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NOTA DE REPÚDIO - Entidades denunciam o Conselho Regional de Psicologia do Paraná por ativismo político e desvio de função

NOTA DE REPÚDIO - Entidades denunciam o Conselho Regional de Psicologia do Paraná por ativismo político e desvio de função

Entidades acusam o Conselho Regional de Psicologia do Paraná de ativismo político e emitem Nota de Repúdio por desvio de finalidade.


O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), o mesmo que foi derrotado na justiça após processar a psicóloga Marisa Lobo por denunciar que estava sendo vítima de perseguição ideológica (veja aqui para entender), está mais uma vez se envolvendo em outro caso polêmico. Dessa vez, porém, a situação envolve a denúncia de que a autarquia está violando suas funções legais ao militar em causa de natureza ideológica e política.


O motivo do repúdio ao CRP-PR foi por seu posicionamento contrário à Audiência Pública que ocorreu no dia 09 de dezembro às 14h na Câmara Municipal de Ponta Grossa, com o tema “Ideologia de gênero: o que é isso que querem4 que seja ensinado para nossos filhos e filhas?”.

No site do CRP-PR foi publicado uma matéria explicando seu posicionamento.


No final da matéria aparece um link para outra notícia, onde o CRP-PR alega ter aprovado uma "manifestação contrária à aprovação de projetos referentes à 'ideologia de gênero' e 'Escola sem Partido'”, o que despertou mais atenção das entidades e profissionais que emitiram a Nota de Repúdio, alegando que essa é mais uma prova do ativismo ideológico e político da entidade.

A Nota de Repúdio, publicada em primeira mão pelo Opinião Crítica, explica seus motivos e serve como resposta não apenas para os profissionais da psicologia que desejam entender e tratar esses temas com seriedade, mas também a todos os Conselhos Regionais de Psicologia do Brasil.

Segue abaixo:





Modelagem Cultural - Como seu pensamento, comportamento e identidade são manipulados diariamente

Modelagem Cultural - Como seu pensamento, comportamento e identidade são manipulados diariamente


Modelagem Cultural é um conceito abrangente, tem a ver com Engenharia Social Política. Requer uma visão criteriosa para perceber seus mecanismos. Recomendo que leia esse texto com muita atenção, pois ele poderá te ajudar a esclarecer o motivo de alguns conflitos sociais e consequentemente pessoais.

Vamos pensar quais são as principais ferramentas utilizadas por aqueles que praticam a Modelagem Cultural e até que ponto isso pode afetar a nossa vida.



O que é Modelagem Cultural?


Modelagem Cultural é a influência direta ou indireta sobre o maior número possível de aspectos formadores de uma cultura, com a finalidade de criar, gradualmente, e de modo quase imperceptível, uma sociedade/cultura segundo os interesses de quem mais exerce essa influência.

A forma de pensamento, orientação científica, comportamentos, a produção artística, religiosidade, os princípios éticos, etc., são os elementos alvos desse processo.

Há uma diferença entre Modelagem Cultural e Engenharia Social Política. A Modelagem Cultural é voltada para às ruas, atuando no "inconsciente coletivo", apegando-se aos detalhes da vida cotidiana, alcançando a intimidade das pessoas. Não requer medidas políticas, jurídicas ou grandes intervenções para obter sucesso, basta a capacidade e objetivos de uma única pessoa de exercer influência para que a Modelagem Cultural tenha início.

A Engenharia Social Política, por outro lado, começa de cima, está no "topo da pirâmide". Faz uso mais específico da política e medidas jurídicas para alcançar suas metas. Alinhada com grandes organizações e políticos, ela oficializa o que é o resultado da Modelagem Cultural, fazendo com que as duas atuem simultaneamente. Em outras palavras, enquanto a Modelagem Cultural atua "no povo", a Engenharia Social Política atua "nos sistemas".

Quem está por trás da Modelagem Cultural?


A sociedade gira entorno de dois grandes aspectos que precisamos compreender, são eles:

01 - Consumo

Estabelecemos historicamente uma relação de troca entre os seres humanos, sendo a compreensão que temos desse processo a grande responsável pelo que definimos ser "civilização". Atribuímos às trocas o ideal de poder, onde "maior e melhor" é o que possui mais. Consequentemente, as relações humanas se baseiam na busca por esse "poder", traduzido num pedaço de papel ou mineral chamado dinheiro.

Enquanto em épocas primitivas a relação de troca visava a subsistência, com o passar do tempo o ser humano aprendeu que apropriando-se dos recursos, poderia "dominar" e obter regalias como resultado desse domínio. Instituiu-se então uma nova relação de troca, que não é mais para subsistência, mas principalmente para -- tentar -- suprir os anseios humanos, mediante os ideais de "conforto, prazer e valorização", surgindo assim as grandes diferenças sociais.


Sob esse aspecto, a Modelagem Cultural ocorre sempre que é necessário manter ou restabelecer a relação de poder dos que tem mais sobre os que tem menos. Se o poder consiste na "riqueza" e esta baseia-se na quantidade de recursos apropriados, logo, tira-se do menos forte a chance de ter garantida a sua subsistência, criando para ele a necessidade de comprá-la.

Mas, esse menos forte não quer apenas subsistir, porque ele vê no ideal de "poder" do mais forte a riqueza que um dia almeja conquistar (para também ser visto como "forte"), por isso acredita que quanto mais comprar, se apropriará dos recursos que lhe darão o status de poder, sustentando o ciclo de produção = consumo = exclusão/inclusão.

02 - Desejos

O ser humano possui anseios capazes de direcionar a sua conduta. Não age por instintos determinantes, mas pelo significado que atribui aos objetos e dá a ele motivação específica.

A Modelagem Cultural também ocorre sempre quando temos a intenção de favorecer os nossos desejos, precisando criar uma cultura onde eles venham a ser saciados. O "padrão de consumo" descrito acima é o resultado de um conjunto de desejos, construídos segundo os valores (significados atribuídos) que construímos com o passar do tempo. A normatização, bem como a rejeição de comportamentos e pensamentos são, também, recursos dos desejos, todos provenientes da Modelagem Cultural.

A política e as leis são criadas com base nos desejos de quem exerce maior influência. São exatamente esses "dominadores" que fazem uso da Modelagem Cultural para atingir seus objetivos.

Por exemplo: as religiões fazem Modelagem Cultural por meio do sentimento religioso humano, o qual pode ser compreendido como sendo o desejo de relacionar-se com Deus. Empresas criam e vendem seus produtos baseados nos desejos do consumidor. Adolf Hitler convenceu, por meio da modelagem cultural, exércitos e nações para atenderem seus desejos perversos. Estes são exemplos de como através dos desejos, pessoas e grupos podem fazer uso da Modelagem Cultural, tanto para o bem como para o mal.

A Modelagem Cultural pode criar subculturas, bem como culturas que podem representar uma nação inteira. As grandes organizações empresariais, bancos, entidades de representação "popular" (ONGs) e grandes "pensadores" aliados à classe política, são os responsáveis pela modelagem. Eles utilizam, no entanto, ferramentas próximas do cidadão para conseguir influenciá-lo efetivamente (veremos elas adiante), num processo que tem início antes mesmo do sujeito nascer.

Para modelar é preciso eliminar!


Atualmente, com a Nova Ordem Mundial em curso, ditada pela Globalização, presenciamos uma descaracterização da identidade cultural dos povos para expansão de um modelo segundo às necessidades de desejo e consumo dos "mais fortes". Diferente do que alguns podem imaginar, não há uma valorização das diferenças humanas na intenção de preservá-las, mas sim de instrumentalizá-las culturalmente para fins de exploração econômica. Em outras palavras, a única diversidade realmente aceitável é a que não contraria os interesses de quem define a ordem.


Para o teórico cultural Stuart Hall, os recursos da pós-modernidade fez da globalização um processo de eliminação das identidades culturais. O que antes fora um acontecimento econômico, atualmente é inevitavelmente comportamental. Uma vez que economia diz respeito  ao modo como o ser humano lida com o dinheiro, falamos então dos desejos, precisando intervir no sujeito desejante para que sua conduta se alinhe ao curso do que já não chama-se globalização, mas sim "globalitarismo", como descreve o geógrafo Milton Santos na obra "Por uma outra Globalização - do pensamento único à consciência universal"

As ferramentas da Modelagem Cultural 


Para fazer Modelagem Cultural primeiro é necessário "preparar o terreno", o que significa inserir, provocar ou criar nas "massas" (o povo) condições de aceitação da cultura que pretendem normatizar.

Essa condição é nada mais que a familiaridade e desejos construídos entorno do que propõe a nova cultura. O povo, uma vez "amassado" (preparado) pelos modeladores, fica pronto para receber as informações que vão influenciar poderosamente seus pensamentos e condutas. As ferramentas que preparam a massa são:

A) Oferta de Educação

Não se trata de ter ensino/educação, mas como? De qual tipo? Não tem a ver com a qualidade de infraestrutura, materiais e professores disponíveis apenas. Tem a ver com o CONTEÚDO repassado aos alunos, a capacitação dos profissionais, o tipo de orientação recebida por esses que deve ser repassada.

Diferente do que alguns imaginam, o(a) professor(a) não possui total liberdade para traduzir o conteúdo da disciplina que ensina. Ele é orientado a seguir as Diretrizes Curriculares que lhes são determinadas em acordo com os moldes propostos. Caso não obedeça o cronograma de ensino, poderá ser punido por não atender a demanda de ensino. A liberdade de interpretação, portanto, está restrita ao currículo escolar.

A priori, isso não é um problema se pensarmos do ponto de vista organizacional, a questão é: quem elabora as diretrizes?

