Pastor orando para gay morrer

“Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Soberano, não tenho prazer algum na morte dos perversos. Antes, meu desejo é que se afastem de seus maus caminhos, para que vivam. Arrependam-se! Afastem-se de sua maldade!” (Ezequiel 33:11)

“Vocês não sabem que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não se enganem: aqueles que se envolvem em imoralidade sexual, adoram ídolos, cometem adultério, se entregam a práticas homossexuais, são ladrões, avarentos, bêbados, insultam as pessoas ou exploram os outros não herdarão o reino de Deus”. (1 Coríntios 6:9,10)

“Estamos certos de que ele nos ouve sempre que lhe pedimos algo conforme sua vontade.” (1 João 5:14)

Vou tentar resumir teologicamente: Deus não se alegra na morte de pecadores, antes seu desejo é que se afastem de seus maus caminhos. Aqueles que vivem no pecado já estão condenados, tanto faz se vai morrer de covid-19 aos 42 anos ou de morte natural os 80 anos.

Na série Cosmos, de Carl Sagan (Ateu), o astrofísico e agnóstico Neil de Grasse Tyson, (também ateu…) ao falar sobre o tempo disse: “O que é uma vida humana de 80 anos perto da eternidade?” Quando e como vai morrer é insignificante diante da eternidade. Nenhum cristão precisa desejar a morte de qualquer pecador. E orar por isso é algo que não tem efeito.

Se Deus só atende oração de acordo com a sua vontade, essa é uma oração de tolo. Pecadores não precisam ficar com medo, ninguém vai morrer por oração. Deus não atende esse tipo de oração. Teologicamente não constitui ameaça a vida de ninguém.

Bem, todo ateu é ateu até o avião começar a cair. Esse negocio de gente que debocha do cristianismo e na hora da doença e risco de morte vem pedir oração é comum. Cabe ao cristão apenas orar pela cura. Então, e o pastor que desejou a morte do comediante gay, que demonstrou deboche para com o cristianismo? Orar pela morte do pecador, constituiu ameaça à integridade física?

Desejar a morte de alguém é um sentimento humano. Muitos estão desejando a morte do presidente da República e ninguém sendo processado por isso. Qual é o limite do desejo, tolerado pelo fato consumado? Até agora só uma pessoa de fato tentou matar o presidente, isso foi em 06/09/2018. Em janeiro de 2021 o colunista da Revista Veja Ricardo Noblat insinuou desejar a morte do presidente. E ele teve a liberdade de expressão respeitada. Concordo com o que o pastor falou? Não, foi um erro.

Deve ser processado como quer os movimentos LGBTS? Que consideraram como “ato criminoso de violência, praticado por este líder religioso…”? Qual foi o ato criminoso? Macumba, mata? Reza brava, mata? Oração gospel, mata? Qual foi a real ameaça à integridade física da vítima em função dessa oração? Se vier a morrer agora, o atestado de óbito vai informar que foi por Covid-19 com agravante por oração pedindo a morte?

Não vou entrar no mérito teológico, vou entrar no mérito filosófico e jurídico. O Estado e o sistema judiciário são laicos? Eu não concordo com curso de teologia homologado pelo MEC, porque no meu ponto de vista o Estado por ser laico, não pode homologar um curso de teologia que se refere ao mundo espiritual, fora da jurisdição de um Estado Laico…

O sistema judiciário, assim como o Estado, por serem laicos, não podem condenar uma pessoa por ter feito uma oração desejando a morte de outra pessoa, simplesmente por uma de incoerência. O materialismo dialético impede o sistema judiciário do Estado laico reconhecer que uma oração pedindo a Deus para uma pessoa morrer tenha, de fato, o poder de real ameaça à integridade física de alguém.

É como no filme “Deus não está morto”, onde o aluno cristão dá um xeque-mate no professor ateu. ”Como você pode odiar a Deus, se Deus não existe?”. Se o Estado e o sistema judiciário são laicos, como podem mensurar o poder de uma oração pedindo a Deus para alguém morrer?

Se o sistema judiciário, do Estado laico, condenar o pastor pelo crime de orar pedindo a Deus para matar um debochador do cristianismo [exemplo aqui] o Estado vai ter que deixar de ser laico… aceitar que Deus existe… e que uma pessoa tem o poder de simplesmente ao abrir a boca e verbalizar um pedido, fazer de Deus um servo que vai cumprir o desejo dessa pessoa.

Lamento profundamente o que o pastor disse. O correto seria: ”Estamos orando pela cura e conversão deste humorista, apesar de todo o comportamento cristofóbico que ele já demonstrou”. Imagina se um camarada desse após passar pelo vale da sombra da morte, refletir sobre a sua vida e se converter? A vitória da Igreja está na conversão e salvação dele, não na sua morte.

Agora toda essa exploração midiática, e o pior, o acionamento do sistema judiciário brasileiro, é uma perda de tempo que não vai mudar nada. Se for para processar quem deseja a morte de algum desafeto, não vai ter prisão o suficiente para prender condenados pelo “crime” de desejar a morte.

Daqui a pouco essa palhaçada vai chegar no STF, que por falta do que fazer de mais importante, vai decidir se é crime desejar a morte de desafetos. Quem deseja a morte do presidente é bom ir colocando às barbas de molho…

*O texto acima é de total responsabilidade do seu autor e não representa, necessariamente, o entendimento do Opinião Crítica.