Homem que ajudou a esposa doente a se suicidar disse que fez isso por "solidariedade"

Suicídio assistido é uma forma moderna de legitimação da morte de idosos "inválidos" - Reprodução: Google

ESPANHA, 5 de abril (EFE) - Ángel Hernández, o espanhol que ajudou sua esposa doente terminal a morrer, garantiu nesta sexta-feira que seu gesto foi "um ato de solidariedade" e admitiu que foi uma decisão "terrível" de ser tomada.

Hernández, de 70 anos, foi libertado ontem, sem medidas cautelares, após prestar depoimento e admitir os fatos diante do juiz. O espanhol assegurou que não tem medo e que está muito tranquilo porque sua mulher deixou de sofrer depois de conviver com esclerose múltipla desde 1989 e estar com uma incapacidade de 82%.



Hernández convocou a imprensa em sua residência, onde falou sobre a necessidade de uma legislação que regulamente a eutanásia.

"O que me interessa não é que me apoiem e que reconheçam que eu fui corajoso ou o que fizemos, mas que isto sirva para que a eutanásia seja aprovada, pelo sofrimento de muita gente, como o da minha mulher", disse Hernández aos jornalistas.

Hernández afirmou que sua mulher, María José Carrasco, foi quem realmente teve coragem, "porque é difícil dizer acabou", e considerou que agiu "em solidariedade" a sua esposa. "Ela não podia fazer e eu tive que emprestar minhas mãos", disse.



A regulamentação da eutanásia é um dos temas da campanha eleitoral na Espanha, que daqui a três semanas realizará eleições parlamentares.

A porta-voz do governo socialista, Isabel Celáa, disse hoje em entrevista coletiva que é um compromisso do Poder Executivo impulsionar "a regulamentação do direito a uma morte digna com todas as cautelas".

Por outro lado, os bispos católicos da Espanha afirmaram, através de seu porta-voz, Luis Argüello, que "a morte provocada não é a solução para os conflitos".


Comentário:


Hernández matou a esposa com uma dose letal de morfina, com o consentimento dela. Ele foi preso no dia 3, mas liberado em seguida para responder em liberdade pelo crime, uma vez que a eutanásia não é legalizada na Espanha.

A barreira contra a eutanásia é ética e moral, por inúmeras razões. Alguns dados colhidos de países onde ela é permitida ilustram o tamanho do problema. No ano passado, por exemplo, um relatório do governo canadense informou que a taxa de suicídio assistido aumentou 30% no país, após a sua legalização.



Apenas em seis meses foram 1523 mortes "assistidas" no Canadá. O leitor poderá pensar que tal dado é natural, devido ao reconhecimento da prática. Todavia, o mesmo relatório mostra que a grande maioria desses casos ocorreu por uma espécie de abandono do poder público quanto aos doentes terminais.

Ou seja, os dados revelaram que às pessoas, em sua maioria idosos (exatamente como no exemplo da matéria acima), escolheram morrer porque se sentiram abandonadas pelo poder público, sem assistência hospitalar adequada, gerando, assim, maior dificuldade para seus familiares quando eles estão por perto. Muitas, no entanto, não recebem tal cuidado.



Na prática, tais pessoas não queriam tirar a própria vida. Elas queriam viver! No entanto, por falta de cuidado humano e interesse - adequado - do estado em suas vidas, elas perderam a esperança e preferiram morrer. Eis um dilema ético gigantesco, porque se trata da legitimação do suicídio de pacientes terminais.

Assim, vale resgatar um trecho do comentário feito na outra matéria:

"A verdade é que a eutanásia é a alternativa pós-moderna de algumas das práticas mais primitivas de que temos registro na história: o isolamento de idosos, portadores de doenças graves e deficientes físicos em regiões específicas, até o dia de suas mortes".

Comentário: Will R. Filho

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