Janaína pede para Bolsonaro deixar de ouvir Olavo e os filhos: "Os afaste, por favor"


Enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, está nos Estados Unidos para receber uma homenagem, a situação aqui no Brasil ficou tensa nesta quarta-feira (15), e quem se manifestou chamando atenção para a necessidade de uma mudança de postura do governo foi a advogada e deputada Janaína Paschoal (PSL-SP).

Janaína usou suas redes sociais para alertar o presidente da República sobre o que pode ter influenciado, por tabela, às manifestações nesta quarta contra o governo, no tocante ao contingenciamento de verbas na área da educação.



"Afastem as teorias da conspiração da mente... Não houve um único grupo (ou pessoa) responsável pela vitória de Bolsonaro. Houve um povo cansado que se uniu e abraçou nossa única alternativa naquele momento. Caiam na real!", escreveu a advogada.

Indiretamente, Janaína culpa o levante da oposição através das manifestações desta quarta à falta de união dos apoiadores do governo, citando como exemplo os conflitos envolvendo os filhos do presidente, Eduardo e Carlos Bolsonaro, com os militares, especificamente o vice-presidente general Hamilton Mourão, em defesa do escritor Olavo de Carvalho.



"Peço a Bolsonaro que pare de ouvir Olavo. Ele tem uma obra incrível, mas a obra não se confunde com o autor. Peço a Bolsonaro que pare de ouvir os próprios filhos. Siga amando seus filhos, mas os afaste, por favor", insistiu a advogada, que completou:

"Muitos querem derrubar Bolsonaro, mas não somos nós! Nós enfrentamos todos os riscos para dar uma chance ao país. Bolsonaro, reflita! Eu nunca menti para o Sr! O Sr sabe!".

"Picuinha" interna mina a força do governo




Janaína Paschoal está certa. Há uma precipitação na reação dos filhos do presidente no que diz respeito à suspeita de conspiração contra o governo. Ainda que tal conspiração fosse confirmada, jogá-la no ventilador no atual contexto político do país não parece a coisa mais inteligente a ser feita. Há maneiras mais discretas de tratar a situação.

A oposição capta tudo de ruim que vem do governo para usar contra ele. O clima de instabilidade interna, ao ponto de um dos líderes do governo na Câmara, o deputado federal Marco Feliciano (PODE-SP) protocolar um pedido de impeachment contra o vice-presidente, apenas reforça a tese de desorganização administrativa.



No meio disso tudo, uma figura que não faz parte da equipe administrativa e nem no Brasil reside mais há 14 anos, o escritor Olavo de Carvalho, se tornou motivo de intriga entre os filhos do presidente e os militares, entre eles generais que fazem parte da equipe do governo.

O foco na resolução dos problemas emergenciais do país foi deixado de lado por várias semanas, tudo por causa de uma discussão de mérito eleitoral envolvendo a vitória do presidente. Tamanha imaturidade gerencial devido ao culto à personalidade de um influencer intelectual pode estar custando caro ao presidente.



O momento é de Carlos e Eduardo Bolsonaro se ocupar mais das suas próprias funções políticas, a de vereador e deputado, respectivamente, saindo do centro do palco presidencial para que o seu pai possa, de fato, assumir 100% da autoridade representativa que lhe compete. Isso não impede o diálogo, mas coloca um freio necessário na forma de comunicação pública que vem municiando os críticos.

Jair Bolsonaro, por sua vez, deve evitar ter a sua imagem associada à figuras potencialmente problemáticas, se concentrando mais na resolução dos problemas administrativos da nação, sem compartilhar (literalmente) conflitos alheios ao que realmente interessa para o governo da forma mais prática possível.
Por: Will R. Filho 

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