Para general, Olavo de Carvalho "passou do ponto" e está promovendo "desavenças"

Olavo de Carvalho e os militares

O general e ex-comandante do Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas, concedeu uma entrevista para falar sobre o cisma entre o escritor Olavo de Carvalho e os militares que auxiliam o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Para Villas Bôas, Olavo de Carvalho "passou do ponto" em suas críticas e está promovendo "desavenças" em um momento crítico para o país, onde a união dos apoiadores do governo é necessária.


"Bolsonaro entendeu que trazer militares para trabalhar em setores do governo seria uma cooperação importante para o restabelecimento da capacidade de gestão e a busca de combate à corrupção. Isso não significa que as Forças Armadas estão participando do governo, mas trazendo consigo seus valores", disse o general.

"Portanto, os militares exercem uma natural influência que contribui para a estabilidade do país e do governo. Talvez por isso, o senhor Olavo de Carvalho se sinta desprestigiado e queira disputar espaço com os militares, junto à Presidência da República. Isso não dá direito a ele de traçar comentários desairosos a toda uma classe profissional, que representa uma instituição", destacou.


Questionado se o escritor já teria passado do ponto, Villas Bôas disse que Olavo "já vem passando do ponto há muito tempo, agindo com total desrespeito aos militares e às Forças Armadas. E, quando digo respeito, é impressionante que ele, como um homem que se pretende culto e inteligente, desconhece normas elementares de educação.".

O general sugere, implicitamente, que Olavo possui a ambição de ser uma espécie de "tutor" intelectual do governo, mas que por ser criticado e rejeitado por alguns apoiadores do presidente, ou seja, não ser reconhecido como tal, reage de forma desproporcional.


"Ele [Olavo] está prestando um enorme desserviço ao país. Em um momento em que precisamos de convergências, ele está estimulando as desavenças. Às vezes, ele me dá a impressão de ser uma pessoa doente, que se arvora com mandato para querer tutelar o país", disse Villas Bôas.

Questionado sobre o motivo de tais posturas de Olavo e seus seguidores contra os militares, Villas Bôas também sugeriu que é devido à ideologia, que neste caso diz respeito aos pensamentos do escritor, que uma vez não adotados plenamente, faz com que seus adeptos se incomodem.

"Uma patologia muito comum que acomete todos aqueles que se deixam dominar por uma ideologia é a perda da capacidade de enxergar a realidade e a inconformidade de não ver todos os preceitos que ele professa serem implantados na sociedade", disse ele, segundo a Metrópoles.


Por fim, peguntado se os militares teriam a intenção de tomar o poder daqui há 2 anos, Villas Bôas rechaçou a especulação e destacou a lealdade como uma "religião" para os militares

"Isso é uma inverdade que beira o ridículo", disse ele sobre essa especulação. "Não passa na nossa maneira de pensar algo desse tipo, porque seria uma deslealdade com o presidente e a lealdade é o valor que os militares tomam como religião. O general Mourão, a quem conheço com profundidade, tampouco se prestaria a participar desse tipo de articulação", concluiu.

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