Parlamentares criam CPI para investigar o "aparelhamento" nas universidades públicas

Governo de SP cria CPI para investigar o "aparelhamento" nas universidades públicas

Em uma sessão tumultuada e marcada por bate-boca entre deputados e pressão de manifestantes, o deputado Wellington Moura (PRB) foi eleito nesta quarta-feira, 24, presidente da CPI das Universidades na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Vice-líder do governo na Casa, ele defende mudança na escolha dos nomes da lista tríplice para reitor e critica o que chama de "aparelhamento" da esquerda nas três universidades públicas paulistas: USP, Unesp e Unicamp.


A deputada Carla Morando, líder do PSDB, foi eleita vice-presidente da comissão. A CPI conta com 9 titulares, sendo apenas 3 de partidos de oposição.

A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito ocorreu no momento em que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) analisa um pedido, feito pela deputada federal Beth Sahão (PT), para imediata suspensão de seus trabalhos, sob justificativa de que não foram apresentadas razões legais para a sua criação.

A polêmica começou após Moura defender, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, mudanças que afetariam a autonomia universitária. No início da sessão, os deputados de oposição questionaram Moura sobre as declarações e pediram que fosse apresentado um novo objeto para a CPI.


Manifestantes da UEE (União Estadual dos Estudantes), professores universitários e militantes das juventudes do PCdoB e PT lotaram o auditório onde ocorreu a sessão com faixas e cartazes. Eles interromperam a fala de deputados e puxaram palavras de ordem contra a CPI, motivo pelo qual foram ameaçados de expulsão por Moura. O deputado do PRB chegou a convocar policiais civis e militares e disse que fecharia a sessão seguinte para o público.

Comentário:


A ênfase na proposta da CPI está na investigação de "irregularidades na gestão das universidades públicas", já que as universidades de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e Estadual de Campinas (Unicamp) recebem 9,57% da arrecadação do ICMS do Estado, o que significa R$ 9 bilhões atuais.

O problema ressaltado por muitos, diferente do que alguns críticos alegam, não está no valor repassado, mas na forma como ele é utilizado, e isso não diz respeito apenas às universidades paulistas, se trata de uma problemática de ordem nacional.

Antes de tudo é preciso diferenciar volume de pesquisa das citações de relevância nos compêndios acadêmicos internacionais. O Brasil possui um bom número de pesquisas, mas de pouca importância no mundo científico. Uma excelente matéria de Marcelo Hermes Lima, que é  pesquisador e professor de bioquímica na Universidade de Brasília (UnB), detalha essa triste realidade.


Parte disso se deve justamente ao chamado "aparelhamento ideológico", que nada mais é do que a substituição do método científico pelo ideológico. Com isso, a universidade passa a produzir apenas o que é de interesse dos seus "pesquisadores", servindo de laboratório para questões que escapam das necessidades sociais, de fato, urgentes.

Não é por acaso que "o Brasil caiu da 27° posição para 21° no ranking de universidades no World University Ranking 2017-2018, uma lista anual elaborada pela consultoria Times Higher Education (THE)".


O que se pretende, portanto, é retomar o pensamento científico como regra nas universidades do país, e para isso é preciso escolher bem, sim, os reitores dessas instituições. É claro que a discussão deve ser responsável e a autonomia das universidades também deve ser mantida em certo grau, mas no atual contexto de "aparelhamento" em que se encontra o ensino público, sem dúvida alguma a CPI das Universidades é necessária.

Com informações: Terra
Comentário: Will R. Filho

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