A educação é a principal ferramenta de Modelagem Cultural, porque por ela podemos criar "pensadores funcionais" (pessoas que produzem não o que lhe é próprio da crítica, mas o que outros lhe fizeram absorver como sendo o "politicamente correto"), isto é: analfabetos do pensamento!

A luta de movimentos como o projeto Escola Sem Partido e de alguns setores para impedir que a discussão sobre "ideologia de gênero" seja inserida nas escolas, comprova essa realidade, devido ao fato de que temas relativos à sexualidade, política e moralidade familiar estarem sendo utilizados por alguns profissionais como forma de desconstruir normas e valores. A chamada "doutrinação", portanto, faz parte da Modelagem Cultural.

Outra evidência disso está no fato de que assim como as religiões doutrinaram a orientação escolar por séculos, sem que pudesse ser questionada, atualmente o Estado doutrina através da escola, das universidades, etc. Os que antes acreditavam cegamente terem sido criados por Deus, hoje acreditam cegamente terem evoluído do macaco! As mudanças ocorridas não foram em razão da crítica e do conhecimento, mas do interesse (conveniência) em substituir uma fé por outra no lugar de incentivar o verdadeiro pensamento crítico.

Não é por acaso que há muita divergência quando se pretende inserir nas Diretrizes de Ensino temas polêmicos, uma vez que a subjetividade desses temas requer pessoas capacitadas para tratá-los com imparcialidade (sim, a imparcialidade no ensino é plenamente possível quando o objetivo é estimular o pensamento crítico) e bom senso, algo bastante difícil.

b) Oferta de entretenimento

O ser humano é emotivo, por isso se "vicia" facilmente ao que lhe trás emoções intensas. A impressão de "positividade" nos faz esquecer (ou minimizar) alguns problemas e dificuldades que precisam ser solucionados.

Na Modelagem Cultural o entretenimento funciona como um anestésico, quase sempre enfatizado como ideal de lazer e cultura. Quanto mais barato e envolvente, melhor, pois assim alcança um número maior de pessoas sujeitas à entorpecer a sua percepção da realidade.

A razão do futebol ser mais popular que o golf, por exemplo, não é por ser melhor, necessariamente, mas porque envolve mais participantes e o custo ser menor do que a estrutura necessária para jogar golf. O show de uma banda de pagode pode ser mais acessível do que uma filarmônica, por isso envolve mais pessoas e é, por influência da maioria, mais atraente.

Em ambos os casos, tanto o futebol quando a banda de pagode serão enfatizados como ideal de cultura e diversão. Seus maiores representantes serão elevados ao patamar de "gênios" e "deuses", modelos em que o povo deverá se espelhar, desejar e, claro, CONSUMIR (o que está associado à imagem deles)!  Quaisquer atividades de entretenimento que exijam maiores aprendizados, estimulando a crítica, reflexão ou mais individualizados, serão relegados ao esquecimento, pouca expressividade ou restritos apenas aos "círculos privilegiados". Eis o motivo pelo qual alguns dizem existir esporte de rico e esporte de pobre, cultura de rico e cultura de pobre.

O pensamento e comportamento humanos são diretamente afetados pela modelagem de entretenimento, pois ao se identificar com o ídolo, a massa absorve dele tudo o que representa, ou seja: pensamentos, costumes, preferências de modo geral. É nesse momento que entra a terceira grande ferramenta de modelagem cultural, a mídia:

c) Veículos de Comunicação

A mídia, especialmente a privada, se mantém devido ao patrocínio de grandes empresas. Estas, por sua vez, precisam vender não apenas seus produtos, como as ideias de consumo que fazem o cliente chegar ate eles. A mídia então cria cenários, personagens, literalmente "faz o ídolo" surgir às vezes de situações espúrias, apenas para servir de modelo para as massas.

Tal representação ocorre não apenas para fins econômicos, mas também ideológicos, movido por entidades, personalidades, que desejam imprimir na sociedade seu ideal de cultura.

No Brasil, talvez o maior veículo de Modelagem Cultural utilizado pela grande mídia sejam as novelas. As novelas não apenas copiam a realidade, mas traduzem segundo a percepção de autores que, por sua vez, são escolhidos pelos produtores com o objetivo de colocar na produção dramatúrgica os modelos que irão influenciar a sociedade.

A identificação com os personagens e suas experiências, vai dando ao telespectador a sensação de estar vivenciando o drama, inserido no mesmo contexto dos personagens, por isso é comum vermos pessoas citando exemplo das novelas para ilustrar determinadas situações da vida real.

Tanto as novelas como programas de auditório em especial, estão na frente do seu tempo. Ou seja, eles antecipam possíveis situações da vida real (situações que os modeladores desejam trazer para a realidade), na intenção de -- responder -- através dos personagens qual seria a melhor maneira de reagir. Assim os modeladores atingem dois objetivos:

1 - Influenciam a criação de novas tendências, sejam boas ou más;

2 - Influenciam a resposta que o público dará quando se deparar com a situação provocada pela tendência já criada.

Resultado: O até então telespectador, ao se deparar com às situações trazidas para a realidade, reagirá quase automaticamente conforme os exemplos que viu nas novelas, programas, entrevistas, filmes e até desenhos. Ele deixa de ser telespectador, para ser o principal personagem de um drama que agora toma conta da sua vida.

d) Ações Políticas

Depois que novas tendências são criadas, surge a necessidade de oficializá-las, reconhecê-las como tendo partido do público e, por isso, como sendo um desejo das massas e não dos modeladores. Nessa frente se encontram os representantes políticos das empresas, instituições religiosas, donos da mídia, ONGs, indústrias de modo geral. O povo, na prática, é representado sempre em segundo plano.

As conquistas alcançadas pela modelagem que dizem respeito ao pensamento e comportamentos, ao chegar no estágio político já possui representação organizada, defensores ávidos que emergiram do povo, não para defender a realidade do povo, mas para USAR esse povo como massa de manobra daqueles que atuam fora da política. Eles mesmos são frutos da modelagem, literalmente produzidos para serem militantes de causas que pensam serem naturalmente suas (porque um dia se identificaram com os personagens das novelas), quando na verdade não são.

A Modelagem Cultural evidenciada em laboratório


Alguns autores como Solomon Asch, Stanley Milgram e Muzafer Sharif, exemplificaram de modo reduzido, por volta das décadas de 30, 50 e 70, o que chamo de Modelagem Cultural. Um experimento realizado, por exemplo, pelo Psicólogo Stanley Milgram demonstra com precisão esse processo. Outro autor que aborda de forma semelhante o conceito de modelagem é Albert Bandura, porém, com ênfase na aprendizagem social cognitiva.

Milgram colocou numa sala fechada um voluntário, o qual foi solicitado olhar para um ponto de luz fixo na parede. Perguntado se o ponto de luz se movia, o voluntário respondia que NÃO. As perguntas se repetiram e todas as respostas foram NÃO.

Um segundo grupo de voluntários foi solicitado para entrar na sala, junto com o primeiro voluntário, a diferença é que este segundo grupo, composto por várias pessoas, foi orientado a dizer que o ponto fixo de luz na parede estava se movendo. Sem que o primeiro voluntário soubesse da armação, ao iniciar os testes o segundo grupo afirmava que SIM, o ponto de luz apesar de estar fixo na parede estava se movendo. Após algumas repetições, o primeiro voluntário que até então respondia NÃO, sob influência dos outros voluntários passou a dizer SIM.

Finalmente, o exemplo acima nos faz pensar que milhares de pessoas podem estar nesse momento dizendo SIM para diversos pensamentos, comportamentos e preferências, não por fazerem um julgamento correto da realidade, mas simplesmente porque estão sendo MODELADOS por outros sujeitos, por um contexto e amplo sistema de referências simbólicas.

Nossas concepções políticas, religiosas, comportamentais e até mesmo científicas, talvez sejam como pontos de luz fixos numa parede, movendo-se conforme o poder que os "mais fortes" exercem sobre nós. Por outro lado, temos sempre a chance de reavaliar conceitos. Utilizando a crítica podemos pensar e assim compreender melhor as impressões que temos da realidade. Esse texto é uma pequena demonstração disso que lhe serve de alerta.

Quando isso acontece emerge em nossa consciência a necessidade de falar, gritar para que todos ouçam: o ponto de luz na parede não se move, ele é FIXO! Mas, para que esse alerta não ecoe e o processo de modelagem seja interrompido, os "mais fortes" fazem o possível para silenciar isso que eles chamam de "perfil desviante" (Milgram), para que você continue, sempre, apenas uma pessoa comum se identificando com os personagens das novelas que eles criam.

Agora que você sabe como funciona a manipulação social em massa, ser modelado ou não pode ser escolha sua.

Por: Will R. Filho
Ameaçada de morte, Marisa Lobo denuncia: "É assim que o marxismo e a esquerda trabalha, ameaçando"

Ameaçada de morte, Marisa Lobo denuncia: "É assim que o marxismo e a esquerda trabalha, ameaçando"

Psicóloga Marisa Lobo sofre ameaça de morte após ser convidada para denunciar contradições da ideologia de gênero na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A Psicóloga Marisa Lobo está sendo alvo de mais uma forma de perseguição ideológica. Dessa vez, porém, os militantes chegaram ao nível mais grave, ameaçando de morte a profissional que viaja o Brasil inteiro dando palestras onde expõe as contradições da ideologia de gênero.


As ameaças partiram de ativistas LGBTs através de suas redes sociais. Por questão de possível medida judicial, os dados foram preservados e serão utilizados se houver a necessidade. Os organizadores do evento já solicitaram a UFRN o reforço da segurança, que após avaliação técnica da Divisão de Segurança Patrimonial da Universidade, resolveram mudar o local do evento para outro mais seguro.

