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Não é piada: Igreja da Maconha é oficialmente criada para adorar a "cannabis"

Não é piada: Igreja da Maconha é oficialmente criada para adorar a "cannabis"


A primeira igreja dedicada ao consumo de maconha com propósitos espirituais dos Estados Unidos - e possivelmente no mundo - abre suas portas nesta quinta-feira no Colorado, o primeiro estado do país onde foi permitido o uso de maconha com fins recreativos


Sem um livro sagrado nem hierarquias eclesiásticas, a Igreja Internacional da Cannabis (ICC) é um local para "pessoas de todo o mundo que querem fazer parte de uma organização que aceita o uso da cannabis na viagem pessoal de busca de significado", explicou à Agência Efe Lee Molloy, um de seus três fundadores.


A abertura oficial da nova igreja acontece neste dia 20 de abril, data popularmente associada ao consumo de maconha e escolhida, disse Molloy, porque "é fácil de lembrar".

Este particular templo está situado em um edifício do início do século XX, onde existiu uma igreja luterana, ao sul da cidade de Denver, e quem quiser pertencer à congregação deve fazer uma doação que serve como pagamento de uma associação.

"É um lugar de reunião para quem precisa de apoio em sua viagem espiritual" e onde não se julga ninguém, disse Molloy.

Os membros da nova igreja se denominam como "elevacionistas", porque o consumo ritual de maconha "eleva nossas mentes até alcançar a melhor versão de nós mesmos".

Um dos princípios fundamentais dos "elevacionistas" é considerar a flor da cannabis como um "presente da Força Criadora Universal", ressaltou Molloy.

Outra crença é a de que o voluntariado é melhor do que a oração para tornar o mundo um lugar melhor.

"Todos são bem-vindos e todos podem seguir seu próprio caminho sempre e quando se lembrarem de viver segundo a Regra de Ouro", acrescentou Molly, em referência ao princípio cristão de amar ao próximo.

As portas do templo estarão abertas para todos os que quiserem participar da inauguração, mas os cultos religiosos só poderão ser assistidos pelos membros da congregação.

As doações serão usadas para fazer a remodelação e restauração do edifício onde fica a igreja, cujas obras estão orçadas até o momento em US$ 100 mil.

A ICC já arrecadou quase um terço dessa quantia graças às contribuições de pouco mais de 90 novos membros e espera conseguir o montante total já no primeiro mês da nova igreja, segundo Molloy.

Além de terminar a restauração da capela, a outra prioridade será fazer com que o edifício seja acessível a pessoas portadoras de necessidades especiais, especialmente veteranos de guerra e pacientes de maconha medicinal.

"É uma alegria ter encontrado um espaço que já tem uma história espiritual porque podemos reter os elementos em uso nesta propriedade", expressou Briley Hale, membro da ICC encarregada da campanha de arrecadação de fundos.

Segundo Steve Berke, comediante, empresário e cofundador da ICC, a abertura da nova congregação é "verdadeiramente um fato histórico".

Como parte das comemorações, a nova igreja oferecerá, além do entretenimento apropriado, "seminários educativos de elevação" com temas relevantes à interseção de cannabis e espiritualidade.

Um desses seminários terá foco no "direito constitucional a praticar a religião", incluído na Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

A iniciativa de criar uma igreja dedicada à maconha gerou todo tipo de respostas e reações, desde os que consideram uma paródia ou falta de respeito com a religião tradicional até os que afirmam que as atividades da ICC terão um impacto negativo em uma vizinhança que mudou relativamente pouco nos últimos 50 anos.

Além disso, o Departamento de Impostos Locais e Licenças de Denver já anunciou que nas próximas semanas investigará se a ICC é realmente um grupo religioso ou um clube social "encoberto com um manto religioso" para facilitar o consumo público de maconha.

O vereador John Clark, que representa o distrito de Denver onde está a nova igreja, indicou à imprensa local que se certificará de que a ICC "seguirá as regras" para que a vizinhança se mantenha "segura e vibrante".

Um conflito de interesse poderia surgir porque um dos fundadores da ICC, Berke, é ao mesmo tempo o gerente geral de uma empresa local dedicada à venda de maconha.

Mas a ICC acredita que o fato de não vender maconha ou acessórios para seu consumo dentro do templo e de organizar eventos abertos ao público ajudará a melhorar tanto a imagem da igreja quanto as relações com a comunidade.

Para Molloy, a polêmica não deveria existir, já que, segundo ele, "a cannabis é um sacramento, o Sacramento da Flor Sagrada", pois, ao ser consumido ritualmente, "acelera e aprofunda a autodescoberta e a conexão com a força criativa universal".

Comentário:

O uso de entorpecentes para fins ritualísticos está presente em diversas culturas, dá antiguidade aos dias atuais. Portanto, a tal "igreja da maconha" é nada mais do que uma versão moderna, estereotipada nos moldes dos templos e cultos cristãos, de uma concepção de "elevação espiritual" por via dos efeitos alucinógenos que já existe centenas de anos.

Todavia, muito embora a "igreja da maconha" encontre hoje algum paralelo com culturas antigas, ela não reflete a verdadeira essência religiosa dessas culturas. Se é possível fazer um paralelo, por exemplo, com as tradições culturais que possuem esses costumes, essa "igreja" pode ser considerada uma seita, pois o que está implícito do discurso dos adeptos a esse culto é a utilização da maconha como aspecto central do "rito", e não a busca do mundo espiritual como prioridade.

A busca por "elevação" é nada mais do que uma forma de justificar o consumo da maconha. Para tanto, cria-se um discurso místico, misturado com outras tradições religiosas, de forma imprecisa, superficial e abstrata, para tentar "justificar" algo que, na prática, não passa de mais uma forma de expressar a carência e desespero humano perante a falta de relacionamento com o verdadeiro Deus.

Fonte: Efe
Comentário: Will R. Filho
Testemunhas de Jeová são proibidas na Rússia por "extremismo" - Comentário

Testemunhas de Jeová são proibidas na Rússia por "extremismo" - Comentário

 

O Tribunal Supremo de Rússia proibiu nesta quinta-feira as atividades das Testemunhas de Jeová ao considerá-la uma organização extremista, e ordenou a apreensão de todas as suas propriedades.

Desta forma, a partir de agora está suspensa "com efeito imediato" a prática desse culto e serão dissolvidos tanto o centro de direção das Testemunhas de Jeová na Rússia como suas 395 filiais em todo o país.

O Supremo atendeu assim a um pedido apresentado pelo Ministério da Justiça, no final de março, de ilegalizar as atividades das Testemunhas de Jeová no país.


"A organização religiosa Testemunhas de Jeová mostra indícios de extremismo. Representa uma ameaça para nossos cidadãos, a ordem pública e a segurança da sociedade", disse hoje Svetlana Borisova, representante do Ministério da Justiça, durante a audiência do Supremo.

