Pergunta: se houver explosão de casos de Covid pós-Carnaval, de quem será a culpa?

As notícias não são boas. Enquanto a Europa já fala em uma possível quarta onda do novo coronavírus, o Brasil vem falando de… Carnaval? É isso mesmo! O mais engraçado é que entre os que defendem a realização desse evento estão figuras que vinham, até então, defendendo medidas como o “fique em casa, a economia a gente vê depois”.

O que mudou? A campanha de vacinação no Brasil realmente está boa. Já superamos em número de pessoas totalmente vacinadas, os Estados Unidos. O ministro Marcelo Queiroga vem fazendo um ótimo trabalho, em grande parte graças aos esforços do ex-ministro Eduardo Pazuello, que iniciou as tratativas para a compra dos imunizantes já em 2020.

No entanto, é possível dizer que é seguro realizar um evento como o Carnaval justamente agora, quando estamos “saindo” da pandemia? O aumento de casos na Europa, a ponto da Alemanha registrar recordes diários na semana passada, mesmo em meio a campanhas de vacinação, não é suficiente para colocar o Brasil em estado de alerta?

O Carnaval no Brasil é um celeiro turístico! Enquanto estamos tentando nos recuperar dos efeitos econômicos da pandemia, retomando as nossas atividades aos poucos, se corrermos o risco de atrair turistas com novas variantes do coronavírus, agora, vindos de todas as partes do mundo, poderemos ser os próximos a enfrentar uma quarta onda.

E se isso vier a acontecer, de quem será a culpa? Do presidente Jair Bolsonaro? Não duvido que a oposição seria capaz de fazer algum malabarismo retórico para colocar nas costas do presidente a responsabilidade por um novo surto em pleno ano eleitoral. O objetivo de atacar o governo com novas narrativas, durante a campanha de 2022, ganharia fôlego com um novo cenário de caos.

Finalizo, dizendo que ser contra a realização do Carnaval em 2022, não é ser contra os milhares de trabalhadores que dependem de eventos desse tipo para sustentar as suas famílias. É justamente por entender essa necessidade, mas vendo ela como algo que não existe apenas durante quatro ou cinco dias de fevereiro, e sim o ano inteiro, que defendo essa posição.

Os impactos sanitários, e consequentemente econômicos, que o Carnaval poderá trazer ao Brasil no pós-festa, podem ser muito maiores do que todo o lucro gerado pelo evento em apenas alguns dias do ano. Por isso defendo o seu cancelamento, ao menos nesse ano, pois ele será vital para dizer se vencemos ou não a covid. É questão de prudência e, principalmente, coerência em relação ao luto pelas vítimas da pandemia.