A palestra de Marisa Lobo, entre outros, será realizada no dia 07 de dezembro na UFRN. A Psicóloga disse para o portal Gospel Prime não estar intimidada:

“Não tenho medo, não vou desistir de ocupar este espaço que me foi dado por alunos e professores conservadores que estão lutando pela ciência, que estão cansados da esquizofrenia coletiva que está gerando está ditadura ideológica de gênero. Eles estão com medo do meu discurso? Sabe por quê? Porque é científico e não impositivo nem proselitismo.”.

A mentira sobre "cura gay" que militantes inventaram contra Marisa Lobo


O motivo das ameaças é porque Marisa Lobo combate abertamente o que a grande mídia e alguns movimentos sociais de "esquerda" promovem como verdades absolutas, mas que são, na realidade, mentiras ou ideologias sem fundamentos científicos. Este é o caso, por exemplo, da ideologia de gênero e da não existência de ex-homossexuais.

Marisa Lobo nunca promoveu a "cura gay", mas acredita que o ser humano, hétero ou homossexual, possui autonomia acerca da sua condição, o que envolve a própria definição de orientação sexual. Ou seja, se alguém se apresenta como ex-gay, deve ser aceito, respeitado e compreendido da mesma forma como o que se define como ex-hétero. Não se trata, portanto, de promover qualquer tipo de "cura", mas sim de acreditar na capacidade do ser humano de se "atualizar" e modificar a si mesmo como e quando achar melhor, em acordo com suas necessidades.

Leia também:  "CURA GAY" - Conheça a verdade manipulada pela mídia sobre suposta decisão judicial que trata homossexualidade como doença"

Diferente disso, o ativismo LGBT e os ideólogos de gênero tentam ignorar a liberdade do indivíduo, querendo enquadrá-lo num molde onde este não pode ser diferente do que lhe é determinado. Se trata, portanto, de um patrulhamento ideológico e exclusão do verdadeiro pensamento científico, cuja refutabilidade (questionamento) e evidências são as regras máximas.

Comentando as ameaças, Marisa Lobo desabafou, ainda segundo o portal:


“É lamentável que os que mais dizem defender a democracia, que dizem lutar contra a opressão e a ditadura de opinião, sejam os que mais perseguem o contraditório e, portanto, a democracia. É exatamente assim que o marxismo e a esquerda trabalha, ameaçando, desfilando ódio com ameaças de morte”.

A verdade vindo à tona nas Universidades


A perseguição contra Marisa Lobo faz parte de um cenário que vem se desenhando de forma muito clara nos últimos 05 anos, não apenas no Brasil, como em outros países. Se trata de um "despertamento" do senso crítico entre os estudantes, originado na sociedade comum, cansada do excesso de relativismo moral e da transformação das salas de aula em palanques políticos/ideológicos.

Na própria UFRN, por exemplo, existe um movimento organizado por estudantes, professores e outros apoiadores, chamado "UFRN Democrática". Na descrição da página oficial no Facebook está escrito que a intenção do grupo é "denunciar e quebrar anos de domínio ideológico na nossa universidade! Queremos colocar em debate Marx e Smith, Engels e Friedman, Ayn Rand e Simone Beauvoir.".

Este é apenas um, entre vários exemplos semelhantes, onde a iniciativa de estudantes, professores e outros profissionais têm contribuído para expor a doutrinação ideológica nas escolas e Universidades. O livro "A Ideologia de Gênero na Educação", por exemplo, escrito por Marisa Lobo, já foi alvo de ataques do Conselho Federal de Psicologia, o qual emitiu uma nota de repúdio pela publicação da obra. Mas, por quê? 

O livro denuncia a tentativa do ativismo LGBT de introduzir nas salas de aula conceitos que contrariam os valores da absoluta maioria da população, invadindo a esfera moral, no que compete à educação familiar, o que não é o papel da escola. A obra revela como o conceito de "gênero" têm sido construído, e implantado, por meio das crianças, como forma de desconstruir os conceitos de "homem" e "mulher", "menino" e "menina", para criar uma espécie de "gênero neutro", onde não exista mais definições de orientação sexual como "hétero" ou "homo".

Ora, perceba que em se tratando de pluralidade, democracia e liberdade de pensamento, especialmente o científico, não há o que se repudiar, principalmente se a origem de tal "repúdio" vier de um Conselho Profissional, cujo dever não é fiscalizar obras literárias, mas sim o exercício legal da profissão. Note, portanto, conforme já publicamos, como o aparelhamento ideológico na psicologia têm sido instrumento de forte perseguição e intimidação contra a liberdade acadêmica dos próprios psicólogos.

Finalmente, o que está em jogo é uma tentativa do ativismo político-ideológico de monopolizar o discurso. Não se trata de uma luta pela "diversidade" e "democracia", de fato, mas apenas do que é aceitável para os que desejam controlar o que pode ser dito, ensinado, patrocinado e divulgado como verdade.

Por isso, mais do que nunca, profissionais como Marisa Lobo devem, sim, serem ouvidos e incentivados. E isso não tem a ver, necessariamente, com a sua concordância ou não, mas com a certeza de que a liberdade de consciência, opinião e expressão devem ser garantidas para todos.



Por: Will R. Filho
Materialistas possuem mais amigos no Facebook, tratam eles como "objetos digitais" e gostam de fazer comparações,  aponta estudo

Materialistas possuem mais amigos no Facebook, tratam eles como "objetos digitais" e gostam de fazer comparações, aponta estudo


Se você é materialista, é provável que use o Facebook com mais freqüência e intensidade. Um novo artigo em Heliyon revela que pessoas materialistas vêem e tratam seus amigos do Facebook como "objetos digitais" e têm significativamente mais amigos do que pessoas que estão menos interessadas em bens. 

O estudo também mostra que os materialistas possuem maior necessidade de comparar-se com outros no Facebook.

O estudo revela que as pessoas materialistas usam o Facebook para atingir seus objetivos e se sentirem bem. Os autores do artigo, da Ruhr-University Bochum na Alemanha, desenvolveram uma nova teoria para explicar isso: The Social Online Auto-Regulation Theory.


"As pessoas materialistas usam o Facebook com mais freqüência porque tendem a objetivar seus amigos do Facebook - eles adquirem amigos do Facebook para aumentar sua posse", disse o principal autor da pesquisa, Phillip Ozimek. "O Facebook fornece a plataforma perfeita para comparações sociais, com milhões de perfis e informações sobre pessoas. E é grátis - os materialistas adoram ferramentas que não custam dinheiro!".

Os pesquisadores primeiro conduziram um questionário on-line com 242 usuários do Facebook. O questionário solicitou aos participantes que classificassem suas opiniões com declarações para calcular sua atividade no Facebook (como: "Estou publicando fotografias"), orientação de comparação social ("Comparo frequentemente como faço socialmente"), materialismo ("Minha vida seria melhor se eu possuísse coisas que não tenho"), objetivação de amigos do Facebook ("Ter muitos amigos no Facebook contribui mais com o meu sucesso na vida pessoal e profissional") e instrumentalização de amigos do Facebook ("Até que ponto você pensa 'os amigos do Facebook são úteis para alcançar seus objetivos?'").

Os resultados sugeriram que o vínculo entre materialismo e atividade do Facebook pode ser parcialmente explicado por materialistas que apresentam uma orientação de comparação social mais forte, tendo mais amigos do Facebook e objetivando e instrumentalizando seus amigos de forma mais intensa.


Os autores replicaram a abordagem com uma amostra separada de 289 usuários do Facebook, contendo menos jovens e mais adultos do que a primeira amostra, e chegaram às mesmas conclusões.

A Teoria da Auto-Regulação Social Online que eles desenvolveram estende-se ainda mais, dizendo que as mídias sociais são uma ferramenta para alcançar metas importantes na vida. Para os materialistas, o Facebook é uma ferramenta para aprender o quão longe eles estão dos seus objetivos para se tornarem ricos.



Fonte: Elsevier

"O Brasil está à beira de um colapso cultural", alerta Psicóloga Marisa Lobo a políticos

"O Brasil está à beira de um colapso cultural", alerta Psicóloga Marisa Lobo a políticos


A Psicóloga e escritora Marisa Lobo fez alertas sobre o avanço da ideologia de gênero no Congresso, convocando políticos cristãos, evangélicos e católicos, para combaterem a promoção dessa ideologia no currículo escolar.


Marisa Lobo se mostrou preocupada com o fato de muitos políticos não estarem se manifestando como deveriam em suas redes sociais, e nas mídias como um todo, contrários à ideologia de gênero. Segundo ela, "a erotização infantil vem causando estragos na sociedade brasileira, mas nossos políticos parecem dormir em berço esplêndido".


A Psicóloga, autora do livro "Ideologia de Gênero na Educação", disse que a erotização infantil está causando traumas em nome da luta contra o preconceito por não haver um "ponto de equilíbrio" entre o que é a verdadeira defesa dos direitos humanos, da diversidade e respeito, para o que é uma tentativa de "imposição" ideológica dos ativistas e ideólogos de gênero, por exemplo, nas escolas.

"Sabemos que temos a obrigação de ensinar nossos filhos a respeitar os diferentes, mas também nossos filhos têm que ser respeitados em sua condição. Se cada um tem seu direito, temos que equilibrar esses direitos, mas eles não pode ser impostos, e sim conquistados.", disse ela.

