O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, concedeu uma entrevista para a revista americana Times, considerada uma das maiores do mundo, onde fez declarações acerca da sua renúncia e conflitos envolvendo o governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Não era minha intenção prejudicar o governo”, disse ele. “Mas eu não me sentiria confortável com minha consciência sem explicar por que estava saindo”, destacou Moro ao comentar sobre as suas acusações contra o presidente.

Moro rebateu às críticas que vem recebendo após sair do governo, argumentando que não se tratou de ato político. Ele comparou o momento atual com o passado, quando atuou na operação Lava Jato.

“Eu tenho uma consciência absolutamente clara sobre o que fiz durante a Lava Jato. Há uma tentativa de caracterizar tudo como perseguição política; para me considerar um carrasco”, disse ele.

Moro disse que tenta não levar em consideração rótulos que lhe são atribuídos atualmente e ignora questões de lealdade pessoal ao presidente. “Eu não entrei no governo para servir um mestre. Entrei para servir o país, a lei”, afirmou.

O ex-ministro se mostrou confiante nas instituições do país, apesar da situação crítica pelo qual atravessa.

“O Brasil é uma democracia firme. Suas instituições às vezes sofrem alguns ataques, mas estão funcionando. E há uma percepção crescente na opinião pública de que precisamos fortalecer os pilares da nossa democracia, incluindo o Estado de Direito. Esses desejos continuam, apesar das circunstâncias do momento”, disse ele.