Amazônia

Oportunista? Maia usa especulação de incêndios na Amazônia visando protagonismo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diz que há uma "calamidade" em curso no Brasil

23/08/2019 19h46
Por: Will R. Filho

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em publicação no Twitter, nesta sexta-feira (23/8), que peticionou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o montante de R$ 2,5 bilhões depositados pela Petrobrás em conta vinculada à Justiça Federal seja destinado à educação e à Amazônia, a fim de combater as queimadas na região Amazônica. 

O pedido de Maia, de certa forma vai de encontro ao desejo do presidente Jair Bolsonaro, que desde maio desse ano já havia manifestado o desejo de destinar a verba integralmente para à educação e ciência. "A multa de R$ 2,5 bilhões da Petrobras está voltando para o Brasil", disse ele na época. "Nós devemos levar esse recurso para o Ministério da Educação (...) se for possível, de levar para o Ministério de Ciência e Tecnologia".

Os recursos foram depositados pela Petrobrás em janeiro deste ano, fruto de resultado de acordo feito com a Justiça norte-americana. A previsão inicial era que o fundo tivesse sua maior parte utilizada para investir em projetos de combate à corrupção e promoção da cidadania. 

Maia, por outro lado, citou o combate aos incêndios como prioridade. "Minha proposta para o combate às queimadas é efetiva. Peticionarmos juntos no Supremo, pedindo os R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras para a educação e também para a Amazônia", afirmou. "Recursos que estão parados e entrariam hoje no caixa do governo e poderiam, inclusive, ir para os estados da região", acrescentou. 

O oportunismo de Rodrigo Maia

O "xilique" diplomático promovido por alguns países da Europa, seguidos pelo presidente francês Emmanuel Macron, foi rapidamente desmoralizado ao vir à tona a verdade sobre às dezenas de imagens compartilhadas pelas celebridades ao redor do mundo, a maioria delas sem qualquer relação com a floresta amazônica.

Outro dado relevante amplamente divulgado pelos aliados do governo e até parte da mídia, foi a constatação da Agência Espacial Norte-americana (NASA) de que os índices de queimadas na Amazônia em 2019, até o momento, estão dentro da média esperada, conforme os anos anteriores. Ou seja: todo alarde sobre a "devastação" da floresta no governo Bolsonaro é puro factoide!

Diante desses fatos, qual deveria ser o papel do presidente da Câmara dos Deputados do Brasil? Compactuar com os factoides que deturpam a imagem do seu país no exterior, ou combatê-los, mostrando a verdade dos fatos?

Como representante do Brasil, Rodrigo Maia deveria se unir ao governo na defesa da sua soberania, evitando polêmicas infundadas, mas o que ele fez foi justamente o contrário: reforçou os factoides chamando de "calamidade" o atual cenário na Amazônia, em oposição ao presidente Bolsonaro. Observe:

"Hoje, depois que o presidente falou dos recursos do fundo eleitoral, eu disse a ele que os recursos são para agosto do próximo ano. Me parece distante para a calamidade que o Brasil vive hoje em relação ao tema do desmatamento", disse Maia, segundo a Exame.(destaque nosso).

Diante da situação na Amazônia, Rodrigo Maia ainda afirmou que o Brasil vive num “quase um Estado autoritário” em todas as áreas, inclusive, na questão ambiental, mais uma vez apresentando um tom de claro confronto ao governo brasileiro. 

Com tais declarações, é difícil não enxergar a necessidade de "visibilidade" do presidente da Câmara, que usa de oportunismo na questão amazônica para aparecer com seus discursos, alinhando-se à oposição nacional e internacional. Para um político, querer protagonismo é praxis, mas quando isso se dá por via da desonestidade, a única coisa que ele consegue é revelar a índole do seu verdadeiro caráter.

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