Jovens em Crise? A Falta de Referência na Adolescência!

((•)) Ouça este post


Não é fácil ser adolescente nos dias de hoje, pelo menos quanto ao aspecto referencial, ser jovem atualmente significa ter o desafio de encarar uma sociedade confusa, superficial e em mudança constante. Será mesmo que nossos adolescentes estão conseguindo acompanhar o ritmo dessas transformações, sem acarretar em seu comportamento algum tipo de prejuízo?

O ser humano é uma criatura desenvolvida com base nas referências que possui. Diferente dos animais 100% instintivos, guiados comportamentalmente por uma condição genética predeterminante, nós possuímos a "plasticidade cognitiva" do aprendizado continuado, podendo alterar o modo como nos relacionamos com o mundo, a qualquer momento, essa é característica que nos dá o status de SER, e não simplesmente de estar! Os animais e demais elementos da natureza ESTÃO no mundo. Nós, pela consciência que temos dessa realidade, não apenas estamos, mas SOMOS no mundo, quando percebemos a diferença entre EU, TU, NÓS, VÓS, ELES, compreende?

Utilizando um pouco essa filosofia de bar, podemos entender que para SER, é preciso buscar nas coisas que existem ao nosso redor, símbolos capazes de fazer criar meu próprio valor. Ou seja, a concepção que tenho da vida e consequentemente a construção de todo o meu comportamento é, também, o resultado daquilo que o mundo me oferece aliado as minhas reações. É na dinâmica de relacionamento de mim, com o mundo, que passo a construir meu jeito de ser e pensar. Neste sentido, ninguém é 100% autêntico, somos sempre o resultado melhorado (ou não) do elemento no qual reagimos. Mas o que isso tem a ver com crise na juventude? Tudo, imagine:

01 - A criança que nasce em um lar onde os pais são ausentes afetivamente, como poderá suprir essa carência de afeto, senão na angústia de não saber lidar com sentimentos no futuro, uma vez que não teve a oportunidade de experimentá-los?

02 - O criança privada de brincadeiras coletivas que permitam aprendizado social, mas envolta por jogos onde a única relação que consegue desenvolver é com personagens fictícios, ambientes de fantasia e um espaço restrito, saberá interagir coletivamente no futuro?

03 - O jovem que ao chegar em casa encontra sua mãe babando pelo galã fictício da novela, enquanto o pai assiste jogos de futebol no quarto (babando a bola), para não ser incomodado, saberá o que significa interação familiar

04 - O adolescente que deseja o conselho dos pais, mas não tem porque eles vivem ocupados, em troca disso, para alívio das suas consciências, dão a ele um computador com algo chamado GOOGLE, que não apenas lhe fará compahia, como poderá tirar "todas" as suas dúvidas, será que poderá confiar e acreditar o suficiente nesses pais na hora que receber algum tipo de advertência? Ora, por que não perguntar ao Sr. Google se os pais estão realmente certos?

Estas são situações básicas e superficiais que podemos expandir para outros contextos, como por exemplo a oferta da mídia criando personagens aliados aos interesses de quem (quem?) "regula" o consumo, a moda, o jeito de agir e pensar, para no final, claro, gerar mais consumo e alienação. O que vimos acima também é resultado disso, por isso temos "ídolos" como Neymar, Anita, Lepo Lepo, "MC. Bostinha", Pikatchu e todo tipo de futilidade que em pouco tempo atrás não passariam de meros engraçadinhos ou, no máximo, pessoas com algum talento. A carência de boas referências e valores que sofre nossa geração, tem deixado ela suscetível a qualquer elemento que se destaque, ainda que o motivo desse "destaque" (nossa!) seja uma frase repetida mil vezes, uma careta, dança esquisita, rosto pintado ou, quem sabe, alguma desorientação mental!. Essa suscetibilidade diz respeito à incapacidade de exercer juízo crítico sobre questões elementares que afetam suas próprias vidas. É por isso que vemos jovens, aparentemente inteligentes e "antenados", cada vez menos produtivos intelectualmente, mas sim REPRODUTORES de um conteúdo proposto por um sistema idiotizante, onde a única crítica permitida é a de fazer calar os que pensam contrário a ele.

