Desde que o senador e filho do presidente da República, Flávio Bolsonaro, votou a favor da “Lei do Abuso de Autoridade”, um clima estranho tomou conta do seu entorno, causando desconfiança até mesmo entre os aliados do governo, já que o referido Projeto de Lei ameaça de forma contundente a operação Lava Jato e ao combate à corrupção no país.

Para se ter uma ideia, até mesmo figurinhas marcadas no âmbito da investigação judicial, associadas à escândalos de corrupção, como o senador Renan Calheiros, saiu em defesa de Flávio Bolsonaro ao elogiar o seu voto mais recente na Câmara dos Deputados na quarta-feira (14), confirmando o apoio ao Projeto de Lei:

Calheiros colocou o ex-presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) juntos como possíveis beneficiados pela nova lei. “Com a lei de abuso de autoridade não haverá mais usurpação de competências das Cortes superiores pela 1ª instância, como ocorreu com Lula e até com Flávio Bolsonaro”, escreveu o senador, segundo o BR18.

Flávio Bolsonaro foi envolvido de forma midiática na investigação do caso Queroz. O Ministério Público do Rio de Janeiro apura a suposta arrecadação ilícita de parte do salário de servidores, segundo os promotores, que teria sido operada pelo ex-assessor de Flávio, neste caso, o Fabrício Queiroz, segundo O Dia.

Mesmo que não tenha qualquer “culpa no cartório” [a justiça dirá], ao apoiar a Lei do Abuso de Autoridade, Flávio Bolsonaro se coloca no mesmo barco das dezenas de políticos do nível de Renan Calheiros, que respondem a inúmeros processos por suspeitas de corrupção e tem, exatamente por isso, o interesse de aprovar medidas que dificultam o avanço dessas investigações.

Isto posto, o voto de Flávio vai muito além de um erro técnico, visto que o seu pai, Bolsonaro, tem como ministro da Justiça o ex-juiz Sérgio Moro, que desaprova a Lei do Abuso de Autoridade. O seu erro é antes de tudo moral. Resta saber no que ele vai resultar.