Jean Wyllys ataca cristãos e judeus ao culpar Abraão pela "homofobia" do mundo atual

Jean Wyllys diz que o patriarcado abraâmico é o fundamento da homofobia

O ex-deputado federal e ex-BBB Jean Wyllys publicou um texto onde, entre outras coisas, culpa a herança judaico-cristã, além da islâmica, pela existência da "homofobia" e "sexismo" no mundo atual.

No texto intitulado "Que gay pode passar da dor à glória?", inspirado pelo filme "Dor e Glória", de Pedro Almodóvar, Jean Wyllys fala um pouco da sua infância, comentando quando foi questionado pela primeira vez se era "viado", aos seis anos de idade.



"Lembro-me claramente do dia em que, pela primeira vez, ouvi um insulto homofóbico na vida: 'Você é viado ou estudado?', perguntou-me, com rispidez, um homem adulto que bebia em companhia de outros na venda de 'seu' Deraldo, na Baixa da Candeia, aonde eu fora comprar pães a pedido de minha mãe", contou ele.

Após descrever um pouco da sua trajetória acadêmica, o ex-parlamentar comemorou a existência de homossexuais, "trans" e "cis" - como também descreve - que conseguiram superar ataques preconceituosos e obter sucesso na vida, comparando sua vida com a de outros que tiveram destinos semelhantes.

Em seguida, Jean Wyllys diz que a rejeição sofrida por homossexuais e ataques "homofóbicos", além do "sexismo", possui uma constante, argumentando que ela é resultado de uma cultura patriarcal que teve origem com Abraão, citado pela Bíblia como o pai da fé de judeus e cristãos.



"Ora, a única resposta possível para a existência dessa constante — dessa repetição — no tempo e no espaço é a homofobia. Esta é um fundamento de todas as culturas nascidas das — ou influenciadas pelas — religiões abraâmicas (que remontam ao mesmo patriarca Abraão): o judaísmo, o cristianismo e o islamismo", disse ele na Universa.

Dito isto, Wyllys ainda sugere que a família, a igreja e a escola são ambientes reprodutores dessa cultura, influenciadas pelo patriarcado judaico-cristão, capaz de produzir sujeitos repetidores desses "males" homofóbicos e sexistas.

"Não é de se estranhar, portanto, que sua reprodução em diferentes línguas e instituições como a família, a igreja e a escola construam histórias e constituam sujeitos tão parecidos; que produzam males tão semelhantes e que despertem formas parecidas de resistência a ela", afirma Wyllys, que conclui ao final:


"A homofobia é gêmea do sexismo. Não há patriarcado sem uma nem outro. Ambos produzem muita dor.". (Destaque nosso).

A narrativa de Jean Wyllys é antiga e não parte dele. Ele apenas reproduz o que aprendeu dos ideólogos de gênero, como a filósofa Judith Butler, Michel Foucault e Abel Jeannière, só para citar alguns, além do antropólogo brasileiro Luiz Mott.

Acusar a herança cultural/moral judaica e cristã como fundamentos da "homofobia" e do "sexismo" é nada mais do que uma forma intelectualmente desonesta de querer atribuir aos cristãos e judeus o mérito de uma compreensão acerca da sexualidade que não pertenceu apenas a esses povos, mas a quase todas às civilizações de que temos notícia.

A concepção de "homossexualidade" como nos dias de hoje nunca existiu no passado. Os antigos nunca desenvolveram o conceito de orientação sexual homossexual como uma espécie de terceira via em par de igualdade com a heterossexualidade.



Função sexual não era o mesmo que identidade sexual. Relacionamentos homossexuais existiram em diversas culturas, de fato, desde os primórdios, porém, atendendo a posições e funções sociais, especialmente de caráter religioso (rituais) e culturais (ritos de passagem) ou mesmo em razão de visão filosófica (como na Grécia).

Isto é, não havia a compreensão de uma "identidade homossexual" como nos dias atuais, mas de um papel desempenhado em razão de outros interesses e visões. O livro "Homossexualidade - Uma História", de Colin Spencer (1996), que é homossexual, trás inúmeros relatos a esse respeito, muito embora o autor não fundamente sua obra nesse raciocínio.

Por fim, além de compartilhar a visão de outros povos no tocante à prevalência da heterossexualidade como padrão social no tocante à sexualidade, a cultura judaico-cristã também se fundamenta na concepção do sagrado. Existe uma cosmovisão doutrinária que sustenta seus princípios e valores.

É direito de Jean Wyllys negar o aspecto doutrinário do judaísmo e cristianismo, mas atacá-los por divergência de princípios apenas demonstra um profundo desrespeito à herança desses povos. A ignorância e radicalismo - de alguns - não é mérito de uma religião ou duas religiões, apenas. Isso existe em todos os setores da sociedade.

A postura do ex-BBB também revela profundo desconhecimento da doutrina cristã, a qual não ensina o desprezo, agressão ou qualquer outra forma de ataque aos não cristãos. Pelo contrário, a compaixão, tolerância e amor ao próximo são os maiores fundamentos dessa doutrina, tendo Jesus Cristo como exemplo.

O problema é que muitos querem olhar de forma seletiva para o cristianismo, ou judaísmo. Querem aceitar a parte do "amar o próximo como a ti mesmo", rejeitando todo o resto, onde a condenação da homossexualidade, do adultério e tantos outros atos considerados pecados são evidentes, mas que não implicam no desrespeito às pessoas que vivenciam tais condições por pensarem diferente.

Portanto, nesse caso, já não se trata de "homofobia" ou "sexismo", mas de visão doutrinária, ética, moral e até científica. Discordar é possível e um direito de todos, como do próprio Jean Wyllys, mas fazer parecer que essa é a fonte histórica do mal que lhe afeta não passa de puro fatalismo.

Por: Will R. Filho

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