Psicóloga diz que homossexuais "egodistônicos" podem receber ajuda terapêutica

Marisa Lobo acolhe homossexuais egodistônicos
Psicóloga diz que homossexuais egodistônicos tem o direito de pedir ajuda. Foto: Reprodução/Comunhão

A entrevista realizada com um ex-homossexual chamado Robson Staines, feita pelo jornal Folha de S. Paulo, terminou chamando atenção para um dos temas mais polêmicos atualmente acerca da sexualidade humana. Afinal, é possível ou não mudar de orientação sexual?

A Folha também entrou em contato com a psicóloga, escritora e palestrante Marisa Lobo, que é especialista em Saúde Mental e Direitos Humanos, para comentar sobre o caso de Robson, uma vez que ela foi a profissional que o ajudou durante o momento de crise em sua vida, quando ele chegou a tentar suicídio.



Segundo Marisa, cerca de 20% dos seus pacientes lhe procuram buscando ajuda para tratar a chamada "homossexualidade egodistônica", uma condição em que a pessoa apesar de estar ciente da sua orientação sexual, vive em conflito com ela, por alguma razão, não a aceitando, o que lhe trás muito sofrimento.

"Como pesquiso sobre o tema, estatisticamente posso dizer que pelo menos 20% dos meus pacientes, ​ desde que me formei em 1996, me procuram ​com orientação sexual egodistônica", disse a psicóloga.



Marisa explicou que a egodistonia é "caracterizada por um indivíduo ciente de sua orientação sexual [mas] que deseja uma diferente por causa de transtornos psicológicos e comportamentais associados, em alguns casos chegando a procurar tratamento para alterá-la".

A psicóloga também ressaltou que esse tipo de demanda não diz respeito à homossexualidade, em si, mas ao sofrimento emocional associado, de modo que uma vez acolhido esse sofrimento, naturalmente a orientação sexual, neste caso a homossexual, é impactada.

Vale destacar que o heterossexual também pode apresentar distonia, razão pela qual Marisa Lobo diz que o acolhimento psicológico deve servir para todos, independente da orientação e dos objetivos pretendidos, mesmo que a intenção seja mudar de orientação sexual.



"Eu atendo qualquer pessoa que me procura, não importando a condição cultural, social, raça e orientação sexual. ​O meu paciente é o ser humano e seus conflitos, e é ele quem manda no setting terapêutico, não ​a 'patrulha' do conselho de psicologia".

"Se ele ou ela tem conflito com sua sexualidade e busca alterá-la de alguma forma, vou acolher ​ em primeiro lugar e oferecer uma escuta digna, sem preconceito, e aos poucos ele ou ela (paciente) é que encontra seus lugar no mundo, eu ofereço apenas o canal para que isso possa acontecer como de fato é", disse Marisa.

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