Borisova lembrou que a organização propagou literatura incluída na lista de publicações extremistas e lembrou que a proibição das transfusões de sangue por seus seguidores ameaça a vida das pessoas.

As Testemunhas de Jeová, que consideram que as acusações da Justiça são falsas, gratuitas e caluniosas, mostraram repúdio à decisão do Supremo e disseram que recorrerão ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Há vários meses, representantes da organização denunciam perseguição por parte das autoridades russas, às quais acusam de usar falsos depoimentos para atingí-la.

O porta-voz das Testemunhas de Jeová na Rússia, Ivan Belenko, denunciou à Agência Efe que a decisão das autoridades russas privará de seu direito à liberdade de culto os 175 mil seguidores que a organização tem no país.

O presidente da Associação russa para o Estudo de Religiões e Seitas, Alexandr Dvorkin, considera que as Testemunhas são uma seita que gira em torno de seu próprio mundo, se isolando do resto da sociedade.

Dvorkin também criticou e tachou como seitas os Mórmons e a Igreja da Cientologia, proibida pela Justiça russa em novembro de 2015.

A campanha contra essas crenças coincide com um aumento sem precedentes da religiosidade entre os russos, embora menos de 10% dos cidadãos compareçam regularmente a cultos, segundo dados do prestigiado Centro Levada de estudos.

Comentário:

O motivo da proibição russa da religião "Testemunhas de Jeová" não é outro, senão por discordância religiosa, no que diz respeito algumas crenças dessa religião, a saber; sobre transfusão de sangue, doação de órgãos, etc. Nada disso é motivo para classificar a entidade como "extremista".

Na prática, se trata mesmo de perseguição religiosa das autoridades russas cunhada por uma ortodoxia exacerbada da igreja católica local, tentando retirar das "Testemunhas de Jeová" o direito de expressar sua fé. Não dá para saber até que ponto tal medida é meramente política, religiosa, ou as duas coisas. O fato é que Por mais divergentes que sejam as doutrinas das T.J, não podemos concordar com a privação dessa liberdade.

Se tais crenças não dizem respeito ao poder público ou pessoas que não compartilham delas, prejudicando de alguma forma a vida alheia, então não há motivo para proibição, visto que o "extremismo", nesse caso, diz respeito aos que professam a crença (se privando, por exemplo, de não receber doação de sangue), não sendo uma imposição aos demais.

Fonte: Efe
Comentário: Will R. Filho
INÉDITO: Ordem dos Pastores Batistas do Brasil faz "declaração sobre homossexualidade"

INÉDITO: Ordem dos Pastores Batistas do Brasil faz "declaração sobre homossexualidade"



A Ordem de Pastores Batistas do Brasil, entidade vinculada à Convenção Batista Brasileira (CBB), órgão máximo da denominação batista no país, sendo a maior convenção batista da América Latina, representando cerca de 7.000 igrejas, 4.000 missões e 1.350.000 membros contabilizados, publicou um documento se posicionando contra à ideologia de gênero e a homossexualidade como orientação sexual, citando fundamentos bíblicos e ético-científicos como argumentos contrários ao que afirmaram ser um "desvio" e "disfunção" contra à criação de Deus.

Intitulado de "Declaração sobre homossexualidade, identidade de gênero, orientação sexual, uniões homo e poliafetivas", o documento informa que foi aprovado durante Assembleia em 18 de abril de 2017, na cidade de Belém, PA. O Opinião Crítica teve acesso ao documento, contendo seis páginas em formato PDF, mas que segundo informantes ainda será publicado oficialmente na próxima segunda feira (24), após reunião da Convenção.


De caráter religioso/teológico, mas também jurídico e científico, o texto começa apresentando as razões da publicação, entre elas, citando a preocupação com a liberdade de expressão e a violação dos "Códigos Legais da nossa Nação":

"O tema identidade de gênero e orientação sexual tem sido amplamente divulgado pelos meios de comunicação e sido objeto de discussão não apenas na sociedade, mas também no âmbito governamental e, especialmente, na obtenção de interpretação impositiva que busca cercear a liberdade de consciência e expressão, além de inserir terminologia e conceituação estranha aos Códigos Legais de nossa Nação causando inúmeros conflitos e interpretação equivocada das terminologias e significação das palavras. Sendo assim, este tema tem se tornado prioridade no cenário batista e especialmente nas discussões desta Ordem de Pastores. Este documento, portanto, pretende apresentar esclarecimentos e posicionamento desta Ordem aos seus associados, mas também à denominação batista e à sociedade em geral." (destaque nosso).

Após essa apresentação, o documento começa fundamentando a perspectiva bíblica acerca do tema. Reproduzimos abaixo exatamente como consta no texto original:

"COMPREENSÃO BÍBLICO/TEOLÓGICA

1.1 – Do ponto de vista da compreensão bíblica, a homossexualidade é claramente discutida
como sério afastamento, desvio e disfunção em relação à natureza humana e em relação
aos propósitos originais da criação conforme temos nos textos a seguir: Lv 18.22; 20.13; Is
3.9; Rm 1.24-27; 1 Co 6.9-10; 1 Tm 1.9-10; Ap 21.8, 27). Consequentemente, tais práticas
não são compatíveis com os ensinos bíblicos, nem com a natureza humana criada por
Deus.

1.2 – Sendo assim, a união homossexual, ainda que tenha amparo judicial em alguns sentidos,
não é compatível com a compreensão bíblica do matrimônio, cuja formação é
caracterizadamente heterossexual (Gn 1.27; 2.18,23-25).

1.3 – Conforme documento, já aprovado pela Assembleia da Convenção Batista Brasileira, “em
relação ao chamado casamento homossexual, entendemos que uniões legais amparam
arranjos de pessoas do mesmo sexo que decidem estabelecer um relacionamento de união
e que necessitem legar herança, visitar companheiros em hospitais, etc.”

1.4 – Nesse mesmo documento temos que “a Bíblia Sagrada apresenta a criação dos seres
humanos em dois sexos: ...homem e mulher os criou (Gn 1.27). Tal criação visava ao
casamento, expresso em companheirismo, união sexual e procriação (Gn 2.23-25). Jesus
Cristo reiterou esta norma ao afirmar que o Criador desde o princípio os fez homem e
mulher, e disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne (Mt 19.4-5).”

