Cúmplice?

Gregório Duvivier conversou com hacker e sugeriu alvos para os ataques, revela PF

Duvivier perguntou se haveria algo de comprometedor contra a família do presidente Jair Bolsonaro

19/12/2019 20h41Atualizado há 1 mês
Por: Will R. Filho
“Tem algo da Globo?”, perguntou Duvivier ao hacker. Reprodução: Google
“Tem algo da Globo?”, perguntou Duvivier ao hacker. Reprodução: Google

Segundo relatório da Polícia Federal encaminhado à Justiça Federal, o humorista Gregório Duvivier, um dos integrantes do grupo Porta dos Fundos, manteve contato com o hacker Walter Delgatti Neto, responsável por roubar mensagens dos integrantes da Lava Jato e outras figuras públicas.

Nas conversas, Duvivier sugeriu possíveis alvos para os ataques do hacker, entre eles o juiz Marcelo Bretas e figurões da Rede Globo, além de perguntar se não haveria nada comprometedor contra o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PF, o primeiro contato entre o humorista-militante e o hacker ocorreu em 14 de julho de 2019. A descoberta foi feita pelos agentes através de um link presente no computador de Delgatti, apreendido pela PF, onde constava conversas entre os dois.

O teor do material foi encaminhado pelo hacker a Duvivier, que respondeu com ironia. “Feliz de conhecer o hacker”, informou a Veja em matéria exclusiva nesta quinta-feira (19). Duvivier ficou ciente de que o conteúdo das mensagens, leia-se: roubadas de autoridades, foram passadas ao jornalista Glenn Greenwald.

Como se não bastasse tomar conhecimento do crime, ou seja, tornando-se cúmplice do mesmo, Duvivier estimulou o hacker no ato criminoso ao dizer que ele iria “mudar o destino do país” por ter conseguido acesso aos celulares dos integrantes da Lava Jato.

Família Bolsonaro

Duvivier ainda perguntou ao hacker se haveria algo de comprometedor contra a família do presidente Jair Bolsonaro, mas Delgatti disse que não, foi daí então que o humorista sugeriu outros alvos para os ataques. “Tem algo da Globo?”, perguntou ele.

Delgatti afirmou que teria várias informações sobre algumas figuras da Globo e que também havia “pegado” o aplicativo do apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, mas não teve acesso a nenhum conteúdo, porque tudo havia sido apagado.

Na sequência das conversas, Duvivier chegou à indicar como potencial alvo o diretor-geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, e o diretor-geral da emissora Carlos Henrique Schroder.

Duvivier também mencionou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e o juiz federal Marcelo Bretas (responsável pela Lava Jato no Rio), afirmando que eles “poderiam ser alvos”. Não há indícios de que esses últimos foram alvos do hacker, mas Marcelo Bretas e William Bonner foram interceptados.

Duvivier e a Justiça

A Veja informou que na conclusão do inquérito não há imputação de crimes a Gregório Duvivier. Ele foi chamado a depôr sobre o caso, onde negou que tenha solicitado ou sugerido a invasão das contas de Telegram da cúpula da Rede Globo ou de autoridades do Rio de Janeiro.

Duvivier se justificou alegando que a conversa com Delgatti ocorreu por curiosidade, afirmando ainda que sugeriu diversos nomes de forma aleatória e disse que em nenhum momento recebeu mensagens ou qualquer informação das pessoas citadas por ele.

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