Governo

Bolsonaro demite o general Santos Cruz, após desgaste interno no governo

O general Santos Cruz foi alvo de conflito entre os filhos do presidente e o escritor Olavo de Carvalho

14/06/2019 09h28
Por: Opinião Crítica
Fonte: Congresso em Foco / Comentário: Will R. Filho
General Santos Cruz é demitido por Bolsonaro
General Santos Cruz é demitido por Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro demitiu do cargo, nesta quinta-feira (13), o general Carlos Alberto Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo. Em uma carta enviada à imprensa, o agora ex-ministro confirmou que sua saída foi uma decisão de Bolsonaro (leia a íntegra ao final da matéria). O substituto de Santos Cruz será outro militar, o general Luiz Eduardo Ramos.

Em nota, Bolsonaro "deixa claro que essa ação não afeta a amizade, a admiração e o respeito mútuo" entre ele e Santos Cruz.

O ministro vinha tendo atritos, desde o início do ano, com figuras influentes no governo, como o escritor Olavo de Carvalho. Também houve desentendimentos entre o ministro e filhos de Bolsonaro.

Segundo uma fonte ouvida pelo Congresso em Foco, a sustentação de Santos Cruz no cargo vinha deteriorando-se desde o caso do vídeo pró-golpe militar de 1964 divulgado em um canal de WhatsApp usado oficialmente pelo Planalto para comunicação com jornalistas.

Após virem à tona o ator que aparecia no vídeo e o empresário que financiou a peça, o ministro assumiu a culpa pela divulgação do filme, afirmando que um funcionário da Secretaria de Comunicação, ligada à pasta dele, fez o envio por engano.

Comentário:

É importante para o governo esclarecer o real motivo da demissão, uma vez que a troca de farpas do general Cruz com o escritor Olavo de Carvalho, envolvendo também os filhos do presidente Bolsonaro, não seria suficiente para tal decisão. Pelo contrário! Se esse tipo de atrito tiver sido a razão da queda de um ministro de Estado, isso apenas mostrará fragilidade na capacidade de articulação interna do governo, o que seria muito ruim para sua imagem.

Por outro lado, se a demissão tiver sido motivada com base nos erros pessoais do general no exercício do seu cargo, ai sim é compreensível e louvável a decisão, visto que mostra eficiência. Mas, ainda assim, isso precisa ficar muito bem esclarecido para evitar um desgaste ainda maior na pasta.

CARTA À IMPRENSA 

Na oportunidade em que deixo a função de ministro da Secretaria de Governo (Segov) da Presidência da República, por decisão do Excelentíssimo Presidente Jair Messias Bolsonaro, expresso minha admiração e agradecimento: 

- A todos os servidores da Segov, pela dedicação, capacidade e amizade com que trabalharam, desejando que continuem com a mesma exemplar eficiência; 

- Aos Excelentíssimos Deputados e Senadores, digníssimos representantes do povo brasileiro, pelo relacionamento profissional respeitoso, desejando sucesso no equacionamento e na solução das necessidades e anseios de todos os brasileiros, com especial destaque para o Excelentíssimo Senador Davi Alcolumbre (presidente do Senado Federal) e Excelentíssimo Deputado Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados); 

- Aos Governadores e Prefeitos que deram a honra de trazer à Segov suas contribuições; 

- À imprensa, de modo geral, pelo profissionalismo que sempre me trataram em todas as oportunidades; 

- Às autoridades do Poder Judiciário, Ministério Público e do Tribunal de Contas da União, pela cortesia no relacionamento e nas oportunidades em que tive a honra de travar contato, desejo que sejam sempre iluminados em suas decisões. 

- Às diversas instituições e organizações civis, empresas, servidores públicos, embaixadores e todos os cidadãos que travaram contato com o governo por meio da Segov; 

- Ao Presidente Bolsonaro e seus familiares, desejo saúde, felicidade e sucesso. 

CARLOS ALBERTO DOS SANTOS CRUZ

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