1.5 – Em resumo, entendemos que a Bíblia demonstra que a homossexualidade se constitui
desvio do caminho estabelecido por Deus. Por exemplo, em Levítico 18.22 a
homossexualidade é referida pelo hebraico to'evah indicando algo intrinsecamente mau,
rejeitável e abominável, portanto, incompatível com a matriz"

Além de enfatizar o que para a Ordem é a maneira como a Bíblia trata o tema, o documento critica a tentativa de alguns magistrados e grupos politicamente organizados de ignorar ou dar outro sentido para o que diz a legislação brasileira com relação à constituição familiar, que vincula a união legal entre "homem" e "mulher" como matriz da sociedade familiar.

O texto critica também a inclusão na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) do tema "ideologia de gênero" e "orientação sexual" para serem discutidos nas escolas.

"Veja que o termo “sexo” da Carta Magna é substituído na BNCC pelas expressões
“gênero”, além de mencionar “orientação sexual”, expressões estas que não têm
nenhuma ocorrência na Constituição Brasileira atual. Na Lei 10.406, de 10 de janeiro
de 2002, que institui o Código Civil Brasileiro as 15 ocorrências da palavra “gênero”
não têm nenhuma ligação à área sexual, sexualidade e mesmo orientação sexual", diz o trecho.


Sobre ideologia de gênero e diferenças entre homem e mulher


A Ordem dos Pastores Batistas do Brasil diz reconhecer às diferenças dos sexos, bem como a utilização do termo "gênero", porém, apenas associado ao sexo biológico. Neste caso, "gênero" diz respeito apenas ao masculino e feminino, ou homem e mulher. Isso, porque, segundo o documento, separar a identidade de gênero do sexo biológico é um equívoco, visto que o ser humano deve ser compreendido como um todo e a ele está vinculado, não podendo se separar "artificialmente":

"Entendemos as diferenças entre os sexos (masculino e feminino) e não aceitamos
qualquer forma de discriminação, preconceito e violência (doméstica, social, simbólica e
sexual) contra as mulheres ou homens, bem como defendemos a igualdade de direitos
sociais, trabalhistas, de respeito e outros, entre ambos os sexos.

Desta forma, não compartilhamos com a crença social, de que o ser humano é apenas
um "gênero" e que este "gênero" pode ser diverso e múltiplo, podendo o homem e ou a mulher
escolher esse "gênero" ou "outros gêneros" como substituto do sexo definido em termos
neurobiogenético.

Ao possuirmos diferente concepção, não estamos sendo preconceituosos, pois
estamos exercendo o direito de livre consciência e expressão e, assim, entendemos essa
abordagem como equivocada. Mais do que isso, acaba sendo ideológica, pois é impositiva
promovida por grupos que, contrariamente à Carta Magna, desejam desrespeitar a liberdade
de consciência e expressão, especialmente quando posicionamentos diferentes ao seu são
rotulados como "preconceituosos", em vez de serem tratados como livre expressão de
concepção própria ou coletiva."


Aspectos científicos contrários à ideologia de gênero, segundo a OPBB


A declaração da Ordem de Pastores Batistas do Brasil não se restringiu à esfera religiosa, apenas, mas abordou o tema "ideologia de gênero" também pela perspectiva científica, afirmando não haver respaldo científico para a promoção desse conceito, senão apenas como ideologia e não como dado científico consensual:

"ENTENDEMOS QUE

4.1 – A ciência não possui estudos conclusivos comprovados e representativos que
demonstrem alguma alteração morfofuncional cerebral que seja determinística, desde o
seu nascimento, naqueles que dizem ter tendência ou comportamento homossexual ou que
adotem outras “identidades de gêneros”. É necessário ainda considerar que afirmações
como as de que a identidade de gênero tem fundamentação cientifica, carecem da própria
segurança de pesquisa científica séria com reduzida curva estatística demonstrativa, sem
linha histórica de acompanhamento desde a infância, portanto, insuficiente para aplicar ao
gênero humano em sua inteireza populacional.

4.2 – Embora a Psicologia e a Psiquiatria tenham retirado a homossexualidade como “doença
mental” de seus compêndios, manuais estatísticos e códigos descritivos, entendemos que
a homossexualidade é tema também de outros campos de estudos e trabalho, tais como
da Teologia e da Ética, por ser um tema que está ligado ao relacionamento humano, não
podendo ser de exclusividade apenas daqueles campos de estudos, portanto, também
pertencente à agenda temática dos estudos religiosos e eclesiásticos;

4.3 – Que a normalidade da constituição sexual do ser humano é a heterossexualidade e que
a homossexualidade é desvio de finalidade sexual em relação ao plano da criação divina
para a raça humana e da construção neurobiogenética da pessoa;

4.4 – Que a pessoa, ao assumir a homossexualidade, poderá deixar esta condição ao se
converter ao Evangelho de Jesus Cristo, caminhando para sua transformação a partir dos
ideais éticos bíblicos e éticos;

4.5 – Que é nosso dever e direito expor a verdade bíblica e da ética cristã sobre este e outros
temas, sempre objetivando a restauração da pessoa por meio do Evangelho de Cristo, sem
promover ações discriminatórias ou preconceituosas.

4.6 – Quanto à identidade de gênero, o que se pretende atualmente é legitimar o conceito de
que a identidade psicológica de gênero seja diferente da identidade neurobiogenética do
indivíduo, portanto, nessa concepção, se o desejo do indivíduo for de não aceitar a sua
condição e predisposição neurobiogenética, tem o direito à “opção sexual” e escolher o que
melhor for para si em termos de gênero, isto é, tem o direito de escolher seu gênero, ou
outros gêneros conforme seus desejos, dentro dessa diversidade, pluralidade a orientação
sexual segue a mesma linha ideológica, esclarecendo que gênero e orientação sexual são
dois fatos diferentes, mas que acabam na prática se confundindo.

4.7 – Como se pode deduzir, é que toda essa argumentação passa a ser manuseio semântico
que pretende legitimar a homossexualidade, de modo que a pessoa não necessita se
submeter ao estabelecimento e predisposição e morfologia neurobiogenética.

4.8 – Defende-se ainda que a dinâmica e evolução cultural e antropológica abriram a
possibilidade da diferenciação entre a morfologia sexual e a identidade psíquica da pessoa
com aquele gênero. Ou seja, argumenta-se que pode haver uma contradição entre a
predisposição neurobiogenética e o gênero sexual ou sexo psíquico de preferência do
indivíduo, de modo que nem sempre a morfologia sexual poderá coincidir com a identidade
de gênero desejada pelo indivíduo.

4.9 – Essas abordagens, tanto a da escolha individual quanto a da cultural e antropológica, são
provenientes da legitimação do núcleo da Pós-modernidade (Hipermodernidade) em que a
fonte de verdade está no indivíduo e sua subjetividade, isto é, não há mais necessidade
que o indivíduo busque legitimação de seus atos fora de si (heteronomia), mas ele próprio
tem o direito de fazer suas escolhas a partir do que entende, sente ou acha que seja o
melhor para sua vida (autonomia). Assim, escolher gênero sexual (sexo psíquico) diferente
de sua morfologia sexual (sexo neurobiogenético) passou a ser socialmente justificável e
legitimado.

