Revelando a verdade - Registros sobre "homofobia" no Brasil são 88% falsos, diz estudo

Revelando a verdade - Registros sobre "homofobia" no Brasil são 88% falsos, diz estudo

Um dos temas mais debatidos na sociedade atual, em todo mundo, é a chamada "homofobia". Movimentos LGBTs se pautam nessa temática para implementar suas agendas políticas, tendo como referência casos de agressão, discriminação e até assassinato de gays, lésbicas, travestis e transexuais.

No entanto, parece haver um discurso inflado envolvendo os casos de homofobia no país, tendo como objetivo respaldar projetos de lei, como por exemplo, a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26), que visa criminalizar a "homofobia" no país.



Um estudo detalhado feito pela Liga Humanista Secular do Brasil (LIHS), a qual inclui representantes da própria comunidade LGBT, revelou o que muitos já tinham noção, porém, sem o respaldo de uma pesquisa estatística confiável. Ele concluiu que 88% dos casos registrados como "homofobia" no Brasil são falsos. Isso mesmo... falsos!

"Oficialmente, não há números sobre os mortos por homofobia no Brasil. Há quase quatro décadas, o Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado pelo historiador Luiz Mott em 1980, desenvolve um levantamento de dados independente que tem sido tratado como fonte de um número oficial pela imprensa e órgãos nacionais e internacionais como a Anistia Internacional e a ONU", comunica o LIHS.



"A estatística anual de mortes violentas por homofobia do GGB já apareceu em publicações como O Globo, Estadão, Folha de São Paulo, Gazeta do Povo, Reuters, BBC, NPR, The New York Times (que, com base nela, disse que o Brasil passa por uma epidemia de violência antigay), entre outras", acrescenta.

Os pesquisadores, entre eles o geneticista Eli Vieira (que ficou famoso por debater com o pastor Silas Malafaia sobre a suposta influência genética da homossexualidade) e a doutora em bioquímica, Camila Mano, destacaram como esses dados afetam a imagem do Brasil no exterior, citando como exemplo a repercussão dos números (falsos) durante grandes eventos internacionais.



"Publicações esportivas, com base na estatística do GGB, alertaram aos atletas LGBT para terem cuidado extra ao vir ao Brasil para as Olimpíadas. Diversos trabalhos acadêmicos citam as estatísticas do GGB e há títulos acadêmicos inteiros conquistados com base nelas. Os números do GGB são baseados em clipagem de notícias", acrescentam.

Influência da "homofobia" no discurso político


O LIHS também ressalta como os números estatísticos - falsos - sobre a homofobia no Brasil influenciam o discurso político, citando exemplos colhidos durante a campanha eleitoral do ano passado (2018).



"Ao menos duas vezes a estatística anual do grupo [GGB] foi usada durante a campanha eleitoral de forma proeminente no ano passado: quando a candidata Vera Lúcia (PSTU) mencionou em seu plano de governo registrado que '[e]ste país é também o que mais mata LGBTs no mundo. Uma vítima a cada 19 horas', e quando a âncora Renata Vasconcellos, numa pergunta ao candidato Bolsonaro no Jornal Nacional, repetiu que 'a cada 19 horas, um gay, lésbica ou trans é assassinado ou se suicida por causa de homofobia no Brasil'", informa a organização.

"Para descobrir até onde vai a imprecisão, nós refizemos todo o trabalho do GGB referente ao ano de 2016, checando todos os dados colhidos pelo grupo. A replicação dos resultados do GGB é dificultada por ele próprio, que não publica planilhas em formato acessível com links para as matérias jornalísticas que usou como fontes. Buscando online pelos nomes das vítimas e locais de falecimento, checamos todas as 347 vítimas relatadas e recuperamos as fontes não divulgadas no relatório", explica.



Ao analisar os dados baseados nas fontes originais, os pesquisadores descobriram vários erros, como por exemplo, a inclusão de casos de violência envolvendo pessoas que não são da comunidade LGBT, casos do exterior que não contabilizam para a estatística nacional e casos de violência entre pessoas LGBTs, porém, sem motivação homofóbica aparente.

