Brasil encontra ‘superfungo’ fatal resistente a medicamentos em paciente de Covid-19

Na última segunda-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a possível descoberta do primeiro caso do Candida auris (C. auris), uma espécie de ‘superfungo’ conhecido como o mais temido do mundo.

Segundo o órgão, se trata de “um fungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública” por ser resistente a medicamentos e de difícil detecção, segundo informações da rede BBC.

“A infecção por C. auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal. Em todo o mundo, estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes”, diz a rede.

O caso que está sendo investigado foi detectado em um paciente adulto na UTI de um hospital privado da Bahia, o qual não teve o nome revelado, e o superfungo teria sido encontrado na “amostra de ponta de cateter” do internado que deu entrada por causa da infecção com o Covid-19.

“O que sabemos é que esse fungo foi isolado de um cateter de um paciente que estava internado, mas exatamente, saber se esse é o paciente número 1 ou se efetivamente há mais de um paciente, está sendo investigado ainda”, afirmou o médico infectologista da Diretoria da Vigilância Epidemiológica da Bahia, Antônio Bandeira, segundo o UOL.

O superfungo em outros países

O Candida auris é conhecido desde 2009, quando foi encontrado pela primeira vez em uma paciente do Japão. Desde então ele já foi detectado em países como a Índia, África do Sul, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Israel, Paquistão, Quênia, Kuwait, Reino Unido e Espanha.

Na América Latina, o primeiro surto do superfungo resistente a medicamentos ocorreu na Venezuela entre 2012 e 2013. Como ele tem alta resistência a medicamentos, a principal forma de controle do Candida auris é a limpeza rigorosa dos ambientes hospitalares e isolamento dos casos suspeitos.

A Anvisa, no seu comunicado da segunda-feira, já pediu às unidades de saúde brasileiras que reforcem a limpeza de suas unidades como método de prevenção.

“O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil”, explicou a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL), segundo a BBC.