4.10 – Os argumentos favoráveis à escolha da identidade de gênero desconsideram que a
constituição neurobiogenética e a funcionalidade diferencial se tornam fatores fundantes e
identitários da pessoa, pois o homem tem uma constituição genética e neurológica (entre
outras) diferente da mulher e vice-versa. Então, a identidade de gênero, como tem sido
defendida, acaba reduzida a um recurso semântico-cultural-antropológico artificial que é
utilizado para se tentar legitimar, pela dinâmica ou evolução cultural, a contradição entre
identidade de gênero e sexo neurobiogenético."

Esse trecho continua até o item 4.16. Em seguida, a Ordem conclui o documento ressaltando o caráter conceitual da peça. Ou seja, eles deixam claro que a declaração se trata de - conceito - e não de preconceito, e visa contribuir para o esclarecimento da população, especialmente à comunidade religiosa das igrejas batistas no Brasil.

"TENDO EM VISTA ISTO AFIRMAMOS QUE

5.1 – Todo cidadão brasileiro tem o livre direito de consciência e expressão conforme temos
nos Incisos IV, VI, VIII e IX do Art. 5º da Constituição.3

5.2 – De modo algum a Ordem de Pastores Batistas do Brasil defende a intolerância ou
preconceito contra qualquer pessoa, inclusive as que desejarem seguir os indicativos
culturais ligados às alternativas recentes sobre a sexualidade. Entendemos que não há
preconceito com as conclusões aqui declaradas, mas conceitos, definições, compreensões
e proposições conforme pressupostos adotados. Neste sentido, não há qualquer
preconceito contra a homossexualidade, mas conceito, isto é, uma concepção sobre o tema
que se diferencia do que se propõem os meios massivos de comunicação e outros meios.
Por isso mesmo, não há aqui qualquer senso de intolerância, mas senso de inclusão
manifesto pelo amor ao próximo que se concretiza em sua transformação conforme os
ideais divinos da Criação a ser humano perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa
obra. (2 Timóteo 3.16,17).

5.3 – Entendemos que devemos aceitar todas as pessoas, sem distinção, e que, ao se
converterem ao Evangelho, as boas novas de salvação, alcancem a sua libertação e o
caminho para a sua restauração ao estado original da Criação pré-queda. Entendemos
também que os ensinos bíblicos são suficientes para indicar que as pessoas, depois de
convertidas ao Evangelho, devem deixar práticas contrárias aos princípios éticos bíblicos e
cristãos, sendo esse um dos papéis de apoio e suporte a serem exercidos pela igreja local,
em vez de abrir espaço para que continuem nessas práticas.

5.4 – Sendo assim, não comungamos com a promoção do que é chamado de diversidade ou
multiplicidade de gênero.

5.5 – Por fim, a Ordem de Pastores Batistas do Brasil entende que o Evangelho é superior à
cultura e que esta, embora real e concreta na existência humana, deve ser compreendida
à luz da essência da Bíblia, que sempre nos mantém a sua mensagem atualizada para
qualquer época, região ou cultura. Entendemos ser Cristo o transformador da cultura e,
neste sentido, a cultura traz a herança humana acumulada na linha do tempo, tendo
aspectos positivos e construtivos, mas também revela, em diversos sentidos, o estado de
contrariedade do ser humano desde a queda (Gênesis 3) contra Deus e seus princípios e
valores éticos e, que este mesmo ser humano poderá ser recuperado e a cultura poderá
ser renovada com o fim de glorificar a Deus e de realizar os seus propósitos, pois
acreditamos, conforme Bruce Nichols, que a norma de conduta da cultura hospedeira não
é o alvo, mas o ponto de partida. O Evangelho nunca é hóspede de qualquer cultura, mas
sempre o seu Juiz e Redentor.

A Comissão

Pr. Hist. Carlos César Peff Novaes,
Pr. Adv. Genilson Vaz,
Pr. João Reinaldo Purin Júnior
Prof. Dr. Luiz Roberto Silvado,
Prof. Dr. Pedro Moura
Prof. Dr. Lourenço Stelio Rega (relator)"
A sedução do bizarro na moda zumbi - Por que o terror atrai tanto às pessoas?

A sedução do bizarro na moda zumbi - Por que o terror atrai tanto às pessoas?


Algum tempo atrás resolvi assistir todos os episódios disponíveis de dois seriados famosos, The Walking Dead e o Game of Thrones. Também inclui no pacote alguns filmes, todos de terror. Apesar de terem sido moda na época dos lançamentos, não tive o interesse de assisti-los, mas com a explosão de filmes e seriados falando de zumbis, ataque de mortos-vivos e outras coisas do tipo, resolvi tentar entender isso que venho chamando de "a sedução do bizarro"!

Meu questionamento inicial  foi o de entender como cenas de putrefação, carnificina, assassinatos, canibalismo, ódio, traições, incestos, poderiam ser tão atraentes e conseguir reunir gostos de pessoas tão diferentes, dos mais jovens aos mais velhos. Obviamente, além do envolvimento emocional com a própria trama das produções.


O que existe de especial em cenas que exploram a morte e o terror, suficiente para criar um estilo, a "moda zumbi" que se espalhou pelo mundo? 

Minha ênfase está sobre o seriado The Walking Dead, mas várias outras produções também exemplificam a questão no início do seu desenvolvimento até o presente, incluindo às que envolvem mistérios, mitos e espiritualidade, numa mescla de violência, romantismo e aventura.

Não existe uma mesma resposta para explicar a sedução por essas produções. É possível explorar várias nuances, das quais tentarei abordar aqui apenas alguns aspectos.

Do momento que comecei a escrever essa matéria (em 2013) para quando vim resolver terminar e publicar (em 2017), após todo esse tempo salvo como rascunho, vários outros filmes e séries de TV surgiram com a mesma temática zumbi. Isso, para mim, serviu para comprovar a tese do artigo, de que houve, de fato, uma "sedução do bizarro" na população, ao ponto de tais produções refletirem essa realidade. O que vamos procurar entender aqui é a razão desse fenômeno e o que isso tem a ver com o seu comportamento.


Histórias de Terror e zumbi são frutos da modernidade?


Não! Histórias de terror e mistério não são novidades. Antes que houvesse produção cinematográfica, nos teatros gregos antes de Cristo já eram explorados temas de violência e fantasia. Aliás, não é uma exclusividade dos gregos.

Histórias de criaturas que roubavam cadáveres e os faziam ressuscitar, por exemplo, presentes em algumas comunidades indígenas, encontram paralelo nas ideias sobre vampiros e lobisomens da atualidade.