Os pesquisadores também criticaram a inclusão de casos de suicídio nas estatísticas do GGB, assim como o de acidentes... isso mesmo, acidentes!

"A estatística do GGB consiste em mortes violentas motivadas por homofobia, e, legalmente, morte violenta incluiria acidentes, suicídios e homicídios. Obviamente, acidentes não deveriam ser incluídos, pois não existe motivação alguma por trás deles, muito menos a homofóbica", explicam os pesquisadores.



"Isso não impediu o GGB de incluir mortes acidentais a seus números. Quanto ao suicídio, é evidente que, nem sempre que um LGBT se mata, é possível afirmar que a causa primária de sua decisão é a homofobia. Suicidas geralmente sofrem de depressão, que é em si a causa imediata de sua morte. Certamente é um tema importante descobrir com que frequência a homofobia causa depressão e suicídio, mas é quase sempre impossível separar suicídios motivados por homofobia de suicídios de LGBT motivados por outros problemas, ao menos que haja alguma evidência como uma carta de despedida em que o suicida o diz explicitamente", destacam.

O reconhecimento da egodistonia




Ao explicar a necessidade de separação do suicídio dos casos de homofobia, os pesquisadores reconhecem que pessoas egodistônicas, isto é, que não aceitam a própria orientação sexual por alguma razão, também podem cometer suicídio por causa desse conflito. Esse reconhecimento reforça o apelo de psicólogos contra a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia, que dificulta o atendimento psicológico de homossexuais egodistônicos.

"Um suicida fere a si mesmo, desistindo da própria vida, que lhe pertence. Um homicida fere a outrem, roubando-lhe a vida. Não parece que as duas decisões sejam comparáveis ao ponto de ser justo somá-las num número só. Uma egodistonia sexual que leva à depressão e ao suicídio é bem diferente de uma homofobia assassina aplicada sobre outrem", dizem os pesquisadores.

Ataques aos pesquisadores e a conclusão




Os pesquisadores relataram ter sofrido ataques da própria comunidade LGBT após a divulgação da pesquisa. Eles reforçaram a necessidade de liberdade da comunidade LGBT, o direito à vida e outras proteções, mas reconheceram que o Brasil não é um país homofóbico e que os dados a esse respeito são manipulados para fins políticos e ideológicos, razão pela qual foram ameaçados.

"A verdade é amiga da causa das liberdades individuais e da democracia. Qualquer número de LGBT mortos por serem LGBT no Brasil é preocupante e exemplo de que a cultura ainda não se transformou o suficiente na direção do respeito ao indivíduo diferente. No entanto, tentativas de inflar esses números, honestas ou não, dificilmente ajudam a qualquer causa justa", dizem eles.



"Ao divulgar versões preliminares desta checagem, nós recebemos ataques virulentos dos participantes do GGB nas redes sociais. Membros da nossa equipe que são LGBT foram classificados como 'egodistônicos' e 'traidores'. Parece que a acusação de homofobia é o instrumento favorito dos autores dos números inadequados para qualquer crítico de seus métodos", destacam.

Eles ressaltam a importância da pesquisa do ponto de vista científico (estatístico), mostrando-se surpresos pela reação de outros acadêmicos, algo que não deveria existir nesse campo, tendo em vista que ao pesquisador cabe apenas o reconhecimento da realidade.

"É de se estranhar, pois há acadêmicos envolvidos na coleta e divulgação desses dados, e todo acadêmico deveria achar normal o processo de crítica e revisão por pares. Essa reação, também, na nossa opinião, revela outra faceta das razões pelas quais há uma taxa de erro de 88% nesses números [...]. A maior aliada da justiça é a verdade. E o maior aliado da verdade é o rigor. Faltam rigor e verdade nos números mais divulgados sobre violência contra LGBT no Brasil".



Finalmente, a conclusão:

"Dos casos colhidos na imprensa pelo GGB, foi possível concordar somente que 31 casos foram mortes motivadas pela homofobia no Brasil. Isso significa que o relatório errou em 88% dos casos de homicídio (227 de 258), e que somente 9% dos dados totais (31 de 347) para o ano de 2016 servem para fazer as conclusões que o grupo e a imprensa que o cita fazem".

Para acessar o relatório completo, clique aqui.

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