Direita promove “Silence Day” nas redes sociais, mas usa a estratégia errada

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Reprodução: Google

Nesta sexta-feira (15) diversos perfis ligados à Direita política aderiram ao que batizaram de “Silence Day”, ou Dia do Silêncio. A intenção é fazer com que isso sirva como uma forma de protesto contra a censura nas redes sociais, após episódios como o banimento das contas do presidente americano, Donald Trump.

Mas a questão é: essa estratégia está correta? Será mesmo que gigantes como o Facebook e o Twitter sentirão a diferença? Esse texto é uma opinião crítica que visa sustentar a tese de que o “Silence Day”, na verdade, é um erro que em vez de ajudar, só fortalece a oposição. A seguir, apresentamos três motivos.

01 – O silêncio da direita é justamente o que a oposição quer

A intenção do Silence Day é boa, mas o método não. Isso porque, promover um dia de silêncio da direita é fazer exatamente o que as grandes mídias sociais querem que ocorra, não um dia, apenas, mas sempre!

A oposição é muito bem articulada e faz parecer para os anunciantes que eles podem sobreviver sem a presença da direita. Que este seria o “melhor” cenário.

O viés ideológico de empresas como o Twitter e Facebook deixa claro, também, que o silêncio da direita/conservadores pode ser um objetivo em comum, visto que boa parte dos seus investidores são progressistas. Logo, promover um dia de silêncio pode servir como amostra grátis disso.

02 – Anunciantes sentem no bolso

Se a ideia é fazer com que os anunciantes percebam a diferença, essa não é a melhor estratégia, pois o número de adesões ao protesto em apenas um dia certamente não servirá de parâmetro estatístico relevante em um quadro mais abrangente.

Além disso, a mera ausência de reações nas redes sociais não indica nada aos anunciantes. A indicação está no tipo de reação ao que eles oferecem. Ou seja, no que você consome. Quer atingir as gigantes sociais? Mostre aos seus anunciantes qual é o tipo de produto que lhe interessa.

Na prática, rejeite produtos dos quais discorda e consuma apenas o que concorda. Isso diz respeito a tudo! Informação, produtos, serviços, música, etc. Fazendo isso, você está mostrando aos anunciantes a sua importância enquanto consumidor de coisas que são de interesse da direita/conservadorismo.

Isso faz com que as gigantes de mídia percebam que lhe boicotando, reduzindo o seu alcance ou banindo a sua conta, estará perdendo investimentos, algo ruim para todos.

03 – Engajamento da direita com a direita

Por fim, se um dia de silêncio não funciona, o que seria mais ideal? A resposta é: engajamento da direita com a direita! O grande “X” da questão nas gigantes sociais está na força que a direita possui dentro delas.

Se por um lado a esquerda é muito bem articulada, e unida, a direita não é! E isso ocorre porque falta mais engajamento, ou seja, apoio mútuo. Em vez de se calar por um dia, que tal você assinar canais de perfis conservadores, por exemplo? Que tal ler e compartilhar matérias que apoiam o conservadorismo, como às do Opinião Crítica?

Ou seja, se em vez de silenciar, a direita se autofortalecer, o resultado será muito melhor, pois assim estaremos aumentando o nosso poder de alcance e mostrando aos gigantes a nossa influência. O problema, portanto, não é curtir, comentar ou compartilhar, mas o que você curte, comenta e compartilha.

Interaja (engaje) com conteúdos da direita, pois assim você estará fortalecendo a mídia/perfis da direita. Essa é a melhor forma de fazer com que as gigantes sociais e os anunciantes percebam a nossa importância, notando que sem “nós” entre eles irão perder muitos investimentos e oportunidades.

A desvalorização de R$ 270 bilhões do Facebook e Twitter esta semana, por exemplo, após o banimento das contas de Donald Trump, é um exemplo disso. Em vez de “silenciar”, os apoiadores do presidente agiram. O que eles fizeram? Iniciaram uma migração em massa para outras redes sociais, o que resultou no boicote das gigantes ao Parler.

O silêncio, como podemos perceber, não diz nada. O tipo de reação que você tem, sim! É disso o que a direita precisa, reação, mas de forma inteligente, articulada e mútua, valorizando o que é comum, se autofortalecendo, a fim de mostrar que sem nós os gigantes se tornam pequenos.

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