No livro "Ritos Estranhos no Mundo", do francês Jacques Marcireau, o autor ilustra inúmeros costumes de povos antigos, dos quais a "escarnação" (retirar a carne do morto, antes de enterrá-lo) e a própria cerimônia fúnebre do velório, por exemplo, possuem todos fundamentação "mítica", com base em contos, lendas de monstros, vampiros e espíritos, etc., de onde podemos retirar a ideia de que o terror não é apenas um produto "na" história, mas um elemento constituinte dela mesma

A mitologia grega é apenas outro exemplo, está repleta de elementos sobre monstros, deuses e demônios, como também as antigas culturas célticas e nórdicas. A grande diferença em relação ao terror atual é que nas produções antigas eram feitos relatos do cotidiano, sendo interpretações também de lendas e ensinamentos comunitários.

Não havia uma "cultura do terror" que procurasse explorar os aspectos mais bizarros da imaginação humana, mas sim expressões dramatúrgicas que procuravam traduzir a compreensão da comunidade, dos povos, sobre eventos da natureza, religião, política, guerras e das relações humanas em geral.

Ou seja, os contos de terror no passado eram nada mais do que formas de COMUNICAR e PRESERVAR a cultura de um povo.


E o terror - zumbi - na atualidade?


O Terror na atualidade virou cultura. Não é mais uma representação fantasiosa do social, porque este não encontra reflexo na compreensão da sociedade (lendas, crenças e ensinamentos, etc).

O que na antiguidade era a representação do modo de compreensão do povo, hoje é o "realismo do imaginário", uma vez que a compreensão não reflete mais a ignorância sobre os fenômenos da cultura, natureza, política e até mesmo da religião, que davam vida às histórias de terror no passado.

Em outras palavras; atualmente sabemos que cadáveres não são roubados por vampiros. Demônios não se materializam (?), não existem Hércules. Bruxas não são criaturas das trevas, ciclopes, minotauros e medusas não passam de figuras mitológicas.

Então, por que ainda damos vida à histórias como essas e continuamos alimentando a imaginação com cenas e interpretações cada vez mais bizarras?

Se a evolução do conhecimento desmitificou às velhas lendas e hoje enxergamos com clareza a natureza dos fenômenos, por que ainda somos seduzidos pela imaginação das histórias de terror, valorizando ao máximo os aspectos mais sombrios e angustiantes da imaginação humana? Podemos fazer algumas considerações.

Impulsos de morte explicam a sedução do bizarro?


Resumidamente, alguns Psicanalistas e Psicólogos adeptos da teoria freudiana, argumentam que os chamados "impulsos de morte" (ou, "pulsão de morte"), conceito desenvolvido por Freud certamente com base na publicação de Sabina Spielren, "A destruição como Causa do Devir" (1912), pode ser o responsável pela "sedução do bizarro" e, consequentemente, o gosto pelo terror.

Segundo esse conceito, todo ser humano, assim como possui os "impulsos de vida" (princípio do prazer), também possui os "impulsos de morte" ("para além do prazer"), podendo em algumas pessoas prevalecer um ou outro.

A divisão desses conceitos é por critério didático, uma vez que o pai da psicanálise não enxergava ambos independentes, mas integrados e agindo mutuamente. Os impulsos de morte seriam, portanto, os responsáveis, por exemplo, pela agressividade humana.

A morte, segundo Freud, seria o desejo "inconsciente" que todo ser humano tem de se libertar da angústia (alcançar o "nirvana"), uma vez que viver seria a dor provocada pelo conflito entre a satisfação do prazer e o controle social (O Mal Estar na Civilização), daí o motivo da morte ser, para os que defendem essa teoria, um objeto de atração, especialmente sedutora nas histórias e filmes de terror.

Mas será essa uma explicação suficiente e aceita com facilidade no meio acadêmico? Não! Ora, ela não é/foi só muito criticada, como rejeitada por grande parte dos psicanalistas e teóricos posteriores à Freud.

Carl Gustav Jung, por exemplo, o segundo maior representante da psicanálise, junto com Lacan e Melanie Klein respectivamente, discorda desse conceito.

Para Jung o ser humano é "teleológico". Isto é; se direciona para o futuro e por ele é motivado, de modo que às qualidades das motivações são o que direcionam o comportamento humano e não os "impulsos", como sugeriu Freud.

Para Jung, a finalidade da vida é a realização do "Self", um "eu" completo, atualizado e integrado, mediante o equilíbrio de "papéis" e "funções" psíquicas na relação com o meio.

Da filosofia (Spinoza, Nietzsche, Kant, Schopenhauer, etc) à própria psicanálise e psicologia moderna, temos autores que contrariam a noção de um desejo supostamente inconsciente da morte, começando pela própria noção de existência do "inconsciente", que para Freud se apresenta quase como uma identidade viva e autônoma, o que Harry K. Wells na obra "O Fracasso da Psicanálise" chama de "antropomorfismo" e "hipostasiação".

Mas, finalmente, se a sedução do bizarro não se explica pelos impulsos de morte, o que explicaria a moda zumbi?


A depressão cultural coletiva e a perda de referência moral


Podemos concordar com Wells e entre outros motivos não reconhecer os "impulsos de morte" (nem o inconsciente na concepção psicanalítica) como explicação para a "sedução do bizarro".

Parece mais coerente, teoricamente falando, ter como ponto de partida uma compreensão da mente e comportamento humano assentados numa realidade que se escreve e reescreve à cada momento, conforme à vivência produto de um contexto onde o sujeito se relaciona e forma, a partir disso, sua percepção de mundo, como sugere Carl Rogers em sua abordagem "centrada na pessoa".

Neste sentido, podemos sugerir três fatores que parecem explicar melhor a sedução do bizarro na atualidade:

01 - A frustração humana com o ideal de civilização no sec. XX

Nos anos 60, especialmente década de 70 até os anos 1990, o mundo passou por inúmeras "revoluções" de pensamento, parte deles consequência da depressão mundial provocada pelas duas grandes guerras (1914-1918 / 1939-1945), bem como os muitos conflitos militares regionais na África, Oriente Médio, Ásia e Américas.

O avanço industrial e tecnológico, bem como a disseminação da filosofia humanista segundo os ideais do iluminismo e das ciências humanas, que muitos acreditavam poder banir a "ignorância" (supostamente das religiões, principalmente) e a miséria do mundo, não produziram os resultados esperados.

A "evolução" se deu apenas no âmbito material, mas não no humano. A tecnologia serviu para o aperfeiçoamento de armas cada vez mais potentes, entre elas as bombas atômicas que destruíram Hiroshima e Nagasaki, assim como para a exploração dos recursos naturais do planeta e sua consequente contaminação industrial.

