Dissonância cognitiva: por que os institutos de pesquisa divergem das ruas?

Conforme nos aproximamos das eleições em 2022, o número de pesquisas de intenção de votos também cresce. Mas, longe do que poderíamos esperar, o que os resultados dessas pesquisas trazem é muitas vezes tão discrepante em relação ao vemos nas ruas que isso nos provoca uma espécie de “dissonância cognitiva”.

A dissonância cognitiva, conceito desenvolvido pelo psicólogo americano Leon Festinger em 1957, pode ocorrer quando nos sentimos confusos em relação a algo que parece contraditório e não fazer sentido para nós. É como dizer que ônibus brancos também são pretos, quando na realidade são apenas brancos, e não brancos e pretos ou apenas pretos.

Quando trazemos isso para o campo da política, não podemos nos esquecer que muita coisa diz respeito ao puro jogo de marketing eleitoral. É aqui onde devemos nos preocupar, pois a dúvida é: pesquisas de intenção de voto podem ser usadas como ferramentas de propaganda em prol ou contra candidatos específicos, a fim de criar dissonâncias cognitivas na população?

Obviamente, não posso acusar nenhum instituto de se deixar usar dessa forma. Não tenho provas de que o instituto “A” ou “B” já tenha feito ou faça esse tipo de coisa, e sob quais interesses ou financiamentos. Entretanto, podemos nos basear nas últimas eleições, comparando-as aos resultados das pesquisas dos institutos publicados antes do pleito para demonstrar, que, no mínimo, temos motivos suficientes para desconfiar dessa possibilidade, certo?

Quem se lembra das previsões feitas sobre a disputa presidencial dos Estados Unidos entre os candidatos Donald Trump e Hillary Clinton, em 2016? Ou, no nosso caso, da disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, em 2018? Não vou me dar o trabalho de citar os números previstos, pois tenho certeza que o leitor poderá conferir através de uma rápida pesquisa. Basta dizer que praticamente todos os levantamentos previam a vitória justamente dos que perderam.

Agora em 2021 o cenário não é diferente. Temos várias pesquisas apontando a suposta liderança do ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva sobre os demais potenciais candidatos, incluindo o atual presidente Jair Bolsonaro. O problema é que, como nas edições passadas, o que vemos nas ruas diverge radicalmente do que apontam esses institutos.

Enquanto Bolsonaro é recebido por multidões aonde vai, pessoas comuns e não partidários ou coletivos, frequentando quase diariamente ambientes públicos onde encontra grande apoio dos populares, Lula parece evitar se expor nas ruas ao encontro do povo comum, tal como o diabo foge da cruz. Mas é esse homem, o líder petista, que os institutos dizem estar disparado em popularidade.

Você realmente acredita que um político deixaria de exibir a sua popularidade nas ruas, caso ela realmente existisse em seu favor? Você acha que um potencial candidato à Presidência da República preferiria fazer discurso em lugares fechados, com público previamente selecionado, em vez de montar um palco a céu aberto para falar diante de uma multidão? No mundo real, a experiência nos diz que não.

É aqui onde está a provável dissonância cognitiva, e se ela é provocada com a intenção de confundir o eleitor sobre a veracidade das ruas e o levantamento dos institutos, quais são os interesses por trás disso? Criar uma narrativa de marketing capaz de embasar futuramente uma vitória fraudulenta do líder petista? “Mas as pesquisas já diziam…”, é isso? Não sei, não posso provar. São apenas dúvidas sinceras de uma cidadã, se é que ainda podemos duvidar e questionar nesse país.