Vítima da fake news do Estadão sobre Bolsonaro desabafa: "Estão falando mal de mim"


Yasmin Alves, de apenas 8 anos, está sofrendo às consequências de ter sido vítima de uma "fake news", ou notícia falsa, do jornal O Estado de S. Paulo, mais conhecido como Estadão, sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Na última quinta-feira (17/04/19) um vídeo em que a garota aparece junto com outras crianças viralizou nas redes sociais, após a matéria do jornal ser amplamente divulgada e consequentemente replicada por dezenas de veículos de comunicação. O texto dizia:



"Quando ele [Bolsonaro] cumprimenta as crianças que estavam na última fila do grupo, a menina [Yasmin] cruza os braços e faz sinal de negativo com a cabeça diante da investida do presidente. O momento ocorre aos 28 segundos do vídeo”.

O jornal, portanto, fez parecer que Yasmin havia se recusado a cumprimentar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante o evento da Escola Classe 1, no bairro Estrutural, em Brasília.



No entanto, a interpretação das cenas foi errada e o próprio Estadão precisou reconhecer à fake news, conforme noticiamos ontem: "Correção: é errado se afirmar que criança se recusa a cumprimentar Bolsonaro", diz o título da retificação. O link original da matéria falsa, no entanto, foi retirado do ar.

Consequências


O fato é que mesmo tendo se retratado, o estrago provocado pela fake news do Estadão já havia causado efeitos negativos sobre à criança, que mais tarde explicou o que realmente aconteceu na hora em que Bolsonaro falou com ela.



“Ele perguntou quem era palmeirense e eu balancei a cabeça dizendo que não era”, explica Yasmin, que é torcedora do flamengo. “Fico muito triste porque as pessoas estão falando mal de mim, que sou mal-educada”, diz a estudante do 3º ano do ensino fundamental, segundo informações da Metrópoles, dizendo que agora tem "medo de ir à escola".

O centro de ensino fica numa das regiões administrativas mais carentes do DF, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 18 vezes mais baixo do que o do Lago Sul, bairro mais nobre da capital.


Uma vez que há prejuízo à imagem de Yasmin, como parece confirmado pela família abaixo, o Estadão poderá responder judicialmente por danos morais. Resta algum(a) advogado(a) orientar os pais de Yasmin, tornando-os cientes da possibilidade de ação judicial em favor da filha.

"Ela está chorando"


O pai de Yasmin, o pedreiro Valdir Alves, que é eleitor de Bolsonaro, disse que considera um crime a exposição negativa da imagem da sua filha, algo que tem trazido constrangimento para todos eles.



"Transferi meu título para cá e votei no Bolsonaro. Não imaginaria que pudesse chegar a esse ponto. Saio nas ruas e vejo as pessoas comentando sobre a minha filha. É uma criança de oito anos convivendo com essa expectativa de não querer nem estudar porque todo mundo fala dela", disse o pedreiro.

A mãe da criança, por sua vez, mostrou preocupação até com a integridade física da filha. Cléia Ramone disse que Yasmin ficou muito abalada emocionalmente.

 “Ela está chorando, triste e transtornada, porque tem uns que são muito a favor [do presidente Bolsonaro], e tem gente que não gosta dele. Fico pensando no que podem fazer”, disse ela.

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