Tenho uma verdadeira preocupação com o futuro da nossa cultura. Num país, por exemplo, onde saúde, educação, infraestrutura e segurança estão praticamente falidos, entre os piores índices do mundo, enquanto monumentos bilionários são erguidos em nome dos deuses Futebol, Carnaval e Cachaça, fica difícil acreditar que essa geração de facebooks e geeks utilitários fará amanhã alguma diferença positiva. Enquanto a poderosa ferramenta da Internet for espaço para discutir opiniões sobre romance de vampiros, Harry Potter, autopromoção, The Walking Dead, cabelo do Neymar, BBB, capítulo da novela, "Quadradinho de Oito" e o por quê da bola ser redonda, teremos sempre os mesmos problemas, acrescidos de mais problemas. Nessa época onde verdadeiros pensadores preocupados com a condição humana são vistos como alienígenas, ou, no mínimo, "gente chata sem graça", o que nos resta é ter a esperança de que ao ter a oportunidade de enxergar diferente, possamos cuidar dos nossos filhos, orientando-os, sendo NÓS MESMOS A REFERÊNCIA de que eles mais precisam. Isso exige mudanças não apenas na maneira de pensar, mas nos próprios hábitos, como a dedicação de tempo e intimidade no relacionamento com eles. O senso crítico é uma construção que tem por base as boas e más experiências. Sejamos nós as boas experiências para nossos jovens, pois assim, amanhã, eles lembrarão de uma época que farão questão de preservar, ao invés de esquecer!
 
Finalmente, o sentimento é de que um grande número de jovens vive numa condição de desamparo afetivo, acarretando crise de referencial. Os motivos disso acontecer são vários, um deles e talvez o mais importante é a ausência de referência familiar, especialmente quando em relação às figuras do pai e da mãe. A família precisa retomar a educação dos filhos, algo que vem sendo deixado a cargo da TV, Internet, Escola, das RUAS. Mas é preciso que seja uma educação significativa, não normativa apenas, mas sim compreensiva, sustentada por princípios e não meros modismos.

Espero que esse pequeno texto tenha servido para suscitar uma boa reflexão, que não termine aqui, mas seja compartilhada com outras pessoas. Se você dá importância a isso, deixe o seu comentário e divulgue.

Abraço e até a próxima...          

Uma Psicologia do Trabalho para o Trabalhador!

((•)) Ouça este post



O que é possível realizar no âmbito da psicologia organizacional, para a manutenção do papel do trabalho como lugar de expressão das potencialidades do trabalhador?

A Psicologia, promotora do conhecimento humano e suas dimensões, deve no âmbito do trabalho contribuir para que o trabalhador tenha no exercício de sua função, não apenas a construção de resultados relacionados a empresa no qual atua, mas também daquilo que venha constituir os fatores motivadores da sua ação, não como trabalhador(a), simplesmente, mas como pessoa.

No mercado competitivo onde a própria Psicologia é posta em “cheque” quando a serviço deste, os profissionais da atualidade não querem apenas ocupar uma função, eles querem mais do que uma vaga, querem sim a oportunidade de alcançar objetivos, metas muito bem definidas. E para isso estão dispostos a ir além do dever. Querem se destacar, cumprir suas obrigações de modo que posam ver nisso um "Q" de especialidade, algo que seja característico de sua personalidade, visão e conhecimentos. Eles são as "pedras preciosas" que muitos empregadores, se preciso, criam novas atribuições em suas empresas para não perdê-los. A Psicologia entra como facilitadora no processo de descoberta desses e outros trabalhadores, mediando suas expectativas, aliando-as às necessidades da empresa, galgando sempre  novas possibilidades, para que ambos, tanto a empresa como o profissional, possam alcançar seus objetivos.
Assim podemos delimitar medidas que favoreçam esse desenvolvimento mútuo, questionando posturas que venham “alienar” as visões da empresa e do profissional, partindo para uma conscientização da pessoa humana – no – trabalho, tendo por objetivo fazer com que resultados se tornem consequências não de meras obrigações, mas, talvez, até mesmo de um hobby! Portanto, vejamos a seguir algumas dessas medidas:

a)    Incentivar a gestão de ânimos!

