Bia Kicis defende o voto impresso porque “fraude pode haver em qualquer sistema”

A deputada Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e autora de um Projeto de Emenda Constitucional que institui o voto impresso no Brasil, falou sobre como o país pode aumentar a segurança do sistema eleitoral através da sua proposta, uma vez que, segundo ela, “fraude pode haver em qualquer sistema”.

Questionada como poderia garantir que as urnas eletrônicas não foram fraudadas, Kicis disse que essa não é a questão central. Em outras palavras, que não é preciso provar ou não se já houve fraude, mas sim garantir que daqui em diante o sistema se torne mais seguro e transparente.

“Eu não gostaria de entrar na questão da fraude. Prefiro tratar da questão da transparência eleitoral, porque fraude pode haver em qualquer sistema, seja voto no papelzinho, seja voto pela urna eletrônica, no celular, no computador, sempre vai haver fraude”, disse a deputada durante entrevista para o Correio Braziliense.

A deputada argumentou que os sistemas de seguranças, a exemplo dos bancários, vivem em atualização, justamente para evitar brechas, mesmo sem ocorrências prévias, mas pensando em possibilidades futuras como forma de precaução.

“O fraudador sai na frente e depois, seja a polícia, seja o fiscal, sempre sai correndo atrás para tentar resolver. O sistema bancário tem um bilhão de prejuízos, no entanto, eles vivem reformulando o sistema que eles têm. É a seguradora que banca os prejuízos. Nós, eleitores, não temos nenhum seguro no caso de fraude nas urnas”, disse ela.

Com isso, Kicis explicou que a intenção não é abandonar às urnas eletrônicas, mas apenas adicionar um mecanismo a mais de conferência e auditoria. Ela explicou como funcionará o sistema, caso seja adotado ainda este ano pelo Parlamento Brasileiro:

“O que a gente pretende? A urna eletrônica com uma impressora ao lado, protegida por um visor. O eleitor não tem acesso a esse papel, o único acesso que ele tem é o visual. Antes de confirmar o voto, o eleitor que digitou o número do candidato pede para imprimir. É impresso aquele voto, ele olha, ele confere para ver se aquele voto é um espelho do que está na tela. Se for igual, ele dá o ok. Só então ele vai confirmar, porque terá havido uma conferência pelo eleitor, que é a pessoa mais importante nessa hora”, disse ela.