Justamente em um momento delicado para o Brasil no âmbito da saúde, uma notícia vinda de Portugal poderá trazer maior consenso sobre o principal ponto de tensão nesse contexto: usar ou não a cloroquina no tratamento contra o coronavírus?

Se depender da diretora-geral de Saúde de Portugal, a resposta a essa pergunta parece positiva, pois segundo ela o seu país não registrou até o momento nenhum “efeito adverso” (colateral) pelo uso da cloroquina no tratamento dos pacientes.

 “É um medicamento que deve ser usado de acordo com as suas indicações, pensando-se sempre o que se pesa quando se faz uma prescrição clínica, que são os riscos e os benefícios”, afirmou Graça Freitas em uma coletiva de imprensa.

“A decisão de utilizar é uma decisão médica e sabemos, através do Infarmed, que até à data em Portugal não foram reportadas reações adversas no âmbito do sistema de fármaco vigilância”, disse ela, com destaque nosso.

Graça também acrescentou que organizações de Portugal e outros países estão monitorando a “evolução da utilização deste medicamento [cloroquina] em todo o mundo e vão ajustando as suas recomendações de acordo com essa evolução”.

Implicações para o Brasil

O presidente Jair Bolsonaro anunciou esta semana a criação de um novo protocolo de saúde para à ampliação do tratamento da Covid-19 com a cloroquina. Essa notícia vinda de Portugal, portanto, deve reforçar essa decisão.

Isso porque se trata de mais uma evidência no âmbito da saúde, dessa vez com base na experiência de outro país, sobre os efeitos da cloroquina contra o novo coronavírus.

O presidente da Ordem dos Médicos de Portugal também falou positivamente sobre o uso da cloroquina:

“Aparentemente, a hidroxocloroquina tem efeitos positivos nos doentes infetados. Por um lado, na recuperação, por outro, a impedir o agravamento de casos mais complicados de internamento, que possam necessitar de ventilação assistida, isto é, de ir para cuidados intensivos”, afirmou Miguel Guimarães, segundo informações do Sapo.

Atualização

A matéria acima foi publicada originalmente em maio desse ano. No mesmo mês, dia 28, o Infarmed e a Direção-Geral da Saúde (DGS) decidiram recomendar a suspensão do tratamento com hidroxicloroquina em doentes com COVID-19. Todavia, com base em quê?

Segundo a entidade, foi com base na “decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), na sequência da publicação de dados que questionam a segurança e a eficácia deste medicamento.”

Todavia, essa decisão da OMS, por sua vez, foi tomada com base em um estudo publicado na revista The Lancet [veja aqui], o qual foi posteriormente amplamente refutado por vários cientistas no mundo inteiro [veja aqui], fazendo com que a própria OMS voltasse atrás em sua posição.