Adélio Bispo

Advogado de Adélio zomba de possível reabertura do caso: "Na próxima encarnação"

"O julgamento do Adélio acabou. Aquilo ali nunca mais", argumenta o seu advogado

02/10/2019 19h44
Por: Opinião Crítica
Fonte: Metrópoles / Comentário: Will R. Filho
"O julgamento do Adélio acabou. Aquilo ali nunca mais", argumenta o seu advogado. Reprodução: Google

O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, responsável pela defesa de Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra o presidente Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora, disse nesta quarta-feira (02/10/2019) que a tentativa de ressuscitar o caso de seu cliente é algo tardio, pois o julgamento de Adélio já transitou em julgado, ou seja, esgotou todas as possibilidades de recurso.

Na semana passada, Bolsonaro designou o advogado Frederik Wassef, que também defende o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no caso das movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, para ser assistente de acusação no caso.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, também disse que pretende buscar a “verdade real” sobre a facada e que “não parece crível” a conclusão da Polícia Federal de que Adélio agiu durante um surto.

“Pena que ele (Wassef) chegou tarde. Já transitou em julgado. O julgamento do Adélio acabou. Aquilo ali nunca mais. Talvez na próxima encarnação”, ironizou Zanone.

Segundo o advogado, existe interesse político do presidente em manter o caso Adélio em evidência. “A participação do novo advogado é absolutamente legítima. A gente já percebeu que é politicamente conveniente que este assunto não morra”, afirmou.

Para Wassef, Adélio é um “assassino profissional” que foi contratado para matar o então candidato a presidente. Nem ele nem Aras apresentaram indícios que justifiquem discordar das conclusões da Polícia Federal.

Comentário:

A linguagem debochada utilizada por Zanone para se referir ao caso não é comum para um advogado diante da seriedade do processo. Além disso, revela profunda desonestidade jurídica diante do fato, pois para dar continuidade às investigações, basta iniciar um novo processo, uma vez que novos elementos sejam apresentados.

Ao tentar politizar a questão, saindo do mérito jurídico do processo, Zanone também deixa transparecer uma visão que vai além da esfera judicial, entrando na crítica política, o que não é bom diante das suspeitas de envolvimento partidário que pairam sobre o seu cliente.

No final das contas, se ficar constatado que o caso Adélio não foi devidamente esclarecido (como realmente não ficou), um novo procedimento poderá ser requerido mediante novos elementos, e dessa vez não só o assassino em potencial poderá ser alvo das investigações, como o próprio Zanone.

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