"Não podemos mentir para as crianças dizendo que elas não nascem menino ou menina, que ela ou ele é apenas uma construção social, pois essa afirmação, cientificamente, é uma mentira. Ao contrário: temos dizer que existem pessoas que pensam assim e vivem e devem ser respeitadas. Isso é uma máxima do Direitos Humanos.", continuou.

Marisa Lobo: "...estamos sendo pautados por uma mentira".


A Psicóloga disse que é necessário barrar o avanço da ideologia de gênero nas escolas, chamando atenção dos políticos para isso:

"...estamos sendo pautados por uma mentira, um ativismo ditador. Sugiro então, que os deputados federais conservadores, de bancadas como a evangélica, católica e de defesa da vida, obstruam votação até que o presidente retire da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a IDEOLOGIA DE GÊNERO.", disse ela.

O Congresso Nacional já rejeitou a inserção ou menção de qualquer assunto relacionado à ideologia de gênero nas escolas, mas o BNCC é revisado anualmente, sendo preciso atenção dos políticos, uma vez que o ativismo ideológico faz o possível para ocultar ou distorcer os termos que dão margem para a promoção dessa ideologia na sala de aula.

"Essa é uma chamada à responsabilidade a todos os parlamentares que possuem 'poder de mídia' nas redes sociais", disse Marisa, concluindo:

"Senhores parlamentares: lutem pelo nosso país de forma mais prática… Ampliem suas ações para além das mídias sociais. O Brasil está à beira de um colapso cultural! Não há outra saída a não ser agir, ou caso contrário, o país se transformará na Europa pelo pior viés possível, perdendo sua identidade e tornando-se uma sociedade onde os pais não podem mais educar seus filhos."



Por: Will R. Filho
Com informações: Gospel+
ALERTA: Lei sobre "crime de ódio" e "intolerância" avança para impedir a liberdade de expressão

ALERTA: Lei sobre "crime de ódio" e "intolerância" avança para impedir a liberdade de expressão


Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 7582/2014, de autoria da Deputada Maria do Rosário do PT do Rio Grande do Sul. Este projeto, segundo o texto, tem por objetivo tipificar o “crime de ódio” e "intolerância", determinando as condições da punição contra quem cometer tal crime.


Segundo a Deputada, a mesma envolvida na polêmica com o também Deputado Jair Bolsonaro acerca da suposta incitação ao estupro, o projeto de lei procura equiparar o “crime de ódio” ao de racismo.

Nas palavras dela:

“Se a lei contra o racismo pode ser usada, e deve ser, contra alguém que aja de forma racista, precisamos também de uma lei que puna e criminalize a homofobia e os crimes de ódio contra as pessoas, pela sua identidade de gênero e orientação sexual”.


O texto do projeto, além de enfatizar a condição de proteção as pessoas como os “migrantes, refugiados e deslocados internos“, trás como parte da sua justificativa a seguinte questão:

“Apesar da violência praticada diuturnamente contra a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, por exemplo, não há uma só norma federal destinada a sua proteção destas pessoas. Estamos permitindo com essa ausência normativa a continuidade das violações perpetradas.”

Com base nisso, o projeto de lei especifica no seu Art. 5º o que seriam motivos suficientes para a tipificação do “crime de ódio” e intolerância, a saber:

“Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito, por meio de discurso de ódio ou pela fabricação, comercialização, veiculação e distribuição de símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda, por qualquer meio, inclusive pelos meios de comunicação e pela internet, em razão de classe e origem social, condição de migrante, refugiado ou deslocado interno, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, idade, religião, situação de rua e deficiência.”

De modo geral, quando lido superficialmente, o texto parece trazer uma ideia legítima de luta contra toda forma de intolerância, como diz em seu Art. 3º, quando afirma que constitui crime de ódio “…a ofensa a vida, a integridade corporal, ou a saúde de outrem motivada por preconceito ou discriminação”.

Todavia, a grande problemática do projeto 7582/2014, na perspectiva da liberdade de expressão, está na subjetividade das suas definições, agravadas quando associadas à temas culturais e científicos que não possuem unanimidade de entendimento, como por exemplo a ideologia de gênero, questões religiosas, éticas e morais envolvendo família, educação ou até de pensamento político.

O que está em jogo é a liberdade de consciência, científica, de expressão, opinião e crença


Perceba que os termos “preconceito“, “intolerância” e “discurso de ódio” podem ser interpretados, cada um, conforme a perspectiva cultural, ética-moral, religiosa, filosófica e científica de cada pessoa envolvida numa possível acusação de “crime”, tornando praticamente impossível julgar, de forma objetiva, o que caracterizaria tal “crime de ódio“.

Seria “discurso de ódio“, por exemplo, um líder religioso anunciar em rede nacional que a homossexualidade é pecado a luz da Bíblia? Seria isso um tipo de “incitação” ou “indução” ao “preconceito” como forma de “propaganda” nos meios de comunicação, como afirma o Art. 5º do texto?


Ou seria “discurso de ódio” e incitação ao preconceito, também, um texto publicado em sites na internet [como no Opinião Crítica] ou mesmo na página de uma rede social como o Facebook, de alguém que, com base na Constituição Federal, em sua livre consciência e exercício filosófico, conhecimento científico ou mesmo religioso, se posiciona contra a ideologia de gênero ou qualquer outro assunto politicamente INcorreto?

Seria considerado crime de “intolerância”, como afirma o Art. 4º do texto, o evento de um grupo religioso, feito na rua e, portanto, publicamente, onde se anuncia que não há salvação para quem não tiver a Jesus Cristo como Senhor de sua vida? Ou ainda, que a Bíblia é a única e inerrante Palavra de Deus?

Do ponto de vista da religião, a proposta de Maria do Rosário também, de forma subjetiva, pode cercear o exercício da liberdade religiosa em público, incluindo os meios de comunicação, sob a justificativa de que apontar os erros de uma religião segundo a perspectiva de outra fé, por exemplo, pode significar “incitação ao preconceito” e “crime de ódio“.

Percebemos com isso como seria fácil, dado a subjetividade do que seria “ódio” e até mesmo “intolerância”, qualquer pessoa que sentindo-se ofendida, por questão religiosa ou de pensamento relativo à sexualidade, moralidade ou mesmo política, acusar alguém, ou organizações,  de crime de ódio e intolerância, pelo simples fato de não concordar com o seu posicionamento.

São vários os pontos polêmicos que merecem atenção nesse Projeto de Lei da Deputada petista, devido seu nível de abstração sobre temas sensíveis a garantia das liberdades individuais. Todavia, consideramos que a ameaça de punição frente a subjetividade na interpretação dos conceitos são mais do que suficientes para nos deixar em alerta.

Muito embora a proposta contenha elementos legítimos em defesa da diversidade, ao respeito mútuo e a pessoa humana como um todo, estes pontos positivos são minimizados perante os negativos, especialmente, porque, a legislação brasileira já garante proteção a diversidade humana e sua livre expressão na forma de religiosidade, sexualidade e consciência.

Por fim, a proposta está em tramitação e esperamos que nossos representantes na Câmara, especialmente os cristãos, julguem com equilíbrio o texto, de forma que as garantias individuais sejam preservadas e nenhum abuso seja permitido por força da lei, independente da sua natureza.


Por: Will R. Filho
Originalmente publicado no Gospel+
Michel Foucault: Suicida, frio, sarcástico, cruel, fascinado pela morte e perversão - O que não te contaram sobre ele

Michel Foucault: Suicida, frio, sarcástico, cruel, fascinado pela morte e perversão - O que não te contaram sobre ele


“Embora seja difícil, ou até impossível, representar a vida de um homem inteiramente sem máculas e livre de culpas, devemos utilizar os melhores capítulos para construir o mais completo retrato e cuidar para que isso se torne um real esboço.

Alguns erros ou crimes, por outro lado, que podem macular a carreira de um homem e que teriam sido cometidos por paixão ou necessidade política, devemos observar que foram perpetrados mais por lapso de alguma virtude do que em decorrência de um inato vício. Não devemos enfatizar isso em nossa história, e devemos mostrar um pouco de indulgência pela inabilidade humana em produzir um caráter absolutamente bom e dedicado à virtude.” (Plutarco, Vida de Cimon)


“Eu não tenho duvidas de que qualquer coisa que alguém escreve, o faz com o objetivo de se esconder. Não pergunte quem eu sou e não me peça para fazer o mesmo: deixe para os burocratas e a polícia procurarem saber para quê servem nossos escritos.” (Michel Foucault, em A Arqueologia do Saber)

Olhando para a nossa arrogante e cética era, historiadores do futuro irão observar o renascimento da hagiografia dos anos 80 e 90 do século passado com uma assombrada curiosidade. Por um lado, essas décadas presenciaram uma notável insuficiência de hagioi ou santos avaliáveis pela honra santificada. Assim, também, o temperamento revelado pelo nosso tempo é descrito – ou pelo menos alguns pensam dessa forma – como o da adulação. Destarte, a ambiciosa biografia do historiador-filósofo francês Michel Foucault [1] (né Paul-Michel, como seu pai) demonstra como a idolatria pode triunfar sobre vários obstáculos.

Foucault, que morreu de AIDS em junho de 1984 aos 57 anos, tem sido o queridinho há longo tempo do superchique acadêmico da desconstrução Jacques Derrida, outro importante ativista francês. Aqui o desconstrutivismo especializou-se em demonstrar que a linguagem refere-se somente a ela mesma (“Nada existe fora do texto”, segundo a famosa frase de Derrida); já o foco de Foucault foi o poder.

