Pesquisas de intenção e a realidade das ruas: o que lhe parece mais verdadeiro?

Conforme se aproxima o período eleitoral, pesquisas de intenção de voto passam a ser cada mais frequentes. Todavia, há alguns anos elas também vêm sendo bastante questionadas devido à discrepância de alguns resultados, e para muitos isso ocorre devido a supostas manipulações.

Brasil e Estados Unidos viram discrepâncias do tipo em duas grandes eleições presidenciais. Primeiro, em 2016, o ex-presidente Donald Trump aparecia em cenários completamente desvantajosos nas pesquisas contra a democrata Hillary Clinton, e isso foi propagado até o fim da eleição, que acabou com a vitória do Repúblicano.

No Brasil, em 2018, o então deputado Jair Bolsonaro aparecia em desvantagem na maioria das pesquisas eleitorais contra os seus adversários, especialmente contra o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, e a exemplo dos EUA, no final quem venceu foi o líder direitista.

Institutos como o Datafolha e Ibope, os mais conhecidos, caíram em descrédito não apenas pela discrepância dos seus resultados, mas também pelas acusações propagadas nas redes sociais de que suas pesquisas seriam encomendadas por figuras interessadas em manipular a opinião pública, apesar de não haver nenhuma comprovação a esse respeito.

A estratégia das ruas

Diante deste cenário de muitas narrativas e desconfianças, alguns políticos, especialmente o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, têm adotado uma postura que na verdade é uma estratégia que visa combater os resultados das pesquisas de intenção: testar a sua popularidade nas ruas!

A “motociata”, ou “motosseata”, feita pelo presidente Bolsonaro, não é apenas um mero passeio de moto. Ela é, acima de tudo, uma demonstração de força política contra a oposição e os criticados institutos de pesquisa. A intenção é contrapor os números divulgados em pesquisas com imagens reais do povo nas ruas.

O fato do ex-presidente Lula – que agora vem aparecendo na frente das pesquisas em alguns resultados – não aparecer arrastando multidões nas ruas, entrando em padarias ou conversando com ambulantes, espontaneamente, ou seja, sem estar cercado de militantes previamente arranjados, reforça a ideia de que os resultados apresentados por alguns institutos não refletem a realidade.

Diferentemente de Bolsonaro, a popularidade de Lula não é possível medir por imagens há um bom tempo, visto que ele não tem se exposto ao público “comum” (não militante), fora de eventos partidários e previamente organizados, onde costuma aparecer cercado por seus admiradores.

Enquanto Bolsonaro contradita às notícias de que a sua popularidade estaria em queda saindo ao encontro do povo, se colocando literalmente à prova em diversas cidades do país em que faz visitas, muitas vezes de improviso, Lula só aparece nas redes sociais, na grande mídia, em eventos arranjados e nos resultados das pesquisas de intenção de voto.

Com isso, finalmente, cabe ao cidadão julgar em quê acreditar mais: no que os seus próprios olhos enxergam e ouvidos escutam, ou nos institutos de pesquisa e suas históricas, largas e estranhas margens de erros.