Lava Jato

Gilmar ataca Moro, chama Dallagnol de bobo e defende anulação da condenação de Lula

Manifestação de Gilmar Mendes chama atenção pelas acusações aos principais nomes da Lava Jato

13/06/2019 16h22Atualizado há 5 dias
Por: Opinião Crítica
Gilmar Mendes ataca Sérgio Moro e Deltan Dallagnol
Gilmar Mendes ataca Sérgio Moro e Deltan Dallagnol

Uma entrevista concedida pelo ministro do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, à revista Época, chamou atenção pelo tom conclusivo das acusações contra dois dos principais nomes da operação Lava Jato, o agora ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o coordenador nacional da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol.

Gilmar Mendes comentou a divulgação de mensagens privadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, sem mencionar qualquer aspecto da ilegalidade da divulgação, mas apenas acusando o ex-juiz de Curitiba de ser o "chefe" da Lava Jato, ao passo que o Dallagnol seria um "bobinho".

Para Gilmar, a gravação mostra que “o chefe da Lava Jato não era ninguém mais, ninguém menos do que Moro. O Dallagnol, está provado, é um bobinho. É um bobinho. Quem operava a Lava Jato era o Moro”, disse ele nesta quinta-feira (13).

Além do ataque gratuito aos colegas de profissão, Gilmar Mendes afirmou que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria prejudicada por conta das gravações. “Eu acho, por exemplo, que, na condenação do Lula, eles anularam a condenação”, disse ele.

Para Gilmar Mendes, Moro e Deltan teriam cometido crime

Partindo de uma análise de recortes, ou seja, apenas de trechos das mensagens - uma vez que o conteúdo completo não foi divulgado - o ministro Gilmar Mendes também afirmou que Sérgio Moro e Dallagnol teriam cometido um crime:

“Um diz que, para levar uma pessoa para depor, eles iriam simular uma denúncia anônima. Aí o Moro diz: ‘Formaliza isso’. Isso é crime”, disse Gilmar, referindo-se a um trecho das mensagens em que Dallagnol escreveu que faria uma intimação oficial com base em notícia apócrifa, diante da negativa de uma fonte do MPF de falar. E Moro respondeu que seria “melhor formalizar”.

“Simular uma denúncia não é só uma falta ética, isso é crime", completou Mendes. Todavia, o contexto integral das menagens não foi divulgado, o que causa estranheza na posição precipitada de Gilmar Mendes ao fazer acusações tão graves e conclusivas contra um ministro de Estado e o coordenador da maior operação anticorrupção já vista no país.

Histórico de críticas de Gilmar Mendes

Não é a primeira vez que Gilmar Mendes se posiciona de forma, digamos... estranha com relação à operação Lava Jato. Em abril ele afirmou que a força-tarefa parecia mais com um "partido político", debochando do coordenador Deltan Dallagnol:

“A Lava Jato nada mais é que um grupo de trabalho. Por um vício comum a nós, virou uma instituição, um partido político. Quase ganharam uma fundação. Eu brinquei com amigos portugueses, perante o [Sergio] Moro em um jantar, que eles estavam constituindo uma Fundação Calouste Gulbenkian. Teriam 100 milhões de euros para brincar de agentes sociais. A brincadeira que o Dallagnol teria para fazer política, quem sabe campanha", disse ele na ocasião.

Também em abril, Gilmar Mendes pediu “destaque” para que um habeas corpus de Lula fosse julgado (novamente) no plenário do STF, após uma decisão monocrática (individual) do ministro Felix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que negou prosseguimento ao recurso do petista naquela corte. O recurso tenta reverter a condenação no caso do tríplex de Guarujá (SP).

 

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