Com decisão contra o PCO, Moraes pode ter provocado a revolta de um vespeiro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), resolveu incluir o Partido da Causa Operária (PCO) no inquérito das fake news, também chamado pelo ex-ministro Marco Aurélio Mello de “inquérito do fim do mundo”. Além disso, também determinou o bloqueio de todos os perfis da legenda nas redes sociais.

A decisão de Moraes é fruto das críticas que o PCO, um partido de extrema-esquerda, vem fazendo a ele e ao STF. Na quarta-feira, por exemplo, a sigla pediu a “dissolução” do Supremo, chamando o magistrado de “skinhead de toga”.

O que Moraes pode não ter se dado conta em relação à dimensão da sua decisão, é que o PCO não é uma pessoa, mas sim um partido, o que significa ser uma entidade jurídica de natureza política, devidamente legalizada e apta para disputar às eleições este ano.

Bloquear a conta de uma pessoa é uma coisa, e isto ele fez com vários apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Mas, as contas de um partido político é algo ainda mais grave e bem diferente, uma vez que este carrega uma causa político-ideológica que representa todos os simpatizantes e filiados da legenda.

Como se não bastasse, estamos falando aqui, caros leitores, de um partido da extrema-esquerda que não teve receio algum de manifestar apoio ao grupo terrorista Talibã, no ano passado, quanto este voltou ao poder em Cabul, no Afeganistão. O que isto significa, na prática?

Significa que o PCO, muito provavelmente não vai se deixar intimidar, nem recuar, em suas acusações contra Moraes e o STF, uma vez que a essência desse partido é o extremismo ideológico. O que poderá acontecer, agora, é que tudo o que eles vinham pedindo por meio das redes sociais, vá parar nas ruas!

Se o PCO resolver colocar a militância nas ruas, a fim de defender a liberdade do partido, aí sim Moraes e os demais ministros do STF saberão o que são atos antidemocráticos, de fato, pois no entendimento da extrema-esquerda, os fins justificam os meios.

Na prática, significa que tudo o que já vimos nos protestos da esquerda, pelas ruas, onde costuma haver quebra-quebra, pneus queimados, depredação e ataque aos agendes de segurança, poderá ocorrer bem na frente do STF, em Brasília, na casa dos ministros ou no Congresso Nacional.

O partido, por sinal, já vem dando estes sinais. Logo após a notícia do bloqueio das redes sociais, o presidente da sigla, Rui Costa Pimenta, e o perfil do PCO voltaram a pedir a dissolução do STF, reiterando suas críticas a Moraes:

“Alexandre de Moraes, o skinhead de toga, acaba de decretar o bloqueio de todas as contas do PCO após a crítica ao autoritarismo do STF. Está escancarada a ditadura dos 11 ministros que não receberam um único voto. Pela dissolução imediata do STF!”, postou a legenda instantes atrás.

Em outra publicação, o PCO comentou em tom de desdém do pedido de bloqueio nas redes sociais, indicando que o partido irá continuar atuando por meio do seu jornal impresso, tido como o mais antigo do país declaradamente esquerdista:

“Juízes e tribunais golpistas buscam impor a censura nas redes, mas nem toda a imprensa é online. O PCO tem o jornal impresso mais antigo da esquerda, ainda em circulação, com 43 anos de publicação! Leia e assine o Jornal Causa Operária!”, postou a legenda.

Portanto, diante destas possibilidades, se a intenção do ministro Moraes foi coibir os ataques contra ele e o STF, a sua decisão poderá causar um efeito totalmente contrário, tal como quem visa neutralizar a ameaça de uma casa de vespas, mas acaba despertando a revolta do enxame inteiro.