Série Round 6: conselhos alarmantes de uma psicóloga aos pais

Sempre que um programa na TV ou em plataformas de streaming como a Netflix fazem muito sucesso, a exemplo da nova série Round 6, fico com a pulga atrás da orelha no que diz respeito à qualidade do conteúdo quanto aos potenciais impactos psicológicos na mente do público jovem, especialmente em crianças e adolescentes.

Infelizmente isso acontece por causa da realidade cultural da atual geração, onde alguns temas são explorados negativamente. Sexualidade, violência, saúde mental, abuso de drogas, dinâmica relacional entre pais e filhos, autoestima e inúmeros outros assuntos.

A banalização da violência é um dos problemas mais comuns que encontramos em produções cinematográficas. Bem diferente de filmes de ação, policial ou de suspense onde o crime é retratado da forma que merece, ou seja, sendo condenado, combatido e moralmente repudiado, alguns conteúdos extremamente populares no mundo atual fazem o inverso disso, chegando até a romantizar situações trágicas como o suicídio.

Round 6: conselho aos pais

A série do momento na Netflix é a Round 6. Estreada em 17 de setembro passado, ela já se tornou a mais vista no mundo dentro dessa plataforma. Nela, pessoas com dívidas exorbitantes aceitam participar de uma espécie de jogo de sobrevivência, onde o prêmio são 45,6 bilhões de Wons (a moeda da Coreia do Sul).

O fato é que, nesse jogo, praticamente tudo vale pela sobrevivência, daí vem a exibição da violência extrema. Cenas de assassinato, suicídio, sexo, pederastia, tráfico de drogas, muito do que não presta é explorado e exibido na série Round 6, e aqui chamo atenção para um detalhe sórdido: os desafios dos personagens são baseados em joguinhos infantis.

Ou seja, toda a violência está associada a uma linguagem infantil, que são os jogos. Com isso, crianças e adolescentes são facilmente atraídos para algo aparentemente “inocente”, mas que no final das contas só explora a perversidade, o terror e a zombaria de forma banalizada.

Diante disso, o meu conselho aos pais é claro: não permitam que os seus filhos assistam a série Round 6. Sei que é difícil, em alguns casos, controlar isso com relação aos adolescentes. Nesses casos, recomendo que antes da proibição, sentem e conversem, mesmo com jovens enquadrados na classificação indicativa, que é de 16 anos.

A conversa quebra barreiras e serve para conscientizar. Mostre que a exposição a cenas de violência extrema, especialmente de forma banalizada, traz prejuízos emocionais e psicológicos a longo prazo. A dessensibilização perante as situações de tragédia humana é um dos principais efeitos desse tipo de conteúdo.

O ser humano dessensibilizado perante o sofrimento do próximo se torna alguém indiferente à dor e um potencial causador dela, visto que enxerga com relativa naturalidade diversos tipos de situações trágicas. É a típica “frieza” que vimos no olhar de alguns jovens com histórico de violência, por exemplo.

Além disso, jovens propensos à violência e à depressão, por exemplo, podem se ver influenciados negativamente por conteúdos desse tipo. Foi o que aconteceu com a série 13 Reasons Why, onde a romantização do suicídio impactou milhares de jovens pelo mundo, causando um aumento considerável de suicídio entre eles, segundo um levantamento feito por universidades e hospitais dos Estados Unidos e o Instituto Nacional de Saúde Mental (INSM) daquele país.

Para crianças, então, séries como Round 6 jamais devem ser exibidas. Muitas vezes os pequenos não dão sinais do impacto emocional negativo que esse tipo de conteúdo causa sobre eles de forma imediata, vindo a aparecer os efeitos apenas anos mais tarde, na forma de desvios de comportamento e sociabilidade.

Proibir Round 6 é a solução?

O diálogo, a conscientização, é sempre o primeiro passo. Os filhos precisam entender que a decisão dos pais é para o bem deles, mesmo que não concordem no momento. O mais importante aqui é você, pai ou mãe, fazer a sua parte.

Havendo o diálogo, se não houver obediência por parte dos filhos a proibição é sim o segundo passo. Você pode retirar o uso do celular, ou utilizar senhas/aplicativos específicos para bloquear o acesso a determinados sites, navegadores e à própria Netflix. O mesmo vale para computador e TV.

Em todo caso, a supervisão pessoal, o acompanhamento e a intimidade entre pais e filhos são indispensáveis e os métodos mais seguros de garantir a proteção emocional e psicológica dos filhos. Por fim, lembre-se: tudo o que você faz hoje por seus filhos vai produzir frutos amanhã, e eles podem ser bons ou ruins. A responsabilidade está em suas mãos.