Proposta pede a obrigatoriedade do ensino de sociologia e filosofia no nível médio

Filosofia e sociologia no ensino médio, proposta

BRASÍLIA, 16 de abril (Agência Senado) - O ensino de filosofia e sociologia poderá voltar a ser obrigatório no nível médio. O senador Romário (Pode-RJ) anunciou, na semana passada, que acatou uma sugestão popular com esse pedido.

A sugestão (SUG 20/2018) vai se tornar um projeto e será analisada pelas comissões do Senado. Conforme informou Romário, o pedido alcançou o apoio de quase 140 mil cidadãos no portal e-Cidadania, até o mês passado. Para que uma sugestão popular seja analisada, o mínimo exigido é de 20 mil apoios.


O senador disse considerar que se trata de uma iniciativa pertinente. Ele destaca que a Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei 9.394/1996) estabelecem de maneira explícita que a educação tem três finalidades: o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Daí a importância do ensino da filosofia e da sociologia para o desenvolvimento do senso crítico do estudante.

— As disciplinas são base para o pensamento crítico e para a formação cidadã do aluno — afirmou o senador.

A sugestão partiu do professor Ricardo Reiter, do Rio Grande do Sul. Ele argumenta que a filosofia e a sociologia são fundamentais na formação humana de indivíduos politizados, autônomos e capazes de exercer a cidadania com consciência. Acrescenta, ainda que, a partir da filosofia, o aluno desenvolve o pensamento crítico e que a sociologia, por sua vez, o ajuda a compreender o que é a cidadania.

Comentário:

A reforma do ensino médio não excluiu essas matérias, tornando-as optativas, apenas. A razão é simples e possui lógica: se deve ao fato de poder focar o ensino na formação técnica, visando o encaminhamento profissional dos estudantes.


Observe a palavra "focar". Não é exclusividade, mas sim foco. Há uma grande deficiência no setor técnico no Brasil, considerado um dos principais mercados de trabalho. Por falta de formação, muitos deixam de conseguir tais empregos.

Com a inclusão do ensino profissionalizante, o governo pretende solucionar essa deficiência e ao mesmo tempo favorecer o desenvolvimento econômico do país. Os estudantes que não desejam iniciar neste setor, poderão tranquilamente escolher como disciplinas optativas filosofia e sociologia.

Com isso, o modelo atual oferece duas opções de foco, o técnico-profissionalizante e o de humanas, ficando a cargo dos alunos escolher qual deles se concentrar.


A obrigatoriedade, por outro lado, mudaria essa realidade, pois exigiria mais foco e dedicação do aluno, além dos professores, em conteúdos que muitos deles não desejariam aprender, ou pelo menos não nessa fase da vida.

Vale destacar também que a formação do pensamento crítico vai muito além de tais disciplinas. Todas exigem tal perspectiva e cada fase de aprendizado é crucial para esse desenvolvimento.

Assim, matérias mais fundamentais como matemática, português, biologia, química, física, geografia e história, constituem a base do que poderá ser, no futuro, em um nível superior, o ingresso do estudante em outras áreas de aprendizado, como a própria filosofia e sociologia.

Comentário: Will R. Filho

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