Deputados cometerão “suicídio político” se livrarem Daniel, dizem ministros do STF

A rede CNN Brasil informou a pouco que, em contato com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), eles disseram que os deputados estarão cometendo “suicídio político” se livrarem o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) da prisão, ordenada na última noite pelo ministro Alexandre de Moraes.

“Ministros do Supremo ouvidos pela CNN disseram que, caso a Câmara ‘passe a mão na cabeça’ de Silveira, estará aberto o caminho para ‘o suicídio político’ dos parlamentares”, diz a emissora, destacando que a expectativa entre os magistrados é que o presidente da Câmara, Arthur Lira, reforce o tom condenatório contra o deputado.

Lira, no entanto, ao se manifestar sobre o caso, demonstrou serenidade, deixando claro que cumprirá a Constituição e respeitará a decisão da maioria dos parlamentares.

“Como sempre disse e acredito, a Câmara não deve refletir a vontade ou a posição de um indivíduo, mas do coletivo de seus colegiados, de suas instâncias e de sua vontade soberana, o Plenário”, escreveu Lira após a prisão de Daniel, ainda na terça-feira.

“Nesta hora de grande apreensão, quero tranquilizar a todos e reiterar que irei conduzir o atual episódio com serenidade e consciência de minhas responsabilidades para com a Instituição e a Democracia”, completou o presidente da Câmara.

Intimidação do STF?

Se procedente a informação da CNN Brasil, a declaração dos ministros sobre o suposto “suicídio político” dos parlamentares, caso livrem Daniel Silveira da prisão, soa também como uma intimidação contra os deputados.

Uma vez que os poderes Legislativo e Judiciário são independentes, cabe a cada um deles respeitar suas competências. Uma vez que cabe ao Parlamento decidir se mantém ou não a prisão de Daniel Silveira, dado às suas prerrogativas como deputado, é dever do STF respeitar a decisão, seja ela qual for.

Críticas dessa natureza emitidas por ministros da Corte parecem fugir da esfera técnica do poder Judiciário, entrando na seara política, o que em vez de amenizar os ânimos entre os poderes, apenas exalta ainda mais.

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