Eduardo Bolsonaro

Indicação de Eduardo para embaixada não convém, mas pode ser estratégica

O governo Bolsonaro cria margem para críticas, mas pode converter a decisão em benefício se souber jogar na diplomacia

18/07/2019 08h07Atualizado há 1 mês
Por: Will R. Filho

O governo do presidente Jair Messias Bolsonaro pode dar um passo delicado ao indicar para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos o próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. Delicado, não por impedimento técnico, mas pela imagem que passa aos eleitores sobre o uso que faz, do poder, em favor de um parente.

Cercado por inimigos políticos e bombardeado de críticas por todos os lados desde o primeiro dia que cogitou disputar a presidência da República, Jair Bolsonaro vem enfrentando a forte militância opositora que, mesmo sem motivos, lhe critica cegamente. A indicação de Eduardo, seu filho, oferece margem para que tais críticas obtenham algum viés de fundamento, mesmo não havendo qualquer impedimento técnico.

A problemática está mesmo na moralidade pública e não na capacidade de Eduardo Bolsonaro, ou na lei. O filho do presidente se enquadra nos requisitos para o posto de embaixador, mas o simples fato de ser filho do chefe de Estado, sugere ao público o uso do poder em benefício próprio, mesmo que, segundo a lei, o nepotismo não exista.

O bom senso, portanto, diz que tal indicação não seria conveniente, mas não pelas críticas da oposição, que por natureza existem até sem motivo, mas em respeito aos próprios eleitores que certamente se sentiriam mais confortáveis em não ter que digerir esta decisão, uma vez que há outras possibilidades.

Existe uma ressalva

Por outro lado, foi noticiado aqui mesmo no Opinião Crítica que o presidente americano Donald Trump poderá designar para assumir a embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, um dos seus cinco filhos, irmão de Ivanka, assessora influente do pai em âmbito internacional.

Eric Trump viria para o Brasil se o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) for nomeado embaixador em Washington. Assim, este seria um movimento diplomático inédito na história entre os dois países, que como resultado teria o objetivo de fortalecer a relação das duas maiores potências das Américas.

Nessas condições, sim, a indicação de Eduardo Bolsonaro seria positiva, devido ao peso que ela exerceria tendo a vinda de Eric Trump ao Brasil em contrapartida. Vale destacar que não estamos falando apenas de política, mas de negócios. Donald Trump é um dos maiores representantes do empresariado americano (mundial). A estadia do seu filho nas terras tupiniquins, portanto, poderá ser uma porta de entrada para novos investimentos no país.

Se a intenção do prsidente Bolsonaro for consolidar a sua indicação como um passo estratégico, neste sentido diplomático-comercial, pode ser que a decisão obtenha sucesso, mas é algo que sem dúvida também depende do governo americano. Aguardemos.

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