Joice Hasselmann

Joice Hasselmann usa verba pública de gabinete para guerra digital, diz jornal

"A empresa não tem nada a ver com esse tipo de conteúdo", se defende a deputada

24/10/2019 16h24
Por: Opinião Crítica
"A empresa não tem nada a ver com esse tipo de conteúdo", se defende a deputada. Reprodução: Google

Ex-líder do governo no Congresso, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) utiliza dinheiro de sua cota parlamentar para pagar uma empresa que gerencia suas redes sociais, usadas como armas na guerra digital contra os seus adversários.

Segundo informações do jornal Diário de Pernambuco, a EG Consult, sediada no Rio de Janeiro, recebe R$ 2.500 mensais da verba pública para, entre outras tarefas, administrar um grupo de Whats-App em que a deputada rebate acusações de traição.

Joice se tornou alvo de críticas depois que não apoiou com sua assinatura uma lista criada por deputados do PSL para transferir a liderança do partido na Câmara para o deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo o governo, o cargo é vital, pois é o líder quem orienta a posição da sigla durante votações de interesse do Planalto, algo que vinha tendo dificuldades devido à divergências com o ex-líder, Delegado Waldir (PSL-GO), apoiado por Joice.

A proprietária da EG Consult, Elisa Gomes de Oliveira de Morais, é administradora e criadora do grupo de WhatsApp "Joice, eu apoio!", parte da estrutura de comunicação da deputada. Mensagens enviadas para o grupo são respondidas de forma automática com a assinatura "Atendimento JH".

Esse serviço não aparece discriminado nas notas fiscais emitidas até o mês passado pela EG Consult para receber o dinheiro da cota da deputada, diz a matéria do DP. As notas citam "geração de materiais de ordem gráfica e multimídia, gerenciamento, atendimento e suporte aos usuários das plataformas de comunicação utilizadas pela deputada federal", e mencionam Facebook, Instagram, YouTube e Twitter.

Qual é o objetivo da cota parlamentar?

A cota parlamentar é uma verba da Câmara criada para custear despesas do mandato. Entre os gastos previstos está "divulgação da atividade parlamentar", segundo ato da Mesa Diretora da Câmara de 2009, que regulamentou o uso dos recursos.

No entanto, o conteúdo das redes sociais de Joice não tratam apenas de informações sobre a sua atividade parlamentar, mas servem também como veículo de ataque aos críticos. O mesmo ocorre com o grupo de WhatsApp gerenciado por Morais.

Nos dias seguintes à destituição de Joice do cargo de líder do governo, a administradora postou: "Joice nunca traiu o governo. Isso é discurso de quem é membro do Gabinete do Ódio".

Em outra publicação, a administradora também postou um banner com texto em que Joice diz: "Os filhos dele [Bolsonaro] estão induzindo ele ao erro constante e enterrando o governo. Vou proteger o presidente até mesmo dos próprios filhos. Sigo lutando pelo Brasil".

Versão de Joice Hasselmann 

Em nota, Joice Hasselmann explicou que a empresa contratada por ela é legal e visa dar conta da comunicação da sua atividade parlamentar.

"São milhões de seguidores e cidadãos que precisam ser atendidos, de modo que eu, sozinha, infelizmente não tenho condições de atender a todos", afirmou a deputada, destacando que o conteúdo em resposta aos críticos é da sua autoria e não da empresa contratada.

"Se eu for atacada, irei rebater. A empresa não tem nada a ver com esse tipo de conteúdo", declarou. "Estamos falando de uma empresa regulamentada que presta serviços, que tem CNPJ, que emite notas fiscais. [...] A milícia digital atua por baixo dos panos, são perfis fakes que fingem não estar vinculados a determinadas pessoas e que espalham discurso de ódio", afirma.

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