Antonio Gramsci

O gramscismo foi bem aplicado no Brasil

Este texto é para você leitor entender o que acontece hoje nos três poderes que administram o Brasil

Política e Sociedade

Política e SociedadeAnálises sobre o cenário da política e assuntos de interesse público. Por: Heuring Motta - Teólogo e professor, especializado em Hermenêutica, Ciências Políticas e Logoterapia pela Universidade Católica de Salvador. É também colunista do Instituto John Owen. Casado e pai de uma filha.

15/05/2020 07h19Atualizado há 1 semana
Por: Heuring Motta
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Antonio Gramsci é o filósofo Italiano que se destacou no começo do século XX. Foi preso no regime fascista de Benito Mussolini e veio a falecer em 1937. Foi influenciado por dois pensadores: Karl Marx e Nicolau Maquiavel. Na prisão italiana escreveu seus famosos ''Cadernos de Cárcere'', sua obra principal.

Seguiu a linha leninista e fez duras críticas a Trotsky. Gramsci acreditava que tanto Marx, como Trotsky e Stalin falharam no método da violência como aplicação da primeira fase da revolução. Que a violência pode ser usada, mas não na primeira fase. Na primeira fase é preciso atacar na raiz do problema: O modo de vida ocidentalizado.

A civilização Ocidental é o alvo. Gramsci chama ocidentalismo de superestrutura. O pensamento grego, o direito romano, o pensamento judaico-cristão formaram ao longo história uma estrutura que mantém uma superestrutura. Como seria esta superestrutura?

Ele divide em colunas bem firmes: Relação de produção (trabalho), Relações econômicas (patrão), relações sociais que são: A sociedade Estado (poder político) e a sociedade civil (a classe dominante). Como se daria esta formação? Dos organismos legitimados: Família, religião, tradição, cultura, senso de nacionalidade, elite.

Estes organismos convencem a maioria da população e por isso formam a classe dominante – criando uma estrutura que viabiliza a superestrutura de poder. Esta superestrutura de poder que administra, executa, cria leis e usa da força física para cessar crises e conflitos que venham ameaçar a estabilidade do sistema.

Qual a solução de Gramsci para destruir esta superestrutura? A erva daninha, o joio. Por dentro do inimigo - legitimar novos organismos! Estes novos organismos são modelos ‘’diferentes’’ do ocidentalizado, (lumpem do povo) e para realização deste processo seria preciso mudar a linguagem, o direito, a cultura, o senso de nacionalidade.

Toda formação ocidentalizada seria questionada, revisada em prol destes novos organismos. E quem são? Qualquer representatividade rejeitada pela sociedade civil. Por exemplo: Um líder traficante de um bairro poderia ser este representante deste novo organismo.

O melhor exemplo desta ideia aplicada é o Deputado Igor Canário, envolvido com o tráfico de drogas na capital baiana, conseguiu ser representante deste organismo, teve legitimidade do povo, da imprensa e dos políticos baianos, se tornou vereador na capital e hoje é deputado federal.

Gramsci vai nominar Igor Canário de Intelectual orgânico. Outro exemplo é Jean Willys, foi campeão do BBB Brasil, se tornou ativista LGBT, ganhou legitimidade e se elegeu Deputado Federal no Rio de Janeiro. Dos traficantes, sindicalistas, estudantes, movimento prol drogas, prol aborto, feministas, estudantes – todos são novos organismos e elegerão seus representantes formando uma nova estrutura.

Como nasce esta estrutura? Por dentro daquela que já existe. Por ocupação, cada líder ou representatividade vai assumindo funções nas Instituições que representam a superestrutura que é a Sociedade Estado dividida nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário; na sociedade civil se posicionando nas funções educacionais, universidades, escolas, cultura, tradição. Todo petismo é formado por intelectuais orgânicos, não há dúvidas disto.

O PT viabilizou a candidatura de um sindicalista semianalfabeto, foi legitimado pelo povo, chegou ao cargo maior da nação como representante dos sindicatos ( novo organismo), houve então uma aceleração da nova estrutura que cria a nova superestrutura. O que temos hoje? Um STF completamente aparelhado por intelectuais orgânicos.

Dos 11 ministros da Justiça, só 2 são juízes concursados. O caso mais grave é o senhor Dias Toffoli, ex advogado do PT, nunca passou num concurso para juiz, foi colocado no STF por apadrinhamento estratégico, uma ocupação. Ele é peça para engrenagem da estrutura que visa a super.

O que acontece hoje? Um poder executivo imobilizado! Não perdemos ainda a superestrutura ocidentalizada, mas diariamente a Constituição Federal é rasgada e o STF passou a criar leis e executar funções do governo. Um poder paralelo que acelera a nova estrutura.

Do outro lado, a sociedade civil vai muito mal. Artistas da Globo ganham legitimidade política, a mídia destaca suas opiniões e visões sobre o atual momento, e eles como representantes deste organismo artístico, se tornaram 'cientistas' nas ciências políticas.

Veja um bom exemplo do Intelectual Orgânico, esta semana as redes sociais noticiaram a live de cantora Anita e a comentarista política Gabriela Prioli (a loira da CNN Brasil que pediu demissão por ter sido desmontada por Caio Copolla). Você pode discordar em relação as ideologias que a moça defende, mas não é possível negar que a loira tem sua formação, mas o fato dela aceitar falar sobre política com Anita, ‘’para ajudar a sociedade’’, faz Anita uma representante política deste universo chamado funk.

Observe: Qualquer pessoa pode opinar sobre futebol, religião, cultura e diversos temas, mas ter conhecimento, falar com propriedade, expor com legitimidade um tema sobre política é uma realidade bem distante da Anita. Pra Gramsci, Anita é uma representante do novo organismo.

Se você vem percebendo um declínio cultural, na arte, na música, na política, na família, nas estruturas que mantém aquilo que ainda chamamos de democracia, da superestrutura ocidentalizada - a resposta é sim, está acontecendo aceleradamente! Estamos vendo as ideias de Gramsci na aplicação e testemunhando o nascimento da nova superestrutura de poder.