Ele trouxe a péssima notícia em péssima prosa de que toda instituição, não importa quão pareça benigna, é na realidade um teatro de camufladas dominação e subjugação; os esforço para as reformas libertadoras – do asilo, das prisões, da sociedade em geral – não passam de álibi para intensificar o status quo; esses inter-relacionamentos humanos são sobretudo uma luta pelo poder; a "verdade" em si mesma é meramente um coeficiente de coerção; etc, etc.

"É surpresa - pergunta Foucault em Vigiar e Punir - que as prisões se assemelhem a fábricas, escolas, quartéis, hospitais, e tudo isso lembrem prisões?"

Naturalmente tais "questionamentos" obtiveram um estrondoso sucesso nos cursos de graduações. E o Sr. Miller pode estar certo ao exclamar por ocasião da morte de Foucault "que talvez ele [Foucault] tenha sido o intelectual mais famoso do mundo" - famoso pelo menos na universidade americana, onde herméticos argumentos sobre sexo e poder são disputados com risível incompetência presunçosa por cabeludos desgrenhados.

Por tudo isso, nota-se que Foucault se fez muito parecido com seu mais talentoso rival e companheiro de atividades esquerdistas, Jean-Paul Sartre, cuja fascinante carreira Foucault emulou sempre que pôde, começando com um cargo no partido Comunista Francês no começo dos anos 50. Foucault nunca conseguiu igualar-se a Sartre -- nunca escreveu algo original ou filosoficamente significante como O Ser e o Nada, e jamais teve a autoridade pública que o existencialista teve nos anos pós-guerra.

Mas ele teve eminentes e devotos entusiastas, inclusive figuras conhecidas como o historiador Paul Veyne, seu colega do Collège de France, que declarou Foucault como “o mais importante acontecimento do pensamento em nosso século”.  

Mesmo assim, ele não parece um provável candidato à canonização. Mas o enfático título desta biografia -- A Paixão de Michel Foucault -- põe os leitores a par de que, na opinião do sr. Miller, seu biografado apresenta de alguma forma uma vida exemplar de auto-sacrifícios comparáveis aos contidos na Paixão de Jesus Cristo. (Não se trata de referências acidentais à Paixão: o sr. Miller faz uma conexão explícita.).


A calorosa recepção à Paixão de Michel Foucault sugere que o sr. Miller, um prolífico jornalista cultural e professor da New Scool for Social Research, não está só nessa apreciação. Para ser exato, algumas vozes dissidentes, a maioria proveniente de ativistas do movimento acadêmico gay, acharam que o sr. Miller não foi suficientemente reverencial. Mas a grande maioria dos críticos, incluindo alguns luminares como Alexander Nehamas, Richard Rorty e Alasdair MacIntyre, expressaram sua admiração e "gratidão" pela performance do sr. Miller.

Mas o que se torna novidade nessa performance é o sr Miller negligenciar o acima referido conselho de Plutarco de que devemos concentrar-nos nos "melhores capítulos" e encobrir "os crimes e os erros" quando escrevemos sobre um grande homem. Apesar de ser questionável em uma biografia, esse expediente parece inquestionável em uma hagiografia. Não que alguém familiarizado com a vida de Foucault pense nele como um santo. Sr. Miller o descreve como "um novo tipo de intelectual", "modesto e sem nenhuma pretensão mistificadora". Mas isso é falso.

Na verdade, Foucault ocasionalmente utiliza-se de rituais de falsa modéstia em suas leituras ou denegrindo obras anteriores de outros em favor de trabalhos seus posteriores.  E, como demonstrou o jornalista francês Didier Eribon em biografia anterior (e que o sr. Miller ignorou), arrogância e mistificação são traços profundos no caráter e estilo de Foucault [2].

Eribon nota que na escola, onde Foucault decorou seu quarto com a chocante gravura de Goya sobre as vitimas da guerra, o futuro filósofo era "quase universalmente detestado". Colegas de escola lembram dele como brilhante, mas também frio, sarcástico e cruel. Ele várias vezes tentou -- e freqüentemente com riscos -- suicídio. Autodestruição era outra obsessão de Foucault, e o sr. Miller está correto em enfatizar a fascinação de Foucault pela morte.

Nesse aspecto, teve como ideal muitas vezes o escritor Marquês de Sade, de cujos heróis seguiu a moral e o intelecto. (Embora, como Miller nota, Foucault achava que Sade "não foi longe o suficiente") Foucault se divertia em imaginar “festival de suicídios" ou "orgias" nos quais sexo e morte se misturassem na apoteose de anônimos encontros.  Nesses planejamentos suicidas, imaginava procurar "por parceiros anônimos para morrerem livres de qualquer identidade".

O sr. Miller descreve Foucault como "um dos nomes representativos -- um notável pensador -- do século XX". Mas a grande novidade do seu livro prende-se no que houve de vício e perversão em Foucault -- sua adição a práticas sadomasoquistas ▬ e em glorificar isso como uma corajosa nova forma de virtude ▬ acima de tudo, uma especial virtude filosófica.


Notem bem: o sr. Miller não tenta desculpar, perdoar ou tolerar os vícios de Foucault; em nenhum momento ele exclama que isso são coisas humanas, algo muito humano em um homem que, apesar disso, foi um grande pensador. Certamente tal atitude leva a um criticismo implícito: nós desculpamos somente o que requer ao nosso ver desculpa; nós toleramos somente o que achamos que deve ser tolerado, sempre de acordo com o nosso cânone [3]; o que eu aprovo inteiramente eu ratifico e celebro; e a celebração a Foucault e a tudo que ele fez é o tópico mais importante da agenda do sr. Miller neste livro.

O sr. Miller afirma que o pendor de Foucault pelo sadomasoquismo era uma indicação de admirável aventura ética. De fato, em seu ponto de vista, ele ficou agradecido a Foucault pela exploração pioneira de formas de prazer e consciência proibidas até hoje. Em seu prefácio, o sr. Miller sugere que Foucault, "na sua forma radical de abordar o corpo e seus prazeres, foi de fato o rei dos visionários; e isso no futuro, quando a ameaça da AIDS retroceder, homens e mulheres, sejam heterossexuais ou gays, vão renovar, sem culpa ou vergonha, a experimentação corporal de forma integral ou em suas questões especificamente filosófica".

Em outras palavras, o sr. Miller inscreve no rol dos comportamentos e atitudes virtuosos o que até outro dia era condenável como patológico.

Muitos dos seus críticos têm alegremente concordado com esse fato. Por exemplo, o eminente nietzscheano Alexander Nehamas, ao longo de sua extensa e prolixa resenha para o The New Republic, docilmente concorda que “sadomasoquismo foi uma espécie de bênção na vida de Foucault. Essa prática permitiu-lhe oportunidade de ter experiência pessoal com o poder como fonte de prazer.” Conseqüentemente, Nehamas conclui, “Foucault ampliou os limites do que pode ser uma admirável vida humana”.

Isabelle de Courtivron, chefe do departamento de línguas estrangeiras do MIT, também assegura aos leitores de uma resenha de primeira página do New York Times Book Review que Foucault “expandiu o conhecimento moderno de forma profunda e original”. Ela ainda recomenda o sr. Miller “por desprezar chavões estabelecidos para certas práticas sexuais, e por oferecer uma análise clara e sem juízo de valor (ainda assim de grande valor) dos instrumentos e técnicas do que ele considera um mútuo e consensual teatro da crueldade”.

A grande coisa que se pode dizer a respeito desse esforço de boas-vindas ao sadomasoquismo é que se trata de um reforço a um novo estilo de vida. Acima de tudo, talvez, demonstre o tipo de seqüela espiritual e intelectual que pode resultar, ainda hoje – e ainda para a maioria das mentes educadas – da ressaca do radicalismo dos anos 60.

Não tenha dúvidas: por trás do comentário anódino e professoral de Coutivron sobre ausência de juízo de valor na abordagem da sexualidade humana e o sonho de Miller de “experimento corporal” feito “sem culpa ou vergonha”, está a ideia de emancipação polimorfa que foi introduzida no colapso moral e político dos anos 60.

Entre as inúmeras atividades falsamente libertárias que brotaram naqueles anos, nenhuma teve mais influência do que o trabalho freudiano-marxista Eros e Civilização (1966). Avidamente adotado pelos entusiastas da contracultura que queriam acreditar que o aquecimento de sua vida sexual iria apressar a derrubada do capitalismo e inaugurar o próximo milênio, traçando as linhas da poderosa luta entre “a lógica da dominação” e a “desejo pelo prazer”, atacando “a realidade estabelecida em nome do princípio do prazer” e fulminando “a ordem estabelecida da sexualidade procriativa”.

Muito foucaudiano tudo isso. Tal como é a esplêndida ideia marcusiana da “tolerância repressiva” que sustenta “o que é proclamado e praticado como tolerância hoje” – Marcuse escreveu em 1965 tendo em mente as instituições que exercem a liberdade da palavra e de reunião – “a maioria delas serve à causa da opressão”. Em linguagem orvelliana: Liberdade é tirania, tirania é liberdade.

O clima radical dos anos sessenta percorre todo o livro do sr. Miller e em todas as páginas brota suas simpatias por Foucault. Com essa visão, parece natural que o sr. Miller tenha entre seus títulos o A História Ilustrada dos Rolling Stone Sobre o Rock and Roll, que ele editou, e Democracia é nas Ruas: De Porto Huron ao Cerco de Chicago (1978). Não conheço muito o trabalho anterior, mas Democracia é nas Ruas é um explícito hino à New Left e seu “sonho coletivo” de “democracia participativa”.

