O que chamam de “gabinete do ódio” é a liberdade de um povo que luta pelo Brasil

O Brasil vive dias ameaçadores! A crítica nunca foi tão criminalizada na história recente como está sendo agora, e isso de forma escandalosa, pois conta com o apoio daqueles que deveriam ser os guardiões da Constituição Brasileira, os ministros do Supremo Tribunal Federal.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes na última quarta-feira (27), com base no chamado “Inquérito das Fake News”, ao ordenar busca e apreensão em 29 endereços de pessoas ligadas à base de apoio do governo, escancarou para o país uma situação de clara ameaça ao Estado Democrático de Direito, e isso por questões alheias ao mérito constitucional.

Como fundamento dessa escalada de perseguição política e ideológica está o chamado “gabinete do ódio”, uma invenção pífia criada pelos críticos e ex-aliados do próprio governo com o objetivo de ofuscar a verdadeira origem do apoio oferecido ao Planalto: a população!

“Gabinete do ódio” e “fake news” são nada mais do que mecanismos fabricados com o intuito de legitimar a perseguição contra adversários políticos. A materialização desse propósito observamos, por exemplo, na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e em decisões como a de Alexandre de Moraes.

Quem julga o que é falso?

Recentemente o Opinião Crítica publicou uma matéria denunciando fake news de grandes mídias do país no tocante ao número de mortos por Covid-19. O título: “Saiba a verdade: mortos por Covid-19 foram 311 em três dias, e não 1.188 em 24h

No texto verá que manchetes do UOL, do Valor e da Veja erraram absurdamente quanto ao real número de mortes diárias. Informamos o erro, mas como não temos o poder de estampar um redondo “fake news” nas principais capas eletrônicas do país, certamente o erro continuará sendo visto como verdade.

Isso comprova que o “X” da problemática quando se fala em “fake news” está em quem julga o que é ou não falso, e não necessariamente em quem produz o conteúdo.

Mídias pequenas e médias, como o Opinião Crítica e milhares de outras, são os grandes alvos da perseguição, não por produzirem conteúdos falsos, de fato, mas por não terem o poder de refutar os seus acusadores da mesma forma que eles têm de nos acusar.

O resultado disso é a ditadura da opinião! O que determinado grupo de mídia definir como “falso”, assim será, ainda que os fatos relativos à notícia possuam margem para múltiplas interpretações. Na prática, a interpretação a prevalecer será sempre a dos mais forte$$$.

O que é “ódio”?

O outro grande “X” da perseguição político-ideológica está na subjetividade das definições, ou melhor… na falta delas! O tal “gabinete do ódio” é um exemplo disso. A subjetivação dos sentimentos é o estágio último do autoritarismo, pois se o Estado criminaliza essa forma de expressão, estará controlando consequentemente todo o discurso.

Em outras palavras, se o cidadão não pode se sentir livre para criticar, expressando toda a sua raiva diante do que discorda e lhe ofende, ele já não é livre para dizer o que pensa em nenhuma circunstância. É por isso que falas agressivas contra os ministros do STF estão sendo encaradas como absurdas, pois a intenção é criminalizar, de fato, até mesmo a expressão dos sentimentos.

Um povo real que acordou

A verdade diante de tudo é que há uma manifestação real de pessoas indignadas com tudo o que há de errado no país, e isto começou em junho de 2013, em São Paulo, nos protestos contra o aumento de 0,20 centavos nas passagens de ônibus no estado.

Desde então o país engatou um clima de insatisfação de ordem política, moral e judicial jamais visto em sua história. “O gigante acordou”, essa foi a definição precisa utilizada por muitos. Os atos não pararam e ganharam forma entre 2014 e 2016, resultando no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O que houve entre 2018 e 2019, no entanto, foi uma ruptura entre o velho e o novo sistema. O chamado “centrão”, reconhecendo a sua incapacidade diante da “onda conservadora” que elegeu Jair Bolsonaro à presidência da República, colaborou de forma aparente para a retirada da esquerda do poder.

Uma vez de volta ao jogo político, este mesmo “Centrão” agora se vê acuado diante de uma direita que se “filtrou”, está mais madura, articulada e consciente quanto aos seus verdadeiros adversários e aliados. Sem apoio popular e vendo indicadores positivos na atual administração, o que resta para a oposição? Perseguição, manipulação e censura! 

Neste sentido, tudo é válido como objeto de exploração e controle: pandemia, desemprego e liberdade de expressão são alguns exemplos. O povo, de fato, não é ouvido, mas em vez disso é reprimido, e é daí que partem os protestos, os xingamentos – legítimos – e toda sorte de revolta popular contra o sistema.

O Brasil está se revoltando, e com razão!