Mesmo que voluntário de vacina tenha se suicidado, a motivação precisa ser apurada

A TV Cultura divulgou nesta terça-feira qual seria a causa provável da morte de um dos voluntários da CoronaVac, ou “vacina chinesa”, o que provocou a suspensão dos testes clínicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a emissora, o jovem de 33 anos teria cometido suicídio.

O diretor geral da Anvisa, contudo, não confirmou a informação durante coletiva de imprensa ocorrida a pouco. Ele disse apenas que não obteve esses dados e que as informações sobre a ocorrência estavam “incompletas”.

Mas, se foi suicídio?

Alguns podem achar que se confirmada a hipótese de suicídio, isso seria suficiente para afastar a ocorrência da morte ao teste com a vacina, mas essa ideia é um tremendo engano.

Isso porque, diferentemente da morte por causas naturais, como uma doença, o suicídio é um ato motivado. Há, portanto, um motivo inerente ao indivíduo capaz de lhe fazer tirar a própria vida, e alguns deles estão associados a estados psicológicos/emocionais alterados.

Como alterações psicológicas/emocionais podem resultar do uso de substâncias químicas, como é o caso de um medicamento, a exemplo das drogas imunodepressoras e antidepressivos, o suicídio pode estar associado a essas substâncias.

Se tratando de uma vacina em teste, a morte por suicídio de um voluntário exige investigação, inclusive não pela CoronaVac por si só, mas pelas potenciais reações dela com outras substâncias, como o álcool e outras drogas, visto que também há a informação de que o voluntário pode ter tido uma overdose.

Por fim, como podemos observar, a situação é extremamente delicada e não é simples como alguns imaginam. Nenhuma hipótese pode ser descartada, o que justifica a cautela da Anvisa em sua medida pela suspensão temporária dos testes clínicos da vacina.

Afinal, a morte do voluntário da “vacina chinesa” teve relação com o quê?