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Nesse livro, o sr. Miller está registrando a “experiências de ruptura” – “durante os protestos de ocupação, as marchas e nas violentas confrontações” – e o “espírito inebriante de liberdade” dos anos sessenta. No mesmo caminho, A Paixão de Michel Foucault é um revival daquele livro tardio, produzido com um tema francês e recheado de couro negro.    

Portanto, não é surpresa que, quando o sr. Miller dá vazão a esvanecimentos do estudante revoltado de 1968, sua prosa lustrada pela nostalgia incendeie sua imaginação. É como se ele estivesse recordando sua perdida ▬ talvez nem tão perdida assim ▬ adolescência.

Nesses anos conturbados, a desordem foi se espalhando pelas ruas parisienses. Placas publicitárias foram derrubadas, sinalização de rua posta abaixo, andaimes e arames farpados destruídos, estacionamentos virados de cabeça para baixo. Montanhas de escombros eram empilhadas no meio dos bulevares. Estavam todos atordoados, mas o ambiente era festivo. “Todos de repente reconheciam a realidade de seus desejos”; algum participante escreveu, resumindo o pensamento preponderante: “Nunca antes a paixão destrutiva foi tão criativa”.

Foucault infelizmente não participou dessa primeira leva de revoltosos, pois estava lecionando na Universidade de Tunis. Mas seu amante Daniel Defert participou, e o punha informado dos acontecimentos fazendo-o ouvir um radio transistor por telefone por horas a fio. No final desse ano, Foucault foi nomeado chefe de departamento na recém-criada Universidade de Vincennes, perto de Paris. O então professor de filosofia de 34 anos pôde assim aderir aos acontecimentos.

Em janeiro de 1969, um grupo de 500 estudantes tomou ostensivamente o prédio da administração e o anfiteatro em solidariedade a seus bravos colegas que invadiram e ocuparam a Sorbonne no final daquele dia. Quando a polícia chegou, ele seguiu o grupo recalcitrante que subiu ao telhado para resistir. O sr. Miller recorda orgulhosamente que Foucault apedrejava “alegremente” os policiais, mesmo estando muito “preocupado em não sujar seu belo traje de veludo negro”.

Não se passou muito tempo depois desse animado episódio, para Foucault emergir como um onipresente porta-voz da contracultura. Sua "política" era consistentemente insensata, uma combinação de tagarelice solene acerca de "transgressão", poder e vigilância, fermentada por uma extraordinária tolice sobre o exercício do poder no dia a dia. Foucault estava cego pelo pensamento de que "sujeito" significa "sujeição".

"O significado da palavra, dizia, "sugere uma forma de poder que subjuga ou leva o sujeito a ser subjugado". Foucault posava de partidário apaixonado da liberdade. Ao mesmo tempo, ele jamais encontrou um revolucionário de que ele não gostasse. Foi defensor de extremismos marxistas, como o maoísmo; deu suporte ao Aitolá Khomeini mesmo quando o fundamentalismo dos aitolás tomou o poder e matou milhares de cidadãos iranianos. Em 1978, examinando o período pós-guerra da segunda guerra mundial, ele indagou: "O que podem os políticos fazer quando se trata de escolher entre a URSS de Stalin [um genocida] e os EUA de Truman?" Achar difícil responder essa questão nos diz muito da cabeça de Foucault.

Outra coisa interessante nas idiotices políticas de Foucault é que elas fazem parecer racionais outros tipos políticos também muito esquisitos. Num debate na TV holandesa ocorrido no final dos anos 70, por exemplo, o famoso lingüista radical americano Noam Chomsky pareceu ser a voz da sanidade e moderação em comparação com Foucault. Como o sr. Miller recorda, enquanto Chomsky insistia que “devemos agir como seres humanos responsáveis e sensatos, Foucault retrucava que idéias como sensatez, responsabilidade, justiça e leis são meramente discursos ideológicos, sem nenhuma legitimidade.

“O proletariado não trava uma guerra contra a classe burguesa por considerar isso uma justa causa”, continuou Foucault. “O proletariado combate a classe burguesa porque quer o poder”. É claro que essa linha de raciocínio, produzidos é claro de forma mais sofisticada, vem desde que Sócrates encontrou Thrasymachus, mas naqueles dias ninguém ouvia palavras assim tão descaradas. Tampouco existia esse tipo raro de performance.

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Em outro debate, Foucault classificou o massacre de setembro de 1792, no qual milhares de pessoas suspeitas de simpatias com a realeza foram cruelmente assassinadas numa carnificina impar, como um exemplo de justiça popular. Como o sr. Miller ressaltou, Foucault acreditava que a justiça serve melhor para abrir as prisões, soltar criminosos e pôr abaixo os magistrados.

Embora sendo Foucault da geração dos anos 40 e 50, seu "público" era fundamentalmente as crianças dos 60 [a geração de adultos, professores, líderes e "pensadores" da atualidade que defendem temas como a ideologia de gênero, liberação do aborto e o relativismo radical da moralidade]: precoces, mimados, narcisistas, plenos de imaturos sentimentos políticos, arrebatado por fantasias inviáveis de absoluto êxtase. Ele se tornou um expert em despertar os delírios narcisistas dos sixties [geração dos anos 60. N do T] através da divinização do proibido, esse cínico estratagema da filosofia francesa contemporânea.

Penso que essa foi a causa principal de seu grande sucesso como guru acadêmico. Na filosofia de Foucault, o "idealismo" dos sixties foi pintado com nuance sombria. Eles demandavam pela liberação de "todas as convenções", como insistentemente repete o sr. Miller. Em uma entrevista de 1968, Foucault sugeriu que "as diretrizes das sociedades do futuro vão ser formadas pelas experiências com droga, sexo, comunidades, outras formas de consciências e individualismos. Se o socialismo científico surgiu das utopias do século XIX, é possível que a real socialização emergirá das experiências do século XX."

De fato, drogas foram um auxílio a que Foucault recorreu livremente em sua procura por "experiências".  Ele usou maconha nos anos 60, mas isso nada significou até 1975 quando experimentou LSD. O sr. Miller considerou tal experiência crucial no desenvolvimento intelectual do filósofo; o mesmo aparentemente achou Foucault, que descreveu o fato com fortes palavras de louvor. "A única coisa na minha vida comparável a essa experiência", ele disse na época, "é fazer sexo com um desconhecido. (...) O contato com o corpo de um desconhecido produz uma experiência da verdade similar ao que eu estou experimentando com a droga".

"Eu estou agora entendendo minha sexualidade", concluiu. Parece que esse fato ocorrido no Death Valley foi realmente significativo para Foucault. Vários acontecimentos galvanizados por essa primeira experiência de Foucault com alucinógenos, ele deixou de lado nos volumes não-publicados da História da Sexualidade ▬ uma pena! Como Miller notou, existiam milhares de páginas "de masturbação, de incesto, de histeria, de perversão, de eugenia: todos os capítulos importantes da filosofia do nosso tempo”.

1975 parece ter sido o annus mirabilis de Foucault. Foi marcante não apenas pelos prazeres proporcionados pelo LSD, mas também pelas suas incursões pela Bay Area da Califórnia e sua introdução no mundo da subcultura sadomasoquista de São Francisco. Foucault já tinha "experimentado" o S&M [sadomasoquismo] antes ▬ de fato, essa inclinação lhe custou o relacionamento com o compositor Jean Barranqué. Mas ele jamais encontrou nada tão estimulante como as coisas que São Francisco lhe oferecia.

De acordo com o sr. Miller, o filósofo, então com 50 anos, achou a cidade "um lugar de excessos de tirar o fôlego, que o deixava literalmente sem palavras". As incontáveis casas de banho homossexuais proporcionavam a Foucault reencontrar com a fascinação da sua vida com o 'impressionante, o indizível, o arrepiante, o estupefaciente, o extasiante', 'enlaçando-se à violência pura, ao ato sem-palavras'."  

Como sempre, o sr. Miller apresenta a inclinação de Foucault para práticas sadomasoquistas como uma nobre batalha existencial por uma grande sabedoria política de liberação.  Mesmo sendo o sadomasoquismo um tópico que o sr. Miller desde o início do livro discutiu, sua maior abordagem ao tema aconteceu em um capítulo que denominou “O futuro do saber”. “Aceitando um tipo de risco”, escreveu o sr. Miller:

 “Foucault se esbaldou novamente em orgias de torturas, trêmulo nas mais excitantes agonias, voluntariamente anulando-se a si mesmo, extrapolando os limites da consciência, permitindo as dores corporais, sendo gradativamente derretido nos prazeres através da química erótica.” ... “Através da intoxicação, da fantasia, do dionisíaco abandono do artista, pela maior procura por práticas nada ascéticas e uma desinibida exploração do erotismo sadomasoquista, parecia possível abrir, mesmo que fugazmente, as fronteiras entre a consciência e o inconsciente, entre a razão e a desrazão, o prazer e a dor e, por último, entre a vida e a morte.  – e assim, claramente revelar que o jogo essencial entre o verdadeiro e o falso é manipulável, incerto e contingente”.

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Muitas vezes o sr. Miller aparenta ser um sóbrio jornalista investigativo. Mas basta mencionar a palavra “dionisíaco” e tudo vai por água abaixo.  Suspeito que isso é um reflexo, adquirido do também exagerado Alan Watts e outros produtores de mitos. Como o cão de Pavlov não pode deixar de salivar quando ouve o som da sineta, o sr. Miller também não consegue deixar de dizer algum disparate quando escuta alguém fazer menção a Dionísio.