Tanto a Filosofia como a Psicologia/Psicanálise se diluíram num mar de postulados que não conseguiram "orientar" a visão humana, para o humano, senão apenas em livros e métodos insuficientes para dar conta de tantos dilemas.

Com isso, temos um cenário de frustração implícito com nossa evolução social, apesar dos conhecimentos já adquiridos, e não há melhor forma de observar esse fato do que analisando criticamente as produções culturais. Isso nos leva ao segundo tópico:

02 - A reprodução das tragédias humanas como modelos de arte e cultura

O que a humanidade sente, teme, espera, deseja, ou seja: o que nossa cultura vivencia em dado momento é o que transparece nas artes e todas às formas de expressão da sociedade, da música que ouvimos aos filmes, programas de TV, etc. Portanto, o que reproduzimos na forma de cultura é o que diz respeito à maneira como nos sentimos. Todavia, como isso explica o efeito que tem sobre você, mesmo quando diz rejeitar o que é ruim?

Você é afetado por um conceito chamado "reforço de contingência", que nada mais é do que o conjunto de estímulos que recebe, de várias maneiras - condicionando - sua percepção, forma de pensar e agir em acordo com esses estímulos. Se trata, portando, de uma exposição contínua a uma coisa que você até pode dizer rejeitar, mas involuntariamente é afetado, compondo seu modo de entender e - reagir - ao mundo, visto que não vive em total isolamento.

Tal conceito, baseado na abordagem behaviorista de Frederic Sninner, é muito bem explicado por Diego Zilio em "A Natureza Comportamental da Mente", que nesse caso nos serve como compreensão parcial da "sedução do bizarro", melhor explicado a seguir:

03 - A transformação da tragédia em cultura e "show-business" (negócios)

Uma vez que a sociedade fica mergulhada num contexto "depressivo" e, portanto, adoecedor, começa a refletir os sintomas desse adoecimento de forma coletiva. Uma das principais características desse quadro é a descaracterização das identidades individuais, pela destruição gradual dos valores que durante anos serviram de fundamento para a manutenção social.

Um desses valores é a concepção trágica da "morte", a qual nos sensibiliza perante outros como a ideia de "sofrimento", "angústia" e o "luto", por exemplo. Todavia, a transformação das tragédias humanas, como assassinatos, violência urbana, guerras e outras misérias da humanidade numa espécie de "entretenimento", faz com que tais elementos percam o sentido fundamental, passando assumir às características do que está associado ao "show-business".

Dos filmes, seriados, desenhos, games, programas de TV como os reality shows policiais (Polícia 24 horas, por exemplo), noticiários focados em retratar a violência urbana diariamente nos horários nobres, dos quais muitos são carregados de elementos cômicos, piadas e especulações associadas aos fatos trágicos, visando "entreter" o telespectador, bem como a divulgação de vídeos violentos como de estupros, assassinatos, tortura, brigas, entre outros, em páginas de redes sociais como YouTube, Facebook e WhatsaApp, são alguns dos sintomas que refletem o grau de "anestesiamento coletivo" perante o sofrimento humano.

Pessoas jogando bola ao lado de dois mortos, vitimas do acidente na ciclovia da Avenida Niemeyer, em São Conrado
Pessoas jogando bola ao lado de dois mortos, vitimas do acidente na ciclovia da Avenida Niemeyer, em São Conrado.


A sedução do bizarro é uma consequência da perca de sensibilidade perante o sentido da "morte", do "sofrimento", de tudo o que é "trágico". Com isso, perdemos gradualmente a capacidade de ficar assustado e sensibilizados perante o "bizarro", uma vez que estamos consumindo às tragédias na forma de "entretenimento".

Portanto, o que muitos veem em conteúdos como The Walking Dead, por exemplo, ao ponto de se sentirem atraídos por ele, parece ser um reflexo do padrão de estímulos que já recebem diariamente na sociedade, por outros meios. Na prática, exatamente como quem busca no consumo das drogas manter os efeitos da "dependência" no organismo, tanto por condicionamento químico como por vínculo afetivo, o consumo do terror e da "cultura de morte" tem sido também alimentado dessa maneira. Os efeitos negativos são vistos no próximo tópico:

04 - A utilização da tragédia como linguagem de socorro 

Nenhum ser humano suporta muito tempo, de forma saudável, a condição contínua de sofrimento. O excesso de estímulos "trágicos" na mente humana provoca reações das mais diversas, desde uma confusão mental passageira, como o desejo da própria morte. Esse fato é muito bem observado em militares saídos de uma guerra, cujos traumas repercutem para o resto de suas vidas.

O atual estado de "involução" da cultura humana (regresso ao primitivismo) se choca com os valores já adquiridos com o desenvolvimento das civilizações. Muito embora estejamos cada vez "seduzidos pelo bizarro", ao mesmo tempo graças à concepção de humanidade que desenvolvemos, temos como perceber o nível desse adoecimento, sendo essa noção o que nos dá capacidade para enxergar alguns do sintomas da "tragédia" como um pedido de socorro na forma individual e coletiva.

É nessa perspectiva que podem enxergar os profissionais da saúde mental, da psicologia social e aprendizagem social-cognitiva, ao olhar a cultura humana como um imenso complexo social de sintomas comunitários, cujos efeitos se manifestam individual e coletivamente.

Neste sentido, a disseminação da "moda zumbi", como o incentivo à automutilação, exposição intencional à contaminação por HIV, a romantização do suicídio como na série 13 Reasons Why ou de sua idealização como forma de "cura", a exemplo do "jogo" Baleia Azul, são todos uma linguagem de comportamento carregando de forma implícita o pedido de socorro de uma geração assolada pela normatização da tragédia. 

Conclusão:

O tema é bastante amplo e esse texto teve por objetivo oferecer apenas algumas perspectivas. Todavia, temos motivos razoáveis para acreditar que a compreensão da perspectiva aqui exposta nos permite se aproximar melhor da verdadeira natureza do problema, invés de resumi-lo apenas à fatos isolados ou a uma leitura parcial, compartimentada do comportamento humano.

Por fim, talvez o que precisa ficar bem esclarecido é que a "sedução do bizarro" só tem esse efeito porque não estamos fazendo a separação, como deveríamos, das tragédias humanas do "entretenimento" e interesses de mercado. 

A mera retratação da imaginação humana, seja ela qual for, na forma de ficção, como em filmes, não são suficientes para produzir uma cultura adoecida. Isso acontece quando passamos a não diferenciar realidade e fantasia. É isso o que acontece quando associamos o terror da vida real ao "show-business", transformando em "diversão" o que, na realidade, deveria ser motivo de muito lamento e angústia humana.

