quem se importa? Quando mais fácil é relativizar e caminhar às margens da "realidade", não há motivos para dar a vida o significado de "Verdade", pois o que tem a ver, por exemplo, os dilemas alheios com sua página no Facebook, opinião em sala, passageiro de ônibus, humano maltratado? De fato, é mais fácil não se importar do que se comprometer.

Pense nisso.

Abraço e até a próxima...

Militante do caos - Com o Perdão da Palavra! (Paulo Briguet)

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É o cara que se escandaliza com Bolsonaro, mas não vê problema algum em Graça Foster, em Dilma, em Lula.

É o cidadão que se preocupa com os centavos da passagem de ônibus, mas ignora os milhões da Petrobras.

É a moça que defende o aborto, mas considera a palmada um crime hediondo.

É aquele que odeia os judeus e quer a destruição do Estado de Israel, mas faz campanha contra o racismo e xinga os adversários de nazistas.

É aquele que acusa Bolsonaro de ser apologista do estupro, mas ignora o professor que defendeu o estupro de Rachel Sheherazade.

É aquele que chama empresário de sonegador, mas aceita a maquiagem fiscal da Dilma.

É aquele que protesta quando morre um traficante, mas festeja quando morre um policial militar.

É aquele que não se importa em destruir a vida do adversário, se isso for importante para a causa.

É aquele que passa a odiar sua cidade quando a maioria não vota em sua candidata.

É aquele que chama o caso Celso Daniel de “crime comum”.

É aquele que usa a expressão “ação penal 470” para se referir ao mensalão.

É aquele que prega a estatização do financiamento eleitoral.

É aquele que usa a palavra “estadunidense”.

É aquele que tem uma grande simpatia pelos nanicos da linha auxiliar do PT.

É aquele que não vê nada demais no fato de o PIB per capita da Coreia do Sul ser de 32 mil dólares e o da Coreia do Norte, de 1.800 dólares. Afinal, a Coreia comunista é mais igualitária.

É aquele que apoia o movimento gay, mas também apoia o regime cubano, que já fez campos de concentração para homossexuais.

É aquele que acredita em governo grátis, mesmo quando o País trabalha até maio só para pagar impostos.

É aquele que odeia a censura, mas quer o controle social da mídia.

É aquele que faz tudo para acabar com a família e a igreja, pois sabe que elas são os principais focos de resistência ao poder do Estado e dos movimentos sociais.

No fundo ele sabe que o país está sendo saqueado, exaurido, violentado – mas diz que o problema é o Bolsonaro.

É aquele que nunca perdoa.

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