Lava Jato

"Não vou pedir desculpas por ter cumprido o meu dever", diz Sérgio Moro sobre mensagens

O ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro, comentou divulgação de mensagens, alegando que não houve qualquer ilegalidade

14/06/2019 11h32
Por: Opinião Crítica
Sérgio Moro comenta divulgação de mensagens ilegais
Sérgio Moro comenta divulgação de mensagens ilegais

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, concedeu uma entrevista ao Estadão para comentar sobre a divulgação criminosa de mensagens trocadas entre ele e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. Moro rechaçou qualquer possibilidade de afastamento do cargo e fez um desafio à imprensa: "Publiquem tudo que quiserem"

"Fui vítima de um ataque criminoso de hackers. Clonaram meu telefone, tentaram obter dados do meu aparelho celular, de aplicativos. Até onde tenho conhecimento, não foram obtidos dados. Mas os procuradores foram vítimas de hackers e agora está havendo essa divulgação indevida", declarou Sérgio Moro, explicando que a comunicação com procuradores e advogados, enquanto atuava como juiz, era algo normal.

"Estou absolutamente tranquilo em relação à natureza das minhas comunicações. No fundo, esse processo da Lava Jato é um processo muito complicado. É uma dinâmica dentro da 13.ª Vara Federal (em Curitiba), o dia inteiro proferindo decisão urgente. E a gente recebia procurador, advogado, a gente falava com advogado, falava com todo mundo. E, eventualmente, utilizava aplicativos de mensagem para tratar isso de maneira dinâmica maior. Mas, quanto à natureza das minhas comunicações, estou absolutamente tranquilo", afirmou.

Sérgio Moro: "É normal trocar informação, dentro da licitude"

Questionado sobre a demanda que recebia dos advogados, Sérgio Moro explicou que isso ocorria "o tempo todo", acarretando em uma troca de mensagens normal entre os integrantes da Lava Jato, mas sempre dentro da legalidade, embora existisse espaço para a informalidade.

"É normal trocar informação, claro, dentro da licitude. Mas, assim, o que tem que se entender é que esses aplicativos de mensagens, eles apenas aceleram a comunicação. Isso do juiz receber procuradores, delegados, conversar com delegado, juiz receber advogados, receber demanda de advogados, acontece o tempo todo", disse ele.

"Às vezes chegava lá o Ministério Público: 'Ah, vou pedir a prisão preventiva do fulano X'. Às vezes, o juiz tem uma análise lá e fala: 'Ó, precisa de prova robusta para pedir a prisão preventiva'. Assim como o advogado chega lá e diz: 'Vou pedir a revogação da prisão preventiva do meu cliente'. Às vezes o juiz fala: 'Olha, o seu cliente está em uma situação difícil, seria interessante demonstrar a correção do comportamento do cliente, afastar essa suspeita'. Essa interlocução é muito comum", destaca o ministro.

"A questão do aplicativo é apenas um meio", diz Moro

O ministro Sérgio Moro também afastou a ideia de que o contato via aplicativos de celulares, como o Telegram, neste caso, seria impróprio, por revelar algo pessoal entre o juiz e os investigadores. Ele sustenta que esse tipo de comunicação é um recurso da modernidade que beneficia a agilidade dos processos, e já bastante comum no meio jurídico.

"Existia às vezes situações de urgência, eventualmente você está ali e faz um comentário de alguma coisa que não tem nada a ver com o processo. Isso não tem nenhum comprometimento das provas, das acusações, do papel separado entre o juiz, o procurador e o advogado", disse Moro, explicando que nessa troca de mensagens é comum haver espaço para a informalidade.

Segundo Moro, "nunca houve conluio" entre ele e os investigadores da Lava Jato. "Tanto assim, que muitas diligências requeridas pelo Ministério Público foram indeferidas, várias prisões preventivas. O pessoal tem aquela impressão de que o juiz Moro era muito rigoroso, mas muitas prisões preventivas foram indeferidas, várias absolvições foram proferidas. Não existe conluio".

"Agora, a dinâmica de um caso dessa dimensão leva a esse debate mais dinâmico, que às vezes pode envolver essa troca de conversas pessoais ou por aplicativos. Mas é só uma forma de acelerar o que vai ser decidido no processo".

Em sua conta oficial no Twitter, Sérgio Moro afirmou que não vai pedir desculpas pelo cumprimento do seu trabalho. O ministro aproveitou para fazer uma crítica indireta ao site responsável pela divulgação ilegal das mensagens entre ele e Dallagnol:

"Entrevista no Estadão com minhas explicações. Para o site aliado a hackers criminosos: 'Publiquem tudo se quiserem'.Agi dentro da legalidade. Não vou pedir desculpas por ter cumprido o meu dever e ter aplicado a lei contra a corrupção e o crime organizado.

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