Talvez a melhor maneira de reverter ou pelo menos minimizar a "sedução do bizarro" seja produzir e incentivar às culturas que valorizam a vida, o "belo", os valores históricos adquiridos com a evolução do que entendemos ser "civilização" e a concretude de conceitos que definem de forma clara e objetiva o que é "bom" e "ruim", "certo" e "errado", bem como "natural" e "não natural", visto que o excesso de relativismo tem sido responsável por grande parte dos sintomas destrutivos dessa geração.

Se você concorda e entende a importância dessa reflexão, compartilhe esse texto.


Por: Will R. Filho
França: suspeita de novo ataque terrorista em Paris deixa mortos e feridos

França: suspeita de novo ataque terrorista em Paris deixa mortos e feridos



Um tiroteio ocorrido nesta quinta-feira na avenida Champs-Élysées, um dos lugares mais famosos de Paris, provocou duas mortes - a de um policial e do suposto autor dos primeiros disparos, segundo a rede de televisão "BFMTV", que também informou que outro policial ficou ferido.


O tráfego na avenida foi fechado ao público, e um grande contingente policial está no local. Ainda de acordo a emissora, o tiroteio aconteceu perto da loja Mark and Spencer, por volta das 21h (16h de Brasília).

As autoridades não informaram o motivo do tiroteio, que aconteceu a três dias do primeiro turno das eleições presidenciais.


Trump diz que tiroteio em Paris "parece outro ataque terrorista"


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o tiroteio ocorrido nesta quinta-feira na avenida Champs-Élysées, em Paris, que deixou pelo menos dois mortos, "parece outro ataque terrorista", e enviou condolências "ao povo da França".

"É muito, muito terrível. Parece outro ataque terrorista. O que posso dizer? Isto nunca acaba, temos que nos manter fortes e atentos", disse Trump em entrevista coletiva depois de se reunir na Casa Branca com o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni.


Fonte: Efe
Quatro maneiras de evitar problemas emocionais com seus filhos

Quatro maneiras de evitar problemas emocionais com seus filhos



Esse texto é uma parte extraída da matéria onde tratamos como os pais devem lidar com seus filhos para evitar o "jogo" Baleia Azul. As quatro maneiras de evitar problemas emocionais com seus filhos seguem os mesmos princípios, uma vez que diz respeito à mesma dinâmica familiar.

01 - Escute mais, fale menos e demonstre afeto

Conversar não é apenas sentar e falar, mas principalmente saber ouvir. Muitos pais menosprezam às experiências, pensamentos e desejos dos seus filhos. Às vezes, minimizam o seu sofrimento apenas por acreditar que os problemas deles são insignificantes perante os seus. Ora, é um erro comparar sua condição à do outro. Ambos, pais e filhos, passam por contextos diferentes na vida, de modo que os problemas assumem o tamanho do sofrimento que é proporcional à maturidade de cada um.


Não queria desdenhar do sofrimento do seu filho(a) apenas porque considera os seus muito maiores, pois a maturidade que ele possui (o filho) é proporcional à sua maturidade e CONTEXTO onde vive, levando em consideração a época e costumes de cada geração.

Sendo assim, aprenda a escutar. Os jovens dessa geração estão "lotados" de informações, bombardeadas pela mídia, e não saber como processar e lidar com todas ao mesmo tempo é uma das coisas que têm produzido sintomas como a ansiedade, "hiperatividade" e até mesmo a dita "depressão", também por não conseguirem digerir tudo isso.

Falar e se expressar é uma das formas de lidar com esse problema, mas para tanto os pais precisam demonstrar serem receptivos, acolhedores e PACIENTES, demonstrando interesse e afetividade para os filhos. Por interesse, me refiro a não esperar a iniciativa dos filhos, mas ter você mesmo(a) essa atitude, diária de preferência. Lembre-se que esta geração não é encorajada a enxergar nos pais (na família) o "porto seguro" onde deva confiar. Eles recorrem, antes de tudo, à internet, depois às amizades reais (quando existem).

02 - Priorize seus filhos para que tenham seu "valor" como referência

Uma das questões que mais chama atenção de jovens em sofrimento emocional é a sensação de não estarem recebendo atenção suficiente de seus pais. Isso muitas vezes se manifesta na forma da frase "eles não me entendem...". Cuidado! Muitas vezes essa afirmação corresponde aos fatos, pois a compreensão requer intimidade, diálogo e confiança, coisas que nem sempre você transmite com o excesso de conversas superficiais, mas com sua PRESENÇA afetiva e moral em várias circunstâncias da vida familiar.

A sensação de não ser compreendido(a) e/ou ouvido(a) é o que leva muitos jovens a tomarem atitudes drásticas, apenas para chamar atenção dos pais e serem ouvidos. A automutilação, por exemplo, como alguns comportamentos e estilos visuais considerados "radicais" são, algumas vezes, uma forma de linguagem comportamental que visa comunicar aos pais (a sociedade) o estado emocional que tal pessoa se encontra.

A mensagem muitas vezes transmitida, embora não racionalizada pelos filhos (eles geralmente apenas sentem o desconforto. Sabem que há algo de errado, mas não compreendem), é muitas vezes um reflexo do que eles sentem como "falta de valor próprio". Isso, porque, quem dá esse valor é o olhar do "outro", nesse caso: os pais!

Se os filhos não sentem que estão sendo priorizados, consequentemente não se sentem valorizados. Dessa forma, eles buscam outros meios de buscar esse "valor" não conquistado, de várias formas. É ai onde entram as "modinhas" de grupos, tanto no mundo real como na internet, que podem ser positivas ou destrutivas. Elas, na prática, servem como substitutas do referencial afetivo que o jovem não encontrou em sua casa, lhe dando a sensação de ser "aceito" e "acolhido", ao se identificar com outros que vivem nas mesmas condições que ele.


03 - Cuidado não é oferta de material, mas de orientação e relacionamento

Alguns pais questionam os problemas dos filhos achando que estão sendo cuidados simplesmente porque possuem uma boa escola, boa casa, conforto, tudo o que desejam, etc. Um tremendo engano! O cuidado familiar não está associado a isso, apenas, mas principalmente à sua capacidade de orientação e relacionamento.

Perceba como a cultura vigente pode ser nociva para a concepção de cuidado familiar, pois ela tem dito que os pais não devem "orientar" seus filhos. Há, de forma implícita, um discurso que visa tentar retirar dos pais a autoridade sobre o cuidado dos filhos, especialmente no que compete às questões éticas e morais. Devido a isso, temos visto uma geração de jovens que não sabem o que é "frustração", porque tiveram pais que não aprenderam a importância de dizer "NÃO" aos filhos.