Nada infelizmente nos poderá “jamais dizer” exatamente o que Foucault fez enquanto explodia os limites da consciência e apagava os limites entre a dor e o prazer, entretanto o sr. Miller fez uma descrição particularmente terrível do submundo das atividades sadomasoquistas que Foucault freqüentava, um mundo onde existem, entre outras atrações, “mordaças, penetrações lacerantes, mutilações, choques elétricos, tortura por alongamento, encarceramentos, castigos e chicotes” ... “Dependendo do clube”, diz ele respeitosamente, “o sujeito pode saborear a ilusão de bondade – ou a experiência das mais cruéis torturas físicas”.

Foucault se imiscuiu nesta cena com um entusiasmo que deixou atônitos seus amigos; rapidamente adquiriu um enxoval de roupas de couro e, “para brincar”, uma variedade de grampos, algemas, capuzes, mordaças, chicotes, porretes e outros “brinquedinhos sexuais”.

A discussão que o sr. Miller empreendeu é certamente grotesca e cômica ao mesmo tempo. Apesar de tudo, o sr. Miller é um scholar consciencioso, e assim ele sentiu-se obrigado a suprir os leitores com uma lista completa de fontes. Em suas notas, ele nos informa que sua obra é baseada em trabalhos do gênero The Catacombs: A Temple of the Butthole, Urban Arboriginals: A Cerebrations of Leathersexuality e The New Leatherman's Workbook: A Photo Illustrated Guide to SM Devices. "Para as técnicas de gays SM neste ano", ele explica, “eu tenho relido em Larry Townshend, The Leatherman's Handbook II”. Essa recomendação ele nos faz de forma impassiva.

Comédia involuntária à parte, o discernimento geral sobre sadomasoquismo do sr. Miller é um oceano de contradições, mistura indigesta da pior psicobaboseira pop com um pomposo sermão "filosófico”. Adicionado às platitudes contraculturais sobre liberação sexual e emancipação psicológica, ele não pode entender por que "sadomasoquismo é uma das práticas sexuais mais amplamente estigmatizadas". Ainda, depois de todos esses anos! Por um lado, ele quer ajudar a superar o estigma, está desesperado para desintoxicar o sujeito, fazer a perversão parecer "benigna" e normal.

Por outro lado, ele sente-se compelido a apresentar a prática sexual com torturas físicas como algo audacioso, "inovador" e "estimulante". Os chicotes e as algemas são realmente apenas "acessórios"; os encontros são "consensuais"; a dor é "freqüentemente suave"; os devotos do sadomasoquismo são, "no geral, não-violentos e bem ajustados ao restante da população". Entretanto, enquanto ele nos diz que encontrou uma almofada em um "cárcere" de práticas sadomasoquistas para tornar o ato mais confortável, ele também dá exemplo de um expert que, enquanto insiste que "a real viagem é mental", admite que "existe certamente dor e algumas vezes um pouco de sangue". Só um pouco de sangue...

Um dos freqüentadores do sr. Miller lhe conta que uma da estratégia envolve uma viagem deslizante ladeira abaixo. Quando foi que você teve pela última vez um impulso violento?, perguntou-lhe o sr. Miller. Ora, afinal não somos todos sádicos enrustidos? "Depois de tudo", volta o sr. Miller, "sadomasoquismo não é meramente afirmar uma característica implícita talvez em todo relacionamento humano?". Ah, sim, "de certa forma".

Nunca pareceu ocorrer ao sr. Miller que, mesmo se isso for verdade (trata-se de uma hipótese duvidosa), a diferença entre "implícito" e "explícito" é exatamente a diferença sobre a qual baseia-se no mundo inteiro o comportamento moral. Além do mais, nos "relacionamentos quentes" de Foucault, uma das coisas que mais o atraia era o anonimato dos parceiros: "Você encontra homens [nos clubes] que são para você o que você é para eles: nada, apenas um corpo no qual o prazer será possível. Você cessa de ser prisioneiro do seu próprio rosto, do seu próprio passado, de sua própria identidade”.

Entretanto o sr. Miller reconhece – embora sem proclamar em alto e bom som – que em essência a obsessão sexual de Foucault não é produto de algum insight filosófico: é, sim, produto de seu desejo de esquecimento. “O prazer total”, bem disse Foucault, “está relacionado com a morte”.


O triste percurso desse apóstolo do sexo e do hedonismo deve tê-lo mutilado mentalmente, como fez anteriormente com o Marquês de Sade, separando o prazer do sexo. Em uma das inúmeras entrevistas que deu nos últimos anos de sua vida, Foucault louvou o sadomasoquismo “como um criativo intercâmbio em que o sujeito pode proceder a uma dessexualização do prazer”. O patético dessa afirmação é que Foucault achava que isso era um argumento a favor do sadomasoquismo.  E ele continuava:

“A idéia de que o prazer corporal deve sempre vir do prazer sexual, e a ideia de que o prazer sexual é a essência de todo o nosso prazer sempre me pareceu um erro”. Bem, Michel, sempre existe alguma coisa errada a respeito desse assunto. Mas quem acredita que o “prazer corporal vem sempre do prazer sexual”? Já fizeste uma boa refeição à noitinha? Gostas de caminhar sob o sol? É parte renitente da lógica sadomasoquista que o que começa como um resoluto cultivo do prazer sexual em interesse próprio, acabe por extinguir totalmente o prazer. De fato, pode-se dizer que toda perseguição às formas extremas do prazer, que é a forma que está no coração do sadomasoquismo, drena o prazer para fora do prazer. O desejo pelo esquecimento termina no esquecimento do desejo.


As aventuras sexuais de Foucault nos anos 80 levantam uma questão inevitável sobre a AIDS. 


Foucault sabia ser portador da doença [AIDS]? O sr. Miller embarca em teorias contraditórias a respeito dessa questão. Ele começa dizendo que Foucault não sabia. Mas ele também cita Daniel Defert, para quem o amigo "tinha conhecimento" de que era portador de AIDS. "Quando ele foi para São Francisco pela última vez, ele encarou a viagem como uma experiência-limite." Isso põe o sr. Miller em uma difícil posição. Ele pensa que "experiência-limite" é por definição uma boa coisa.

"Não é imoral ter espasmos devido a fantasias singulares e impulsos selvagens", ele escreveu, resumindo a questão "ética" do livro de Foucault Loucura e Civilização: "cada experiência-limite deve ser avaliada como um acesso ao inconsciente, à dimensão dionisíaca do ser humano."

Mas onde fica o limite se isso envolve infectar pessoas com uma doença mortal? E o que dizer se o hobby de alguém implica em uma conduta homicida? O sr. Miller desconversa. Ele é totalmente a favor daquilo que denomina "pensamento alternativo" em se engajar em consensuais "atos de paixão potencialmente suicidas". [No Brasil há grupos de pessoas que combinam para fazer sexo sem camisinha com desconhecidos, entre eles pessoas infectadas pelo vírus da AIDS. Perceba que até nesse tipo de alienação mental há a influência direta ou indireta da "filosofia" de Foucault].

Mas... e atos homicidas? Está bem claro o que Foucault pensava. Como ele escreveu no volume 1 da História da Sexualidade, "O pacto fáustico, quando o desejo tinha sido despertado em nós pelos ímpetos da sexualidade, era mudar inteiramente a vida dirigindo-a para o sexo, para a verdade e o governo do sexo. Sexo era o valor em si e para si”.

Foucault é conhecido sobretudo pela suspeição em todos os assuntos que ele investigou. Supostamente teria sido um intelectual supremo que dissecou a crueldade escondida nas relações de poder, os sombrios motivos e a ideologia secreta da burguesia que infecta os corações e mentes de todos. É curioso, entretanto, que os pupilos suspeitassem tão pouco do seu mestre.  A tese central de Foucault afirma ser a realidade objetiva uma "quimera" e que a verdade tem sempre, em todo lugar, a função de manter o poder sob "forma de constrangimento".

Essa teoria é propagada pelos acadêmicos foucauldianos em todo o mundo. Mas, espere: é isso verdade? Não seria essa tese tão cara a Foucault também um caso em que a verdade é relativa a um “regime de verdades”, ou seja, tem fins políticos?  Se alguém diz “Sim, isso é verdade”, vai ipso facto mergulhar incontinenti em um poço de contradições – afinal, não havíamos dispensado justamente esse tipo de verdade? – e o edifício lógico da epistemologia foucauldiana desmorona como um bolo podre.

Ou então devemos considerar que Foucault é uma espécie de avatar contemporâneo de Friedrich Nietzsche. Nunca foi muito considerado o fato de Foucault, tal como Nietzsche, ser o epítome dos heróis filosóficos, sensíveis e solitários, tendo pensamentos muito profundos – e tão perigosos – para a maioria de nós (exceto para os seguidores de Foucault: para estes, são parte do trabalho para derrotar a “metafísica ocidental”, o “humanismo burguês” e milhares de outros demônios).

Foucault sempre promoveu a ideia de que ele mesmo era um Nietzsche redivivo, e o sr. Miller elevou essa comparação à categoria de princípio inquestionável. No prefácio do livro, ele anuncia que a obra não é tanto uma biografia como um prestar contas “da longa luta existencial de um homem em honra do aforismo nietzscheano de ‘vir a ser o que se é’”. Nunca se esqueçam das trinta derradeiras páginas que Foucault escreveu insistindo que “um sujeito escreve para se tornar um outro que ele é”: Foucault era industrioso em prosperar através de seus “paradoxos”. De qualquer forma, quem tem tempo para essas sutilezas lógicas quando se está engajado perigosamente nas “buscas nietzscheanas”, algo que encontramos Foucault perseguindo a cada página do livro do sr. Miller.

