Ela ocupa a pauta diária dos principais telejornais do país. O brasileiro acorda com a Covid-19, toma café da manhã, almoça e janta com ela.

A pandemia do novo coronavírus, como já disse em sua coluna para o Opinião Crítica a psicóloga e escritora Marisa Lobo, se transformou em um “show televisivo”, indo muito além de uma emergência de saúde.

O clima de guerra imposto por grande parte dos noticiários é visível, por exemplo, quando reportam diariamente os números de mortos e infectados pela Covid-19, fazendo parecer que estamos diante de uma batalha que põe em risco a existência da humanidade.

Ora, antes de mais nada, essa crítica não é “negacionista”. A Covid-19 existe e vivenciamos, sim, uma pandemia. O coronavírus não é só uma “gripezinha”, o seu poder de letalidade é maior do que a gripe suína (H1N1), por exemplo, mas o que estamos enfrentando vai muito além do vírus.

Enfrentamos também o oportunismo de políticos que usam a Covid-19 para explorar o medo da população e sugar recursos públicos, a fim de promover a própria imagem em um cenário de “caos”.

Enfrentamos uma grande parcela da mídia comprometida com o lema do “quanto pior, melhor”, a fim de atender aos interesses de quem tem por objetivo ver o fracasso do atual governo e por isso usa a pandemia como instrumento de ataque. 

Enfrentamos, pasmem, um tipo de oposição política que faz oposição até contra um medicamento, a cloroquina, que pode ser a esperança de vida de milhares antes que cheguem ao estado grave da Covid-19.

Covid-19 à brasileira

Por tudo isso, percebe-se que em um país como o Brasil, onde a corrupção sistêmica por décadas dominou a sua identidade política, ditando os rumos da nação aos abraços e contratos frios com os detentores de uma mídia, até então, monopolizada, o maior problema definitivamente não é a Covid-19, mas a falta de união em prol de um país melhor.

Cidadãos comuns sendo privados de passear, se exercitar, ir ao mar ou simplesmente comprar um pão na padaria, isoladamente, sem aglomerações, nada disso tem a ver com promoção da saúde.

Prisões seletivas de cidadãos em espaço público visam promover o “Covid-News” matinal. O mesmo não ocorre nas principais comunidades pobres do país, onde dezenas, centenas e milhares de pessoas se aglomeram todos os dias porque precisam trabalhar para comer.

O show pandêmico da Covid-19 precisa ser alimentado, e enquanto assim durar, o número de mortos por inúmeras outras causas serão omitidos, assim como a dura realidade de um possível colapso econômico que virá pela frente. Tudo em nome da saúde? Tire suas próprias conclusões.