ALERTA: Entenda como Dallagnol pode estar sendo vítima de uma armação judicial

Deltan Dallagnol pode estar sendo vítima de uma armação judicial
Fatos estranhos cercam o sistema judiciário brasileiro. Reprodução: Google

A instauração de um Processo Administrativo Disciplinar pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por maioria dos votos, contra o procurador da República no Paraná Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, soa de forma no mínimo estranha.

A decisão sai logo após algumas figuras do Supremo Tribunal Federal sofrerem uma avalanche de críticas da sociedade, acusados de tentar instaurar uma "censura" do Brasil aos críticos da Corte. Entre esses críticos está justamente o Deltan Dallagnol.

Entenda o que é o CNMP




O Conselho Nacional do Ministério Público é órgão máximo do Ministério Público e tem como seu presidente o(a) Procurador(a) Geral da República, que atualmente é Raquel Dodge. Vale destacar que o próprio Deltan Dallagnol é cotado para assumir a presidência do órgão, conforme noticiamos em outra matéria.

O CNMP surgiu com a Emenda Constitucional EC nº 45/2004, tendo como objetivo "a realização de controle – administrativo, financeiro e disciplinar - sobre os órgãos e agentes Ministeriais".



Esse controle fiscalizador envolve o "Ministério Público da União (MPU), que engloba o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Militar (MPM) e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)".

Processo contra Dallagnol ocorreu após demanda do presidente do STF, Dias Toffoli


Apesar de Raquel Dodge presidir o CNMP, quem ficou responsável por referendar à liminar que culminou na abertura do processo, na verdade, foi o "corregedor nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, após demanda do presidente do STF, ministro Dias Tofolli", informou a Agência Brasil. (destaque nosso).



Agora veja que interessante:

01 - O mesmo corregedor, Orlando Rochadel, foi responsável por abrir no ano passado uma investigação contra três procuradores que denunciaram Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, a pedido de Luiz Fernando Bandeira de Mello, conselheiro do CNMP e aliado de Renan Calheiros, segundo o site O Antagonista (um dos censurados recentemente);

Na ocasião, a própria Lava Jato (sob o comando de Deltan Dallagnol) reagiu, repudiando “qualquer indevida tentativa de constranger o Ministério Público”.

02 - Orlando Rochadel foi o chefe do Ministério Público de Sergipe, durante o governo do petista Marcelo Déda;



03 - Em março desse ano, Orlando Rochadel acatou um pedido de parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) após apresentarem reclamação em que classificam a atuação da “lava jato” como “desmensurada”. “Os membros da operação extrapolaram suas atribuições constitucionais, evidenciando abuso de poder e má-fé e não podem ser impunes”, dizem os petistas no pedido, segundo a Conjur.

Se o leitor atentar bem, verá que todo o contexto dos acontecimentos recentes dizem respeito à Lava Jato, comandada por Dallagnol. Com a vitória de Jair Bolsonaro para a presidência da República, o governo anunciou que pretende instaurar uma "super Lava Jato", sendo a nomeação do juiz Sérgio Moro para o ministério da Justiça parte desse plano, assim como a intenção de nomear Dallagnol para à presidência da Procuradoria Geral da República (PGR), em setembro.



A impressão, de fato, é de que inicialmente o que era uma tentativa de suprimir à Lava Jato, agora está se tornando uma tentativa de impedir à ascensão de Dallagnol, que uma vez no comando da PRG, e consequentemente do CNMP, poderá promover um verdadeiro "limpa" não só no cenário político de figurões até então intocáveis, mas também no judiciário, incluindo às mais altas Cortes do país, como o Supremo Tribunal Federal. Seria o cumprimento da chamada "Lava Toga".


Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandoswki foram os criticados


Na entrevista em agosto passado para à Rádio CBN, às declarações que motivaram a abertura do processo contra Dallagnol foram justamente sobre os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandoswki, então da 2ª Turma do STF, por terem determinado que trechos de depoimentos de acordo de colaboração premiada de ex-diretores da Odebrecht, que estavam sob a competência da Justiça Federal de Curitiba (PR), fossem remetidos para a Justiça Eleitoral e para a Justiça Federal no Distrito Federal.



Leia a fala de Dallagnol abaixo e julgue você mesmo o mérito da declaração, associando com a recente decisão do STF, presidido por ninguém menos do que Dias Toffoli, de censurar à matéria da revista Crusoé e O Antagonista que cita o seu nome em ligação com um dos delatores da Lava Jato, Marcelo Odebrecht.

"Agora o que é triste ver, Milton [Milton Yung, âncora da CBN], é o fato de que o Supremo, mesmo já conhecendo o sistema e lembrar que a decisão foi 3 a 1, os três mesmos de sempre do Supremo Tribunal Federal que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre formando uma panelinha assim que manda uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção. Objetivamente, Milton, eu não estou dizendo que estão mal-intencionados nem nada, estou dizendo que objetivamente a mensagem que as decisões mandam é de leniência." disse Dallagnol na ocasião.

É tudo no mínimo muito estranho, você não acha?

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