Cruzada contra o aborto: mais um estado dos EUA aprova lei antiaborto, o Missouri

Cruzada contra o aborto: mais um estado dos EUA aprova lei antiaborto, o Missouri

MISSOURI, 17 de maio (CBN News) - Um dia após o estado do Alabama aprovar a mais rígida lei antiaborto dos Estados Unidos nesta quinta-feira (16), dessa vez a Câmara dos Deputados do Missouri acabou de aprovar a Lei da Câmara 126 , "Missouri States for the Unborn", pelo voto de 110 a 44.

O  abrangente pacote de leis antiaborto proíbe o aborto após oito semanas de gestação, entre outras restrições, e não tem exceção para vítimas de estupro ou incesto.


O projeto agora vai para o governador republicano Mike Parson, que deve sancionar a lei.

"Obrigado pelos líderes da Câmara e do Senado, nós temos a oportunidade de ser um dos estados mais pró-vida do país", disse Parson na quarta-feira, expressando seu apoio ao projeto.

O senador republicano Andrew Koenig disse ontem que essa é "uma das mais fortes" leis contra o aborto a serem aprovadas nos EUA.


A lei é parte de uma ofensiva de projetos antiabortos que foram aprovados por legisladores estaduais americanos nos últimos meses, na esperança de desbancar a lei Roe e Wade, aprovada em março de 1973, que deu o direito legal às mulheres do país para abortar.

Na quarta-feira, a governadora do Alabama, Kay Ivey, sancionou a proibição quase total do estado ao aborto. Na semana passada, o  governador da Geórgia, Brian Kemp, sancionou  a proibição do aborto depois de seis semanas de gravidez, ou seja, antes mesmo da maioria das mulheres saberem que estão grávidas. O chamado projeto de "batimento cardíaco fetal" foi o quarto de seu tipo a ser aprovado este ano.

A União Americana pelas Liberdades Civis, a Planned Parenthood [clínica abortista] e outros defensores dos direitos ao aborto prometeram desafiar a proibição do Missouri no tribunal.


"A Planned Parenthood não se sentará e observará os políticos levarem nossos direitos e liberdades aos cuidados com a saúde das mulheres", disse Leana Wen, presidente da Planned Parenthood Action Fund, em um comunicado enviado à CBS News na sexta-feira.

Dezenas de legisladores do Missouri falaram contra o projeto antes da votação nesta sexta-feira (17). Uma delas leu uma carta que escrevera para sua filha de dois anos e meio, dizendo-lhe que as probabilidades estão contra as mulheres graças a leis como a proibição do estado ao aborto.

Muitos se opuseram à falta de uma exceção para as vítimas de estupro e incesto, perguntando como a oposição poderia se chamar "pró-vida" se não se opusessem a forçar uma jovem a levar o bebê de seu estuprador .


A principal característica do projeto de lei é a proibição de abortos após oito semanas, mas também inclui uma "lei de gatilhos" e uma escala de prazos menos restritivos que variam de 14 a 20 semanas, dependendo do que os tribunais considerem constitucional. Também proíbe abortos baseados apenas em raça, sexo ou "diagnóstico, teste ou rastreamento pré-natal indicando Síndrome de Down ou o potencial da Síndrome de Down".

O projeto inclui aumento de créditos fiscais para doações para os chamados "centros de recursos para a gravidez", que são clínicas que visam desencorajar mulheres a fazer um aborto.


O Missouri possui 104 "centros de recursos para gravidez" e apenas uma clínica funcional para o aborto, segundo dados compilados pelo Guttmacher Institute, uma organização de pesquisa em saúde reprodutiva.

Antes da votação nesta sexta-feira, o Missouri adotou uma série de regulamentações antiaborto, incluindo um período de espera de 72 horas para as mulheres que procuram o procedimento.

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