Psicóloga questiona Hypolito por associar vergonha à igreja e lembra abusos sexuais


O ginasta e medalhista olímpico Diego Hypolito (32) falou abertamente pela primeira vez da sua orientação sexual, se declarando homossexual. Rapidamente a notícia ganhou destaque nos grandes veículos de comunicação, que prontamente divulgaram o fato como um ato de coragem do atleta.

Ocorre que em suas declarações Hypolito deixou transparecer várias questões relacionadas a sua vida pessoal, envolvendo a própria sexualidade e também sua vida religiosa. O atleta frequenta a igreja evangélica Bola de Neve, conhecida por ter um perfil voltado para os jovens.

“Fui criado na igreja, tenho uma tatuagem de Jesus crucificado no braço, até hoje frequento cultos da Bola de Neve todas as quintas-feiras. Eu tinha vergonha porque na minha cabeça ser gay era ser um demônio, um ser amaldiçoado que vive em pecado”, disse ele, segundo o Gospel Mais.



A associação de Hypolito da sua vergonha à frequência aos cultos religiosos chamou atenção da psicóloga e escritora Marisa Lobo, que comentou em suas redes sociais a declaração do atleta, porém, lembrando dos episódios de abuso sexual sofrido pelo ginasta em sua infância.

"Ele culpa a igreja pela vergonha que sentia de ser o que é, mas não conta os abusos que sofreu na sua infância por seu treinador. É muito fácil hoje acusar a igreja por se esconder", escreveu Marisa, dizendo que isso é "no mínimo contraditório".



Diego Hypolito revelou que sofreu abusos sexuais entre os 9 e 12 anos, no ano passado. "Isso me abala até hoje", disse ele na época, segundo o Correio 24 horas. "Não é algo que tenho orgulho. Não é fácil de lidar. É muito difícil de expor".

Marisa Lobo pontuou os episódios de abuso porque para vários autores eles exercem influência sobre o desenvolvimento da sexualidade, afetando suas vítimas, na forma como se enxergam diante do mundo. Para a psicóloga, compreender corretamente às raízes dos desejos sexuais é a primeira coisa a fazer ao invés de simplesmente fechar os olhos para o que pode ter sido o gatilho de todo ele.



"Nem sempre o que sentimos é definitivo, pois quando nos damos conta da sua origem esses sentimentos tendem a mudar e/ou serem transformados. Não estou dizendo que Diego mudaria seus desejos, mas que um gay seguro da sua confiança (egosintônico) nunca coloca culpa na sociedade ou igreja, está em sintonia, não tem necessidade de atacar ou se vitimar", disse ela.

"Tenho muito carinho por este atleta", completou Marisa. "Ele é e será um orgulho para o Brasil, entretanto essa exposição sempre deslocando suas angústias para a igreja é a forma mais infantil de administrar nossos traumas".

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