O Psicólogo organizacional deve intervir no modo de entender a administração de pessoas, fazendo a empresa olhar seus funcionários como - unidades motivadores – do ambiente, baseadas não apenas na expectativa da empresa, mas objetivos que este possui com seu trabalho.

Gerenciar pessoas, muito mais que números, portanto, é compreender antes dos resultados os alicerces de sua motivação, potencializando os pontos positivos e trabalhando os negativos. Fazendo com que pessoas sejam o foco dos resultados, antes dos números, para que os números sejam consequência de pessoas focadas, cada uma, em suas próprias metas, contribuindo assim para o objetivo maior da empresa. 

b)    Valorizar a escuta do trabalhador

A excelência de uma empresa deve ser medida pela sua capacidade de agregar não um montante X de números, mas de atribuir valores aos números que são, ao final, consequência desses valores. Esse processo tem a ver com pessoas e pessoas tem a ver com objetivos. Como então trabalhar objetivos se não for atentando para aqueles que os constroem?  Escutar significa valorizar a fala do profissional, suas queixas, sugestões, dificuldades, sendo enquanto Psicólogo do trabalho um mediador entre a fala e o que venha ser por parte da empresa o conjunto de ações tomadas em prol dessa fala. 

c)    Promover o desenvolvimento pessoal

Incentivar o desenvolvimento pessoal, profissional, é conscientizar o trabalhador de suas capacidades, dando a ele opções de crescimento dentro e até fora da empresa. Fazer isso é criar meios simples de acesso desse trabalhador à educação, seja ela independente do oferecido pela empresa ou mesmo em prol dela. É enxergar no desenvolvimento do trabalhador a possibilidade de crescimento da sua própria mão de obra. Crescimento que se dá em qualidade, visão e gerência! 

d)    Cultivar a integração social como um conceito de trabalho

No fim de qualquer trabalho está o árduo desejo humano de realizar-se enquanto pessoa. O trabalho é, muitas vezes, apenas um meio de alcançar essa realização. Por outro lado existem os que fazem do hobby um trabalho, mas essa, no entanto, não é a maioria. A Psicologia organizacional não pode transformar em hobbies os trabalhos humanos, mas pode contribuir aproximando o trabalhador de um entendimento em que o trabalho desempenhado por ele seja um meio, onde hobbies e outros elementos sejam parte de várias conquistas, tornando-se, portanto, um trabalhador cada vez mais realizado. Criar vínculos entre os profissionais, meios de relacionamentos, troca de experiências, trabalhos em grupo, são maneiras de cultivar a pessoa humana em meio, algumas vezes, ambientes apáticos, poucos sugestivos e repressores. São maneiras de criar espaço para que as potencialidades da pessoa humana e, consequentemente do trabalhador, possam emergir como fontes de muitas possibilidades.

Por fim, essas foram algumas medidas apresentadas que embora resumidas, deram a entender o quanto à Psicologia do Trabalho pode contribuir no ambiente organizacional. Tais medidas esboçam o caráter comportamental do sujeito, expondo sua relação com o ambiente, onde as dinâmicas interpessoais são, muitas vezes, conflitivas na perspectiva prática e teórica, em relação ao modo de entender trabalho. É mister, portanto, que o Psicólogo do trabalho desempenhe uma função mediadora, facilitadora e portanto interventora nas relações do profissional com seu trabalho, o que nos faz entender que tais ações não se colocam simplesmente a serviço do organizacional, mas da pessoa humana como um todo, independente de qual lado ela esteja!

Abraço e até a próxima...

/
2leep.com