É culpa do Ventilador! - A Merda Espalhada do PT

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Após uma eleição presidencial conturbada como nunca antes na história desse país, entramos em 2015 com a certeza do cenário político e econômico que já sabíamos, isso com a vitória de qualquer um dos candidatos. Eu, particularmente, lancei sorte nas redes sociais afirmando que se o PT perdesse, amargaríamos terríveis protestos de intolerância pelas ruas de uma tal "mancha vermelha" que já estava preparada e, dado ao seu poder de articulação estrategicamente financiado, poderia fazer o país parar! Não foi o caso, Dilma Rousseff venceu, mas o Brasil não ficou livre de amargar o caos. Por qual motivo?

Que a economia do país vai mal, qualquer sensato que vá a um mercado comprar carne ou um quilo de tomates, reconhece. Não é tapando a vista e o bom senso pelos avanços alcançados, não por excelência e sim por obrigação, que deixamos de enxergar as mazelas existentes. No entanto, o curioso é o fato de que embora tenhamos entrado em 2015 com o aumento do desemprego, taxas de juros/inflação, energia e transportes, 90% dos petistas e simpatizantes não reconhecem a má gestão do governo atual, agarrando-se como parasitas nas gorduras dos anos anteriores. Os outros 10% já podem ser considerados ex-petistas (risos). Para estragar ainda mais o quadro, os casos de corrupção explodem diariamente, revelando a Petrobras como um verdadeiro "boi de piranha" dos parlamentares e empresários criminosos. No meio dessa baderna que chama eu e você de imbecis, trocas de acusações, denúncias e manipulações vão tomando espaço ao ponto de dissolver a imagem de um ou vários culpados. Essa é a estratégia atual do PT, "espalhar a merda" da corrupção para que a sua imagem deixe de ser o foco das denúncias e se torne apenas uma, dentre várias, a serem investigadas. Como no Brasil a justiça anda a passos de curupira em terreno de espinhos, o resultado disso mostrará que a culpa é das estrelas... ops! do Ventilador, srs! 

Acredite, nesse lamaçal político onde não há direita, esquerda, centro ou queira você o diabo qualquer, tudo é possível nos bastidores. Mesmo assim há entusiastas utópicos (inocentes?) que ainda acreditando em siglas partidárias, inflamam o peito e gritam ao vento de forma "revolucionária": __guerra aos fascistas/coxinhas/pasteis/quibes/enroladinhos/!!! (hã?) Do outro lado estão, de fato, muitos financiados opositores do que chamam "...a esquerda", conclamando a população para se manifestar contra a situação do país. Estão errados do ponto de vista político? NÃO! Para isso teriam que ter inventado os números negativos da economia, bem como os roubos BIlionários na Petrobras e a consequente desvalorização das suas ações, ocasionando uma rede de prejuízos em cadeia que poderá não apenas estagnar o Brasil na recessão, como fazê-lo colapsar. Eles estão sendo oportunos, isso sim, e não deveriam? Mas há também uma grande maioria de brasileiros, povo apartidário, sem legenda e financiamento, que tem como iniciativa política nada mais do que sua insatisfação e revolta contra os corruptos. Essa população quer mudança e reivindica porque tem direito. É um povo que já compreendeu a impossibilidade de um governo contínuo de 12 anos não ser responsável, também, pela corrupção que diz respeito ao seu período de mandato. Esse povo já compreendeu que cada corrupto deve ser punido por aquilo de que teve responsabilidade, não querendo se eximir da própria culpa pela ênfase na culpa do outro. Sendo assim, não importa o quanto o PT espalhe sua merda no ventilador, porque ele será sempre o culpado por tê-la jogado nele. Não só o PT, todos devem ser responsabilizados por suas "cagadas".

O caos das informações e da economia já estão instalados, será que veremos também o das manifestações civis, com grupos pró e contra o governo atual? Esse cenário desenha a possibilidade de confrontos corpo a corpo nas grandes capitais do Brasil? Não duvido, porque já vimos o que grandes manifestações podem fazer, a exemplo das que ocorreram em junho de 2013 e o que vem acontecendo na nossa vizinha Venezuela. É louvável a iniciativa da indignação com o caos, com a "merda sendo espalhada" na intenção de por a culpa no ventilador, mas ao olhar o resultado das eleições em 2014 mesmo após inúmeras denúncias já terem sido feitas, meu questionamento é se não é o próprio povo que não deseja as mudanças mais significativas no país, pelo costume, banalização e conformismo com o ridículo. Talvez seja preciso primeiro um trabalho intenso de conscientização, educação política propriamente, especialmente das camadas menos favorecidas, para que façam separação dos benefícios já alcançados dos avanços e correções que ainda precisam ser feitos.

