Barroso vai “debater” sobre política e juventude com… Felipe Neto

Houve uma época em que nas principais academias (universidades) do mundo, quando se falava em “debate”, sabia-se que isto era sinônimo de confronto de ideias, por vezes muito acirrados. Até hoje essa cultura existe, porém, de forma cada vez mais rara.

Na próxima quinta-feira (30), segundo a Folha, haverá uma live com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e o youtuber Felipe Neto. A ideia? Debater sobre política e juventude! Mas, alguém realmente acredita que haverá um confronto de ideias?

Não se sabe ao certo o motivo pelo qual um ministro do STF se propõe a “debater” com Felipe Neto, uma figura que não enriqueceu por sua contribuição de ideias políticas para a juventude, mas por conteúdos que passam longe disso.

Apenas nos últimos anos, já no mundo da fama virtual, Felipe Neto resolveu dar pitacos sobre política e outras questões de ordem social, inclusive teologia, o que lhe rendeu uma condenação judicial, após difamar o pastor Silas Malafaia.

O gabarito teórico do youtuber sobre questões de natureza política, portanto, não parece estar entre os mais dignos para um… “debate”, mas ainda assim a sua investida no mundo do achismo ligado à esquerda parece estar sendo suficiente para lhe garantir os holofotes da mídia tradicional, a qual dispensa comentários quando o assunto é a valorização da idiotização coletiva.

Debate, de fato, teríamos a expectativa de que realmente existiria se Barroso se propusesse a conversar com Caio Copolla, o jovem comentarista político da CNN Brasil que já “derrubou” três adversários no quadro “O Grande Debate”. Isso não lhe pareceria mais coerente?

Em se tratando de opinião crítica, no entanto, esta mesma que o leitor consome neste artigo, cogitamos que não será surpresa se os iluminados Barroso e Neto “debaterem” sobre o tal “discurso de ódio” na política chegando ao denominador comum do combate às supostas “fake news”.

A mesma narrativa de “fake news” que tem sido, na verdade, utilizada como instrumento de censura ao contraditório, criminalização da opinião e perseguição ideológica contra adversários políticos e morais. Obviamente, só ignorantes concordam com essa aberração.

A retórica é previsível, tal como a inexistência de um verdadeiro debate, mas sim a fomentação de pauta única, ideologicamente enviesada e muito distante dos reais anseios da política e da juventude. Fichas marcadas para um jogo de faz de contas.

Opinamos errado? Aguarde e verá, ou, que eles provem o contrário.