Memórias

O juiz Marcelo Bretas já havia dito: “A Lava Jato é eterna. Doa a quem doer”

Entrevista do juiz responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro fundamenta os acontecimentos atuais

22/06/2019 11h51Atualizado há 2 meses
Por: Will R. Filho
Entrevista do juiz responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro fundamenta os acontecimentos atuais
Entrevista do juiz responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro fundamenta os acontecimentos atuais

Os desdobramentos atuais envolvendo a operação Lava Jato e seus integrantes, especialmente o atual Ministro da Justiça e Segurança Pública e o coordenador nacional da força-tarefa, Deltan Dallagnol, registram a confirmação do que analisamos em outro texto, chamado: "Sob ataque por todos os lados, Sérgio Moro pode ser o próximo presidente do Brasil".

No artigo mencionado foi dito, entre outros pontos importantes, que a operação Lava Jato significou o surgimento de uma nova lógica política no Brasil, a qual desde então vem sendo combatida arduamente pelo "Sistema", isto é, grupos e pessoas que procuram controlar os meios de comunicação, cultura e justiça.

Neste sentido, uma entrevista concedida pelo juiz responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, ao jornal El Pais, já havia deixado claro não apenas essa nova lógica do fazer política e justiça no Brasil, mas também de modificar o "Sistema" por completo, motivo pelo qual a operação e seus integrantes sofrem tantos ataques poderosos.

"A Lava Jato não é um conjunto de investigações, é uma nova forma de se fazer justiça e de combater a corrupção. A Lava Jato é eterna. É operada com um novo padrão, de julgamentos mais rápidos, profundos e imparciais, em que não importa quem esteja envolvido. Doa a quem doer. É uma nova era da Justiça brasileira com profissionais envolvidos 24 horas por dia", disse Marcelo Bretas na época.

O juiz Bretas previu os ataques vindo do "Sistema" que hoje atingem diretamente o ministro Sérgio Moro e seu colega, Deltan Dallagnol.

"As pessoas estão mais descontentes com a corrupção, e os juízes e os investigadores têm maior sensibilidade às demandas da sociedade, à indignação da população. Nosso trabalho agora é mais cansativo e mais perigoso porque, quando falamos de corrupção, falamos de pessoas com autoridade, de políticos envolvidos em crimes, que têm seus contatos com autoridades, com a polícia. Nesse terreno é preciso ter um cuidado extraordinário", disse ele.

Polícia Federal fecha o cerco a hackers e descobre ligação com espionagem russa

Toda a declaração de Marcelo Bretas é confirmada pelos acontecimentos atuais. Esta semana, por exemplo, a revista Istoé revelou que a Polícia Federal descobriu que o governo brasileiro estaria sendo vítima de um ataque internacional, envolvendo espiões (hackers) russos e até adeptos do islamismo.

A divulgação das mensagens atribuídas, supostamente, ao ministro Sérgio Moro e outros integrantes da Lava Jato pelo site The Intercept Brasil, fariam parte desse ataque coordenado, conforme revelado por um grupo anônimo também esta semana, chamado "Pavão Misterioso".

Com isso, sem dúvida alguma às palavras do juiz Marcelo Bretas ditas em 2017 hoje soam como proféticas: "Quando se investigam organizações criminosas, não é possível ter todo o quadro pintado desde o princípio. Não sabemos quem são os cúmplices. Os esquemas criminosos que vimos são muito grandes, envolvem muitas pessoas e movimentam grandes quantidades de dinheiro". 

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