Dias Toffoli

Ex-advogado do PT, Toffoli comenta a Lava Jato: "Um país não se faz de heróis”

Observações de Dias Toffoli sobre a Lava Jato soam estranhas em um contexto onde a força-tarefa vem sofrendo ataques constantes

15/08/2019 09h59
Por: Will R. Filho
Presidente do STF, Dias Toffoli foi indicado como ministro da Corte pelo ex-presidente Lula, condenado na Lava Jato
Presidente do STF, Dias Toffoli foi indicado como ministro da Corte pelo ex-presidente Lula, condenado na Lava Jato

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antonio Dias Toffoli, esteve na segunda-feira (12) em um evento do Lide (Grupo de Líderes Empresariais) em São Paulo, onde fez críticas ao modo como alguns supostamente estão interpretando a operação Lava Jato, segundo o ministro, como "uma instituição".

“Não se pode permitir na República que algo se aproprie das instituições. (.. ) Temos que dizer isso abertamente. A operação Lava Jato é fruto da institucionalidade, não é uma instituição”, disse Dias Toffoli, defendendo o surgimento da operação como fruto de um esforço conjunto de diferentes poderes.

Com isso, Toffoli afirmou que “um país não se faz de heróis, se faz de projetos”, criticando também a tentativa de criação de um fundo de R$ 2,5 bilhões voltado para a operação, que teria como objetivo ampliar o combate à corrupção com investimentos em diferentes setores da segurança pública, entre eles a capacitação de profissionais e aquisição de novas tecnologias.

Dias Toffoli também criticou a quantidade de processos encaminhados para o Supremo. Para o ministro, isto significa que houve um "fracasso" nas instâncias inferiores. “Tudo vai parar no Judiciário porque tudo está na Constituição. E você tem atores que estão legitimados a procurar o Judiciário", disse ele.

"Eu gostaria de julgar o aborto no STF? Isso não é um problema do Judiciário, mas vai parar lá. Se tudo vai parar no Judiciário, é um fracasso das outras instâncias da sociedade. Temos que resgatar as instâncias”, completou o ministro, segundo o Metrópoles.

A fala de Dias Toffoli sobre a Lava Jato é compreensível, mas no atual contexto judicial do país, também é preocupante. Primeiro, porque os investigados pela operação que ocupam cargos públicos desejam minar os esforços da operação. Críticas que partem dos ministros da mais alta Corte do país, como Gilmar Mendes, que chegou à comparar a Lava Jato a uma "organização criminosa", só reforçam este cenário onde os bandidos investem contra os agentes da Lei.

Em segundo, porque apesar de haver, sim, o reconhecimento da sociedade para com os procuradores da operação, em especial ao ex-juiz Sérgio Moro e ao seu atual coordenador, Deltan Dallagnol, não existe a compreensão de que a operação seja "uma instituição", ou que os próprios agentes sejam intocáveis.

O que existe mesmo é o merecido reconhecimento popular acerca de um trabalho que funciona, colocou criminosos na prisão e continua no encalço do crime organizado. O tratamento da população é nada mais do que uma expressão de orgulho pelo fato de ver no país agentes públicos cumprindo o seu papel com dedicação e afinco, algo raro de se ver no âmbito do combate à corrupção.

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