"Sim" e "Não" caminham juntos na orientação dos filhos e precisam estar em equilíbrio, de acordo com os preceitos éticos e morais da família. Quando isso fica em desarmonia, a relação do cuidado começa a se perder, pois cuidar implica, principalmente, em orientar. Todavia, como orientar sobre algo que não sabemos mais definir se é bom ou ruim, certo ou errado? Essa é a geração "metamorfose ambulante", cada vez mais refém do relativismo radical.

Para vencer isso, os filhos precisam de orientações e isso significa transmitir para eles o que é bom ou ruim, certo e errado, normal e anormal. A ausência dessas informações, de forma CLARA e sólida, é o que produzirá neles um mar de incertezas que poderá vir à contribuir com sua crise de identidade no mundo. Todavia, nada do que você disser fará sentido se não for resultado de uma vivência. Ou seja, você precisa se RELACIONAR.

A autoridade das suas palavras e a consequente transmissão de valores para os filhos não está na assertividade dos seus conceitos - apenas - mas, principalmente, na maneira como você os demonstra no dia-a-dia com seus filhos, ao lado deles. É a interação de "conceito + relacionamento" que produz o "valor", sendo isto a referência que seu filho vai ter- de você - ao longo de sua vida. Sem isso, ele será uma folha em branco servindo de rascunho para qualquer oferta de referência, positiva ou negativa.


04 - Alimente sentido para a vida dos seus filhos

Todo ser humano vive em torno de algum sentido. Mesmo quem nunca parou para pensar nisso, um dia irá se perguntar qual é o sentido da sua vida. Nós, como seres racionais, não vivemos em função do "nada". Precisamos alimentar nossos sonhos e expectativas, e por não vivermos em função de "instintos", mas apenas por impulsos fisiológicos básicos, fica à critério dos "sentidos" a grande motivação pela vida. Não é por acaso que em acordo com esse conceito Viktor Emil Frankl elaborou a "Logoterapia", abordagem essa da Psicologia que explora a busca do sentido como forma de lidar com dilemas humanos.

É nesse contexto que entra, por exemplo, a importância das religiões, da realização profissional, da superação física, por exemplo, através de algum esporte, da inovação e criatividade através das artes como a música, pintura, literatura ou tecnologia, etc. Em tudo isso é possível encontrar algum sentido para nos motivar. Destes, penso que o maior e mais fundamental é sem dúvida o "sentimento religioso", que não trata de uma religião enquanto sistema organizado, mas sim de uma noção implícita em todo ser humano de que existe uma razão pela qual devemos fazer o que é certo ou errado.

Todavia, a busca pelo sentido, especialmente o religioso, tem sido desvalorizada em nossa cultura, comprometida pelo imediatismo e pelo que chamo de "ser utilitário" em face aos avanços do globalitarismo.

A concepção de realização, como algo além da mera aquisição de posses e conquistas, está sendo perdida. O materialismo, de fato, e o desprezo por heranças históricas de caráter imaterial, assentados em tradições culturais, éticas e morais milenares, estão sendo diminuídos ante uma cultura cada vez mais impessoal, onde as "utopias" e "sentidos" humanos são desvalorizadas perante o "aqui e agora".

Sendo assim, o que é a morte ou a vida? O que nos faz insistir numa vida de sofrimento, quando a morte parece ser uma ótima proposta de solução para uma vida que já não possui sentido? Percebe como é fácil para uma pessoa, especialmente jovens em sofrimento emocional, acharem no suicídio um meio "justo" para abandonarem essa vida, quando acreditam que ninguém ou nada mais podem lhe ajudar?

Portanto, alimente sentido a vida dos seus filhos. Incentive e dê condições para que pensem além do "ter" e do "aqui e agora", de preferência, sendo você mesmo(a) a fonte de "valor" que serve para eles de referência sobre como devem encarar o mundo. É Deus o seu sentido? Então transmita isso a eles, ensinando-os a importância disso na maneira como vive. Invés de procurar desconstruir o que é motivo de esperança para seus filhos e o mundo, colabore para sua fundamentação. Da mesma forma, faça o mesmo com o que para você for motivo de "sentido", ainda que isso represente uma busca contínua em torno dessa compreensão.


Por: Will R. Filho
Celular provocou tumor no ouvido, reconhece decisão judicial

Celular provocou tumor no ouvido, reconhece decisão judicial


Um trabalhador italiano receberá uma pensão vitalícia depois que a Justiça reconheceu que o tumor que foi diagnosticado em seu ouvido e pelo qual perdeu o nervo auditivo, foi originado pelo uso contínuo do telefone celular, informaram nesta quinta-feira meios locais.


O Tribunal de Ivrea (norte) condenou o Instituto Nacional para os Acidentes no Trabalho (INAIL) a ressarcir, com a pensão vitalícia, Roberto Romeo, de 57 anos e que durante 15 usou o telefone celular por mais de três horas diárias trabalhando na Telecom.

A sentença, do juiz Luca Fadda, se baseia em um relatório técnico que aponta que o uso do celular e suas ondas foram a causa do neurinoma acústico que sofreu o trabalhador.

Os advogados do trabalhador, Renato Ambrosio e Stefano Bertone, asseguraram que esta é "a primeira e única sentença no mundo que, já em primeira instância, reconhece a ligação entre o uso do telefone celular e o neurinoma".

Em 2009, o Tribunal de Apelação de Brescia (norte) emitiu a primeira sentença do mundo - mas em segunda instância - reconhecendo este tipo de vínculo, que foi confirmada três anos depois pelo Supremo italiano.

Desde o site neurinomi.info, os advogados pretendem conscientizar sobre o uso prolongado dos dispositivos móveis, bem como se tornar um ponto de referência para todas aquelas pessoas que atribuam sua doença a esta causa.

Advertem, além disso, "que com base em numerosos estudos científicos, o telefone celular pode causar câncer e outras patologias no ser humano" e, por isso, a primeira medida de precaução acontece diretamente optando pelo telefone fixo, com cabo.

Caso seja preciso utilizar o telefone celular, é recomendado ligar usando fones de ouvido "para reduzir o efeito das ondas eletromagnéticas sobre a cabeça", limitar "drasticamente" a duração das chamadas e não dormir junto a um dispositivo ligado ou carregando.


Fonte: Efe
URGENTE: Secretaria de Saúde emite alerta sobre o "jogo" Baleia Azul, em Porto Alegre

URGENTE: Secretaria de Saúde emite alerta sobre o "jogo" Baleia Azul, em Porto Alegre

Noticiamos mais cedo que a Prefeitura de Curitiba fez um comunicado alertando à sociedade sobre a tentativa de pessoas perversas estarem cometendo o crime de assassinato contra jovens que passam por problemas emocionais/psicológicos, através do "jogo" Baleia Azul.

Dessa vez, infelizmente, é a Secretaria de Saúde de Porto Alegre que faz o alerta, através de uma nota emitida pouco tempo atrás. Leia na íntegra abaixo: