Ressentido, Olavo de Carvalho insinua que sem ele o governo "agora vai se danar"


O escritor Olavo de Carvalho concedeu uma entrevista nesta quarta-feira (15), onde falou como será a sua postura daqui em diante, após uma série de conflitos verbais envolvendo a sua figura e a ala militar do governo Jair Bolsonaro, especificamente os generais Hamilton Mourão, Santos Cruz e o ex-comandante do Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas.

"Eles querem me tirar da parada? Tiraram. Eu vou ficar quietinho agora, não me meto mais na política brasileira. O Brasil escolheu o seu caminho. Escolheu confiar em pessoas que não merecem a sua confiança e agora vai se danar", afirmou o escritor por vídeo ao site Crítica Nacional.



Às palavras do homem que por muitos é considerado o "guru" do governo revelam não apenas ressentimento, mas também um elevado grau de narcisismo intelectual, o que pode ser classificado também como "sofomania", isto é, o perfil de quem não admite críticas contrárias ao seu modo de pensar, por se achar sempre mais sábio e conhecedor do que qualquer outra pessoa ou, no mínimo, 90% delas.

É isto o que está implícito nas palavras do próprio Olavo, ao dizer que "o Brasil escolheu o seu caminho", logo após afirmar que "não me meto mais na política brasileira", para então concluir que "agora vai se danar", tendo em vista que, segundo a análise olaviana sugere, não há ninguém digno de maior confiança no país, senão ele próprio.



Olavo deixa o seu ressentimento ganhar status de personificação ao citar o general Santos Cruz:

"O que eu estou fazendo, estou decidindo hoje, é me ausentar temporariamente do debate político nacional, do dia a dia, das miudezas das política, porque se tornou uma coisa absolutamente insustentável. Tamparam minha boca. Não tem problema. Vocês se virem aí, fiquem com o Santos Cruz", disse ele.

Em outras palavras, é como se dissesse: 'se não quer ficar comigo, fique com ele'. Vemos esse tipo de raciocínio em pessoas de vários níveis de maturidade emocional, mas geralmente nas crianças e adolescentes, em casais apaixonados ou em quem se vê com o ego narcísico ferido.

Olavo sempre terá o seu lugar ao sol 




Ora, a advogada e deputada Janaína Paschoal fez uma observação interessante também nesta quarta, ao fazer um apelo dramático ao presidente Bolsonaro. Ela disse: "Peço a Bolsonaro que pare de ouvir Olavo. Ele tem uma obra incrível, mas a obra não se confunde com o autor".

O psicólogo americano Howard Gardner, um dos grandes teóricos da atualidade no campo da psicologia cognitiva, desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas. Segundo ele, diferente do que muitos imaginam, a inteligência se difere em áreas distintas.

Na prática, isto significa que ser um excelente escritor, leitor ou mesmo pensador, não é a mesma coisa de ser um excelente articulador. Uma coisa requer habilidades cognitivas, enquanto a outra habilidades emocionais. Uma sem a outra pode ser um desastre.



Em outras palavras, foi isso o que Janaína Paschoal quis dizer. Olavo de Carvalho pode ter uma ótima obra, mas ela não se confunde com a sua habilidade emocional de lidar com situações envolvendo outras pessoas, especialmente quando isso diz respeito à críticas.

Assim, não resta dúvida alguma que o pensamento de Olavo de Carvalho continuará ecoando nos bastidores da política brasileira e fora dele, e isso é bom. O seu lugar ao sol na história do pensamento conservador no Brasil já foi garantido por sua obra. Porém, melhor ainda é saber que o seu discurso à distância ficará ainda mais distante da administração presidencial, pois do que o Brasil mais precisa no momento é de bons administradores e não de polêmicas.

Por: Will R. Filho

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