Bolsonaro

Bolsonaro dá "xeque-mate" em Moraes e revela estratégia certeira ao nomear Rolando

Moraes e seus pares do STF não podem suspender a nomeação de Rolando com base nas mesmas acusações envolvendo Ramagem e Bolsonaro.

04/05/2020 12h45Atualizado há 3 semanas
Por: Will R. Filho
Reprodução: Google
Reprodução: Google

A nomeação feita pelo presidente Jair Bolsonaro do delegado Rolando Alexandre para a diretoria-geral da Polícia Federal foi um tremendo xeque-mate no ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro não apenas demonstrou força e determinação em fazer valer a sua vontade como presidente da República, como terminou colocando os ministros da Suprema Corte em uma posição extremamente delicada.

Sem dúvida Rolando foi indicado por Alexandre Ramagem, que foi suspenso por Moraes após ser nomeado por Bolsonaro, na semana passada, após acatar um pedido do PDT com base nas denúncias do ex-ministro Sérgio Moro, a saber: de que Bolsonaro estaria tentando interferir na PF.

Ao nomear Rolando, todavia, Bolsonaro afasta a possibilidade de ser acusado novamente de ter proximidade familiar com o futuro diretor-geral da PF, mas ao mesmo tempo mantém a sua intenção de ter alguém de confiança no cargo, uma vez que Rolando ocupava o cargo de secretário de Planejamento e Gestão da Abin, onde chegou justamente por indicação de Alexandre Ramagem.

Moraes e seus pares do STF não podem suspender a nomeação de Rolando com base nas mesmas acusações envolvendo Ramagem e Bolsonaro, assim como não podem acusá-lo de indicação suspeita pelo fato do mesmo ter vínculo com Ramagem, visto que ambos são colegas de trabalho.

Em outras palavras, é absolutamente natural e até esperado que profissionais, colegas de trabalho, indiquem uns aos outros para novas funções, especialmente quando estas exigem plena confiança. Vale lembrar que ambos pertenciam ao quadro da Agência Brasileira de Inteligência, o que reforça ainda mais a naturalidade da recomendação.

Com isso, o presidente Jair Bolsonaro fez nada mais do que acatar uma recomendação que partiu do próprio quadro da Abin. Ignorar o peso que tem à Agência Brasileira de Inteligência seria contraditório, assim como será se Alexandre de Moraes ou qualquer ministro do STF se posicionar de forma contrária à nomeação.

Uma nova suspensão de nomeação presidencial nesse contexto, partindo do STF, seria a constatação de ma ruptura institucional, quebra de separação entre os poderes e a prova de que ministros da Suprema Corte não atuam como guardiões da Constituição, mas sim dos próprios interesses. Vejamos no que vai dar.