Dallagnol

Dallagnol comemorou o óbvio: uma decisão contra o marketing de bandidos

O procurador de República, Deltan Dallagnol, fez o que se espera de todo agente da Lei em favor do seu país

09/07/2019 19h55Atualizado há 2 semanas
Por: Will R. Filho
O procurador de República, Deltan Dallagnol, fez o que se espera de todo agente da Lei em favor do seu país
O procurador de República, Deltan Dallagnol, fez o que se espera de todo agente da Lei em favor do seu país

A mais nova revelação "bombástica" do site Intercept Brasil contra o coordenador nacional da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, é a divulgação de um áudio em que o procurador aparece comemorando uma decisão proferida no ano passado, onde através de uma liminar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, derrubou a decisão do também ministro Ricardo Lewandowski, que dava ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o direito de conceder entrevista para a imprensa.

Com a decisão, Lula não pôde mais ser entrevistado na prisão, local onde está desde abril de 2018. Na gravação divulgada pelo Intercept, Deltan Dallagnol, supostamente, falou para os colegas da Lava Jato o seguinte:

“Não vamos alardear isso aí, para evitar a divulgação enquanto for possível", disse ele. "Porque, quanto antes divulgar isso, vai ter recurso do outro lado ou vai para plenário. O pessoal pediu para não comentar e evitar recurso de quem tem uma posição contrária a nossa. Mas a notícia é boa, para começar bem o final de semana.”.

Ora essa, vejam só... o que o agente da Lei, responsável pela operação que investigou e apontou os crimes de corrupção do sujeito que agora está preso, deveria fazer ao saber de tal decisão, tomada legalmente por um ministro da mais alta Corte do país? Achar ruim? Chorar de raiva? Criticar o ministro do STF por entender que bandidos, ou seja, pessoas já processadas e devidamente condenadas, não devem usar a imprensa para se autopromover?

A única coisa possível de imaginar nesse caso é que a reação de Dallagnol é absurdamente óbvia. Ele não poderia fazer outra coisa, senão comemorar. É isto o que fazem pessoas interessadas em fazer justiça no Brasil: comemoram decisões judicais que favorecem a sociedade, e não os bandidos.

O que cúmplices do crime organizado e pessoas intelectualmente desonestas fazem, tal como boa parte da mídia, é desejar exatamente o inverso dessa lógica. Isto é, ao invés de desejarem que juízes e procuradores comemorem a aplicação da lei com o devido rigor, não dando vez para que bandidos se aproveitem das mídias para atacar às instituições e fazer marketing pessoal, eles querem mesmo é que os agentes da lei facilitem a vida dos seus corruptos de estimação.

É por isso que para tais pessoas, financiadoras de mídias bancadas por milionários investigados na própria Lava Jato, ver um procurador feliz com uma decisão judicial que faz calar a voz de um corrupto, isso é motivo de escândalo, e não de alegria. O que deveria ser motivo para celebrar a extinção de privilégios para bandidos, virou motivo de ataques aos agentes responsáveis por investigar, processar e condenar os vagabundos que roubam o país.

Por fim, a verdade é que o Intercept Brasil e seus cúmplices deram mais um tiro no pé. Expuseram mais uma vez o caráter de um agente da Lei que ao invés de "ser pego" comemorando decisões favoráveis a bandidos, ele celebrou mesmo o que todo brasileiro sensato e honesto espera que sejam tratados os condenados por corrupção: como bandidos, e não como celebridades.

Escute o áudio abaixo, no canal do Intercept:

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