Psicologia

Psicóloga diz que a Globo transformou pandemia "em um show televisivo"

"Uma abordagem midiática sobre o coronavírus, como se estivéssemos cobrindo um cenário de guerra, pode ser mais letal do que a doença em si", alertou Marisa.

30/03/2020 12h21
Por: Will R. Filho
Marisa Lobo palestra sobre o tema suicídio, família e depressão e fez alerta sobre a pandemia. Reprodução: Google
Marisa Lobo palestra sobre o tema suicídio, família e depressão e fez alerta sobre a pandemia. Reprodução: Google

A psicóloga, escritora e palestrante Marisa Lobo não poupou críticas à maneira como parte dos veículos de informação estão abortando a pandemia do novo coronavírus, especialmente a Rede Globo, que segundo ela transformou a luta contra o vírus em um "show televisivo".

"Faço um apelo para a mídia para que trate o assunto com mais cautela e equilíbrio. Apelo especialmente para a Rede Globo, que parece ter transformado a pandemia em um show televisivo, explorando apenas o drama por trás desde cenário e não suas soluções", afirmou Marisa em sua coluna.

Marisa ressaltou a necessidade de uma abordagem diferente sobre a pandemia. "Falem com preocupação, mas também com esperança e otimismo", disse ela, expressando preocupação com o possível aumento do número de casos de depressão e suicídio em decorrência do "panico" que estaria sendo provocado pela imprensa.

"Os números de depressão e suicídio tendem a aumentar com o isolamento social e o pânico gerados pelas mídias em relação ao coronavírus. Como psicóloga, tenho esta preocupação", disse a profissional. "Tal condição causa sim danos à nossa psiquê. Precisamos nesse momento repensar nossas medidas de proteção, a fim de aliviar dores emocionais de pessoa que já se encontram fragilizadas por outros motivos", completou.

Marisa Lobo afirmou que 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos, segundo a Organização Mundial de Saúde, e que mesmo assim a imprensa não daria o devido destaque para o que ela chamou de "epidemia silenciosa".

"Clamo ao Ministro da Saúde e demais autoridades públicas que se preocupem e adotem medidas sérias no sentido de proteger, também, o emocional da população, pois uma abordagem midiática sobre o coronavírus, como se estivéssemos cobrindo um cenário de guerra, pode ser mais letal do que a doença em si", concluiu Marisa.