Finalmente, não queremos desistir do Brasil, o país onde seu João de 74 anos e dona Maria, com 65, acordam cedo todos os dias para trabalhar como ambulantes nas ruas. Uma Nação de tantos cidadãos sérios e honestos que ganham a vida com o legítimo suor do rosto. O país do jovem estudante no interior do sertão que caminha 10 quilômetros todos os dias para aprender algo numa sala improvisada. O país de atletas esquecidos, artistas e cientistas que levam o nome do nosso Brasil ao mundo inteiro, através do próprio esforço, sem utilizar os meios da corrupção, mas sim o caráter e a força de um bom brasileiro, que não desiste nunca! É nesse Brasil que eu ainda acredito, e você?

Abraço e até a próxima...

Afinal, Quem se Importa? Uma Crítica a Indifirença!

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Pensando nesses dias sobre o que fazemos para mudar o mundo, me veio a mente uma reflexão interessante; afinal, quem se importa? Estou rodeado de pessoas que aparentemente se dizem preocupadas com a situação cultural que vivem. Semanalmente lido com gente discursando opiniões sobre os mais diversos assuntos, refletindo uma inquietação sobre o que fazemos, somos, pensamos, querendo parecer (ou ser) alguém comprometido com alguma mudança necessária. No entanto, após publicar um texto onde argumento que somos àquilo que curtimos, comentamos e compartilhamos no Facebook (leia AQUI), pensei também sobre a transparência/coerência com que dizemos nos importar. Afinal, por quê parecemos preocupados com determinados assuntos sem ao menos dar atenção às coisas que abordam estes mesmos assuntos? 

Tenho falado e escrito: a hipocrisia social fala mais que o bom senso! Disso não me arrependo, pois comprovo diariamente a quantidade de pessoas que "face a face" parecem indignados com o problema A, B ou C, mas que numa oportunidade simples de ser "diferente", preferem ser iguais. Os discursos antes "revolucionários" que apontavam um caráter " marcante sobre determinados posicionamentos, se tornam invisíveis, ou neutros, quando de cara com o problema podem com uma mínima decisão fazer a diferença, mas não fazem.

Dizemos nos importar sobre a exploração humana do consumismo que relega uns à riqueza e outros à exclusão social, mas não vemos problema em pagar R$ 15,00 num pedaço de pão e carne "química" com tomates. 

Dizemos nos importar com a violência que assola as periferias, criminaliza inocentes e faz padecer o mais necessitado, mas não vemos problema em pagar fortunas para morar em condomínios fechados com segurança privada, distante da realidade que julgamos conhecer, embora julguemos para fazer parecer que sabemos daquilo que, na verdade, não vivenciamos...

Parecemos preocupados com a cultura humana apontando para a morte, mas não vemos problemas em deixar nossos filhos se "divertindo" com jogos de horror, assassinato e perversão. Embora queiramos a paz, equilíbrio e civilidade, não damos importância a competitividade econômica, moral e material capaz de produzir assassinos, exploradores e escravos culturais;

Dizemos ser contra a alienação moral e manipulação do conhecimento, mas não vemos importância em patrocinar com ingressos, audiências, shows de "pão e circo" que definham o senso crítico dos que deveriam se manifestar contra o poder opressor, mas não o fazem, porque a euforia do show faz parecer mais importante que a necessidade de mudança;

Quem se importa com a notícia em sua página de perfil? Quem se importa o suficiente para se comprometer, em público, com o que aparenta se preocupar em círculos fechados? Quem dentre nós tem o caráter traduzido nas páginas da internet que navega, notícias que curte, comenta e compartilha?  Preferimos ser neutros. Não se "comprometer" com a opinião alheia é mais fácil do que ter caráter, porque esse último exige de nós parcialidade, posicionamento, importâncias, e tal atitude só é capaz de assumir quem possui "verdades" para colocar à prova.

Verdades não são o forte dessa geração. É o que imaginam, muito embora existam nos redutos de quem domina. Verdades não apenas existem, como controlam àqueles que pensam ser a relatividade melhor que a decisão. Mas quem se importa? Quando mais fácil é relativizar e caminhar às margens da "realidade", não há motivos para dar a vida o significado de "Verdade", pois o que tem a ver, por exemplo, os dilemas alheios com sua página no Facebook, opinião em sala, passageiro de ônibus, humano maltratado? De fato, é mais fácil não se importar do que se comprometer.

Pense nisso.

Abraço e até a próxima...

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