Sérgio Moro durante entrevista: "Estado precisa retomar o controle dos presídios"

O Brasil precisa retomar o controle nos presídios do país, diz Sergio Moro
Entrevista do ministro Sergio Moro para a TV Brasil. Reprodução: Google

BRASÍLIA, 17 de abril (EBC) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou que o Estado precisa retomar o controle dos presídios e pôr fim ao domínio das facções nas penitenciárias.

“Isso significa, muitas vezes, ampliar o sistema carcerário, mas também reformar as prisões já existentes. Significa investimentos. Existe um problema de crise fiscal, mas nós temos que tentar resolver’, disse Moro em entrevista à jornalista Roseann Kennedy na estreia do programa Impressões.



Moro ressaltou que a criminalidade não se resolve da noite para o dia e destacou que o Ministério está agindo em várias frentes.

Uma das medidas é a elaboração de um projeto piloto que será implementado em cinco cidades e deve começar no segundo semestre deste ano. O trabalho envolverá a coordenação de esforços da União, estados e municípios. Contará com a atuação da Força Nacional e integrará ação policial e políticas sociais e urbanísticas no enfrentamento ao crime.

“Tem a famosa frase que o melhor policial é um poste de luz. Então você vai numa área degradada e olha, qual é problema ali? Não é simplesmente tirar o criminoso violento da rua. Isso é importante. Mas a gente precisa, também, restaurar áreas que estejam degradadas, pensar em políticas educacionais específicas”, pontuou.



O ministro defendeu a política adotada nos presídios federais, e em relação à rejeição em algumas unidades da federação para abrigar essas instalações disse que “há um certo temor, muitas vezes irracional”, pois o preso está dentro da prisão, está controlado. Ele lembrou, ainda, que “vivemos num país único e é preciso que todos cooperem”.

Sérgio Moro disse esperar que o Congresso vote até o fim deste ano o pacote anticrime e admitiu a possibilidade de aprimoramento da matéria durante as discussões. “É natural que dentro do Congresso haja um tempo de deliberação. Haja possibilidade de aprovação total ou rejeição parcial", disse.


Embora defenda que sua atuação no Ministério seja técnica, Moro sabe que agora também precisa fazer articulação política e diz que não há problema nisso.

“Não tem nada negativo de ter a necessidade de conversar, de dialogar, de convencer, de ouvir bastante, para implementação dessas políticas públicas. Isso eu acho algo natural”, avaliou o ministro, que revelou estar gostando da proatividade no Executivo e que, por hora, não sente saudades do trabalho de magistrado.

“Como juiz a sua postura é muito mais passiva. Você decide as questões que as pessoas colocam perante o juiz. Como ministro eu posso ter iniciativa e coordenar políticas públicas mais abrangentes”, explicou.

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