Nas duas últimas semanas a grande mídia divulgou em larga escala um estudo que apontou maior risco de morte dos pacientes que fazem o uso da cloroquina para o tratamento do novo coronavírus. Todavia, o estudo acaba de ser contestado por mais de 100 médicos em diferentes países.

O estudo,  publicado na The Lancet, havia coletado dados anônimos de mais de 96.000 pacientes em 600 hospitais do mundo todo, e segundo seus resultados combinação de cloroquina com hidroxicloroquina não traria benefício e aumentaria o risco de morte em 30%.

Foi com base nesse estudo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta aos países, afirmando que o uso do medicamento seria um risco. Muitas nações chegaram a suspender o tratamento com a cloroquina.

Entretanto, o alarmante estudo “tem um nível de inconsistências alarmante”, alerta Pedro Alonso, diretor do programa de malária da OMS, segundo informações do EL PAÍS. “Há enormes dúvidas sobre a qualidade desse trabalho e tanto seus autores como a revista que o publicou vão ter de prestar contas”, ressalta.

O jornal francês faz pontuações graves: “O trabalho tem inconsistências, como o tratamento dos dados, que não foram publicados para que possam ser analisados pelo restante da comunidade científica, e a ausência de um comitê de ética para verificar se o tratamento dos dados dos pacientes está de acordo com a lei, segundo a carta aberta publicada quinta-feira, assinada por mais de 120 médicos, bioestatísticos e pesquisadores biomédicos e enviada à direção da revista The Lancet.”

“O estudo não dá informações detalhadas sobre os hospitais de cada país de onde vêm os dados, afirmam os signatários. Além disso, utiliza doses de cloroquina e hidroxicloroquina que são em média 100 miligramas mais altas do que as recomendadas pela agência de medicamentos dos EUA, acrescentam”, destaca o El País.

Dados manipulados

O Opinião Crítica já havia feito uma publicação alertando sobre o uso manipulador de dados contra o uso da cloroquina no tratamento do novo coronavírus. Na matéria “Estudo diz que a cloroquina ‘é segura’ e aponta cura de 98,7% dos pacientes“, os autores em questão apontaram inconsistências semelhantes.

Por incrível que pareça, o mundo aparenta estar diante de uma tentativa de se promover a pandemia, e não de curá-la. Os interesses por trás dessa investida certamente são diversos, mas não estão relacionados à cura do coronavírus.