Na realidade, a comparação entre Foucault e Nietzsche é uma calúnia para Nietzsche. Devemos admitir, é claro, que Nietzsche tem muito a responder sobre a cabeça de gente como Foucault. Mas qualquer coisa que se pense sobre a filosofia de Nietzsche, não se pode deixar de admirar a coerência e a coragem da sua vida filosófica. Achacado por uma saúde débil ▬ cefaléia, vertigens, severos distúrbios digestivos ▬, Nietzsche deixou sua posição de professor da Universidade de Basel quando tinha pouco mais de trinta anos. Depois disso, ele seguiu uma vida celibatária, isolada e pobre, morando em várias pensões baratas de Itália e Suíça. Ele tinha poucos amigos. Seu trabalho foi quase sempre totalmente ignorado: Além do Bem e o Mal, uma de suas mais importantes obras, vendeu um total de 114 cópias em um ano. Mas ele silenciosamente perseverou.

E Foucault? Foucault depois de freqüentar as escolas francesas de elite - o Liceu Henrique IV, a Escola Normal Superior, a Sorbonne - foi contratado para dar aula na França, Polônia, Suíça, Alemanha e Tunísia. É certo que não ganhava um salário muito alto, mas o promissor filósofo recebia fartos subsídios de seus pais. Nos anos 50, quando era um obscuro professor da Universidade de Uppsala, ele adquiriu o que Didier Eribon chamou de "um magnífico Jaguar bege" (segundo o sr. Miller, branco) e o dirigia como um louco pela cidade, assustando a população de Uppsala. Que afronta às convenções! Eribon lembra-nos ainda que Foucault era um acadêmico politicamente combativo em causas que beneficiassem seus amigos e a si próprio.

Não dá pra dizer que ele alguma vez escondeu seu desprezo pelos estreitos escrúpulos burgueses. Tentar suicídio e jogar pedras na polícia eram requisitos importantes para ser aceito no seu protocolo acadêmico. Enquanto ele esteve lecionando em Clermont-Frrand no final dos anos 60, por exemplo, ele tornou-se amante de seu assistente Daniel Defert. Em resposta a um requerimento que a faculdade lhe fez para explicar por que ele escolheu Defert como assistente em detrimento de uma senhora mais velha e mais capacitada para o cargo, ele disse:"Porque não gostamos de velhas aqui”

 Foucault em toda parte sempre fez questão de obter a deferência dos intelectuais. Seu livro As Palavras e as Coisas se tornou best-seller em 1966, catapultando-o para a fama internacional. Seu ápice de reconhecimento veio em 1970 quando, na jovem idade de 44 anos, Foucault foi nomeado para o Collège de France, o pináculo da cultura acadêmica francesa. O sr. Miller, como a maioria dos acadêmicos que escreveram sobre Foucault,  preza a filosofia foucauldiana de se pôr a si mesmo em risco por causa de suas idéias. "Por mais de uma década ▬ escreveu Miller sobre a reputação de Foucault na época ▬ seu elegante crânio raspado foi um emblema de sua coragem política: uma pertinaz resistência às instituições que sufocam o livre espírito e reprimem o 'direito de ser diferente'". Oh, que grande resistência à sociedade burguesa!

Mas Foucault difere de Nietzsche em mais coisas.  O fundamental no mundo dos dois filósofos era radicalmente diferente. Foucault, na verdade, era um simulacro de Nietszche. Ele adotou alguma coisa da retórica de Nietzsche sobre o poder e imitou um pouco o histrionismo verbal do alemão. Mas ele nunca teve algo parecido com os insights de Nietzsche e muito menos sua originalidade.

Nietzsche pode ter estado seriamente errado em suas apreciação sobre a modernidade; ele pode ter tido erros em parte  ▬ no seu extremado secularismo ▬ da história; mas poucos homens enfrentaram com tanta determinação e honestidade a questão do niilismo como ele. Foucault apenas flertou com o niilismo que foi para ele somente uma "experiência". O sr. Miller está certo quando enfatiza a importância da "experiência", especialmente as experiências extremas ou "limites" na vida e no trabalho de Foucault; mas ele está errado em achar que isso é uma virtude.

Foucault era um viciado em extremismos. Ele era um exemplar de  certo tipo do romantismo decadente, tipo para o qual Nietzsche chamou atenção quando escreveu sobre "aquele que sofre com o empobrecimento da vida e implora por sobras, calmarias, redenções pela arte e conhecimento, silêncios, intoxicações, convulsões, anestesias e loucura". A insaciável fissura que Foucault tinha por novidades, sempre em busca de “experiência”, era sinal de fraqueza, não de coragem. Aqui também Nietzsche era melhor exemplo que Foucault. “Os homens hoje vivem demais e pensam de menos”, escreveu Nietzsche em 1880. “Eles sofrem ao mesmo tempo de cólicas e de fome, e então se tornam débeis e débeis, não importa o alimento que consomem. Quem diz hoje ‘não tenho vivido para nada’ é um asno”

O sr. Miller não é inteiramente acrítico. Sobre Loucura e Civilização, por exemplo, ele acrescenta  que “as convicções do autor são menos argumentos do que insinuações”. Sobre As Palavras e as Coisas ele nota que o texto é “imperfeito, desajeitado e elíptico”. Mas sua crítica pontual não vai muito longe. No começo do livro, o sr. Miller menciona em passant o incisivo estudo crítico de J. G. Merquior  em Foucault, um Niilismo de Cátedra (1985). Leitores dessa obra sabem que Merquior, que é conhecido como “um diplomata brasileiro que estudou com Ernest Gellner”, explorou polidamente, mas de forma incisiva, todas os clamores foucaldianos.

Merquior tipicamente começou seu estudo com um aceno ao brilhantismo de Foucault. Mas aos poucos vai mostrando o quanto seus argumentos tinha de ordinário, o quanto eram pueris e insustentáveis, o quanto distorcia a história. Qualquer “nova perspectiva”  de Foucault pode se opor a qualquer coisa; Merquior conclui: “seus conceitos são indigentes e sua argumentação é débil. Sua real contribuição vale menos do que parece”.

A verdade é que Foucault especializou-se em produzir respostas pirotécnicas para falsos problemas. “Nós temos tido sexualidade desde o século XVIII e sexo desde o século XIX”, ele escreveu em História da Sexualidade. “O que nós tivemos depois foi sem dúvida carne”. Sim, e “o intercurso sexual foi inventado em 1963”, como Philip Larkin memoravelmente acrescentou.

Foucault certa vez descreveu seu texto como um “labirinto”. Ele estava certo. A questão é: por que deveríamos querer entrar nele? Como o sr. Miller insiste, o texto de Foucault expressa “o desejo poderoso de ser uma forma de vida”. Mas essa é uma desejável forma de vida?

A perversão pessoal de Foucault o envolveu em uma tragédia privada. A celebração pela academia de sua perversão intelectual continua a ser um escândalo público. A carreira desse “representativo homem” do século XX realmente representa uma das maiores fraudes da história intelectual recente.

Notas:

1. The Passion of Michel Foucault, por James Miller (Simon & Schuster, 1993).

2. Biografia escrita por Didier Eribon, Michel Foucault, publicada na França em 1989.

3. O eclipse da tolerância como uma virtude liberal, agora considerada uma “formação reativa”, é um dos mais insidioso subproduto da campanha do politicamente correto. Entre outras coisas, o espaço para o debate aberto se estreita dramaticamente ao requerer fidelidade a idéias e valores que esse movimento se dá ao luxo de admitir como verdadeira mesmo sem possuir ao menos mínima comprovação.


Por: Roger Kimball
Tradução: Humberto Campolina
A água de Marte, na verdade, é areia - Nasa afirma que pesquisadores se enganaram

A água de Marte, na verdade, é areia - Nasa afirma que pesquisadores se enganaram


Uma nova interceptação dos dados obtidos em 2011 pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) concluiu que o inicialmente foi considerado como rios no planeta vermelho são, na realidade, correntes de ar carregadas de areia, informou a Agência Especial dos Estados Unidos (Nasa).

"As marcas escuros em Marte, anteriormente consideradas como uma prova de correntes de água na superfície do planeta, foram interpretadas por uma nova pesquisa como fluxos granulares, nos quais grãos de areia e pó caem ladeira abaixo, criando leitos escuros", afirmou nesta segunda-feira a Nasa em comunicado.


As conclusões dessa nova análise, que foi publicada hoje pela revista "Nature Geoscience", descartam, além disso, a presença suficiente de líquido em Marte.

"Considerávamos esses fluxos como correntes de água, mas o que vemos nessas encostas responde mais ao que poderíamos esperar de areia seca", afirmou Colin Dundas, autor do artigo e membro do Departamento de Pesquisa Geológica do Centro de Ciência Astrológica de Flagstaff, no Arizona.

De acordo com Dundas, as imagens feitas pela potente câmera do MRO mostram que não existe inclinação suficiente para gerar leitos para que a água se deslocasse de forma regular. Desse modo, o movimento detectado pode ser atribuído à areia caindo na região.

Milhares desses leitos, chamados de fluxos interminentes por aparecerem somente na estação mais quente do planeta, tinham sido detectados em mais de 50 regiões de Marte, gerando uma grande expectativa sobre a presença de água.

Essas conclusões contradizem a teoria defendida até o momento pela própria Nasa que, em 2015, disse ter provas da existência de água em Marte.

Com um espectômetro instalado na sonda, os cientistas detectaram sinais de minerais hidratados em montanhas marcianas nas quais foram percebidas essas "raias" misteriosas.

Essas raias, que ficam escuras nas estações mais quentes, são as que os especialistas acreditaram que fosse água fluindo pelos montes de Marte, que, segundo Dundas, são apenas areia.


Fonte: Efe