Maia, investigado por corrupção, defende ministro do STF após censura à revista

Rodrigo Maia defende Alexandre de Moraes após decisão contra a Crusoé
Rodrigo Maia diz que decisão do STF foi baseada em "informações concretas". Reprodução: Google

"Uma mão lava à outra", quem não conhece este ditado? No Brasil ele é utilizado para se referir também ao famoso "jeitinho brasileiro", algo que infelizmente marca negativamente a cultura de corrupção sistêmica em nosso país, que não afeta apenas à classe política, mas todos os setores da sociedade.

Longe desta matéria fazer insinuações levianas, correto? Mas é difícil evitar algumas associações no atual cenário em que se encontra o Brasil, como por exemplo, após a decisão polêmica do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, em ordenar a retirada do ar de uma matéria da revista Crusoé e do site O Antagonista, onde o nome de Dias Toffoli, ministro da Suprema Corte, é citado em email do delator na Lava Jato, Marcelo Odebrecht.



Enquanto toda a imprensa, parlamentares e juristas, como à advogada Janaína Paschoal, se manifestaram espantados com a decisão de Moraes, acusando o STF de praticar "censura", o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, saiu em defesa da Corte, alegando que a decisão está fundamentada em "informações concretas"

"Ele tomou a decisão baseado em informações concretas", disse Maia sobre Moraes, segundo informações do Estado de Minas, suavizando a declaração ao explicar que é preciso dar mais tempo ao andamento das investigações.



"Vai gerar sempre a polêmica, mas vamos esperar o desenrolar dos próximos dias para a gente ter clareza que há uma separação entre censura e fake news para que a gente possa também aguardar o andamento para que também a gente não se manifeste em relação a outro Poder sem todas as informações concretas", disse ele.

Sobre a operação da Polícia Federal desencadeada nesta Terça-Feira, por ordem do STF sobre o mesmo inquérito envolvendo acusações de supostas "fake news" contra seus ministros, Maia também alegou precisar de mais tempo. Na operação, Moraes ordenou o bloqueio das redes sociais e apreensão de computadores dos investigados.


"Eu preciso ter todas as informações para dar uma opinião, mas acho que é um inquérito buscando informações sobre ataques e ações indevidas a ministros do Supremo. Acho que a gente tem que aguardar. Certamente, vai ter alguma informação oficial da decisão daqui a algum tempo", disse Maia.

Prisão do sogro e investigação por corrupção


A recente prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco (ambos já liberados), esse último sogro de Rodrigo Maia, acusados de corrupção, fez recair sobre o presidente da Câmara críticas acerca da sua postura, aparentemente, contrária ao pacote anticrime do juiz Sérgio Moro.



E o motivo disso é porque Maia também é alvo de investigação por suspeita de corrupção. Como possui foro privilegiado, o processo só pode correr no Supremo Tribunal Federal, presidido por Dias Toffoli.

"A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu nesta quinta-feira [11 de abril de 2019] ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação por 60 dias do inquérito envolvendo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ)", informa o Valor.

"Perícia feita nos sistemas internos da Odebrecht - sobre o registro de propinas pagas pela empreiteira - mostrou transferências, no valor total de R$ 1,4 milhão, a duas pessoas com os codinomes 'Botafogo', 'Inca' e 'Déspota'. Os dois primeiros são atribuídos por delatores da empresa a Maia e o último, a seu pai César Maia, ex-prefeito e hoje vereador do Rio", conclui.

Por mais estranha que possa parecer a situação, não há nenhuma comprovação da relação entre a figura de Maia com os escândalos de corrupção envolvendo a empreiteira, salvo suspeitas.

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