Alerta aos conservadores: não confunda o Moro da Lava Jato com o Moro político

A entrada de Sérgio Moro e outros ex-integrantes da operação Lava Jato na política divide opiniões, o que não é por acaso, tendo em vista que são campos diferentes de atuação. O primeiro é o judiciário, onde os agentes possuem o dever de se pautar exclusivamente pela legislação brasileira, enquanto o segundo é político, e aqui está a grande preocupação, motivo pelo qual escrevo esse alerta.

Não podemos confundir o Moro da Lava Jato com o Moro da política. O primeiro, exercido pela atuação do implacável juiz anticorrupção em 1ª instância, a maioria dos brasileiros aprendeu a respeitar e admirar. Não devemos negar o que a maior força-tarefa de combate à corrupção do mundo fez de bom pelo Brasil. Esse deve ser um ponto de concordância entre nós.

Ninguém que realmente é contra a corrupção e tem essa preocupação como uma das suas pautas, como eu, seria capaz de negar o grande trabalho prestado por Moro, como juiz, e a equipe da Lava Jato coordenada pelo agora ex-procurador da República, Deltan Dallagnol. Houveram falhas? Sim! Poderia ter sido melhor? Sim também, mas os desafios foram grandes e a contribuição para o país, acredito, foi muito superior a qualquer aspecto negativo.

Mas, a partir do momento em que Moro se lança na política, o cenário muda completamente. Isso também vale para Deltan e qualquer outro nome da Lava Jato que decida seguir o mesmo caminho. Isso porque, na política, existe liberdade de atuação em relação aos próprios valores e interesses. Quem entra nesse mundo não está limitado a uma função específica de caráter jurídico, como é o caso dos juízes e procuradores.

O político, por defender suas próprias pautas, tem liberdade para tratar sobre qualquer assunto, e é aqui onde está o motivo do meu alerta, pois um mandato não é feito de pauta única. Mesmo que não queira tratar sobre temas relacionados, por exemplo, a drogas, por ser parte de um colegiado o político será obrigado a votar e decidir sobre drogas. Isso vale para o presidente da República, tanto quanto para um deputado.

Alguém sabe dizer, com certeza, qual é a posição de Moro sobre a descriminalização das drogas? Do aborto? Da implementação da ideologia de gênero nos currículos escolares? Da sua visão sobre a liberdade de expressão no tocante ao ensino religioso sobre família, sexualidade, agenda LGBT e outros assuntos como a “homofobia” ou “discurso de ódio”? Faço essas mesmas perguntas sobre Deltan Dallagnol.

Pergunto essas coisas de forma sincera, pois se eu mesma soubesse as respostas estaria dizendo. E para mim, creio que para todos os conservadores, esses assuntos são extremamente importantes, tanto quanto o combate à corrupção, talvez até mais, porque a moralidade precede os atos de ilegalidades.

Ou seja, quem é pautado pela defesa de princípios e valores, antes de tudo, tende a ser uma barreira natural contra qualquer tipo de corrupção. E nesse quesito não há um conjunto de valores mais sólido do que o herdado da cultura judaico-cristã. Não é por acaso que a legislação do mundo ocidental foi inspirada nos ensinos da Bíblia Sagrada, sendo referência para o mundo inteiro.

Durante a pandemia, Moro deu claros indícios de ser uma pessoa omissa em relação à defesa de direitos básicos fundamentais, como o da liberdade de expressão, comunicação e até locomoção. Quantas vezes o ex-juiz se manifestou em defesa do cidadão vítima da tirania de governadores e prefeitos? Cidadãos que foram presos, tiveram comércios fechados, foram humilhados e até agredidos nas ruas por agentes de segurança.

Não me lembro de ter visto Moro falar qualquer “ai” em defesa dessas pessoas, assim como não lembro do ex-juiz fazendo qualquer crítica aos ministros do STF por decisões que consideramos abusivas, como já fez, por exemplo, a deputada Janaína Paschoal mais de uma vez.

Portanto, tudo nos leva a crer que o Moro da política não tem nada a ver com o Moro juiz da Lava Jato. São figuras diferentes em termos de atuação, onde a segunda parece estar muito mais alinhada com o progressismo e o “politicamente correto”. Seria ele uma espécie de FHC do século XXI, polido na fala, no trato e trânsito com o público, mas ideologicamente enviesado pelos valores da esquerda.

Não precisamos, em nome do combate à corrupção, sacrificar as pautas conservadoras por causa de um nome. Bolsonaro foi e continua sendo, para mim, a pessoa que reúne o maior número de motivos para ter o nosso apoio. A luta contra a corrupção continua, assim como a defesa das pautas morais. Temos um norte e uma certeza, e isso é o que mais importa neste momento.