Confronto entre "olavetes" e militares é tudo o que a oposição mais deseja - Entenda

Confronto entre "olavetes" e militares é tudo o que a oposição mais deseja - Entenda

Não dá para ignorar os ataques dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, ao vice-presidente general Hamilton Mourão. Com menos de quatro meses de governo, essas críticas vindas "de dentro" sinalizam, no mínimo, falta de maturidade entre os envolvidos.

Não é o propósito expor aqui quais são essas críticas. A grande mídia já faz esse papel exacerbadamente contra o governo. A intenção é contribuir apontando qual seria a postura adequada nesse contexto de acusações e suspeitas de ambos os lados.

A exploração do elo frágil



Na matéria intitulada "ataque em massa contra Jair Bolsonaro revela desespero e a falência do jornalismo no país" já havíamos apontado a existência de "elos frágeis" no governo Bolsonaro, sendo o general Mourão um deles, além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que de um jeito ou de outro é parte da administração.

O elo frágil é aquele que por algum motivo indica poder ser induzido ou, mais precisamente, seduzido pela oposição, pela ânsia de poder, orgulho, inveja ou mesmo pelo medo. Os citados acima demonstram alguns desses sinais e por isso sempre ficam em evidência na mídia.


Todavia, isso não caracteriza a condenação dessas figuras. Reconhecer uma tendência não é o mesmo que confirmar seus efeitos, mas apenas estar ciente de que elas podem existir. O fato é que quando expomos tais tendências, também às reforçamos, porque tornamos isso consciente na pessoa, que se não souber lidar com tal exposição, poderá reagir exatamente conforme suas tendências.

Em outras palavras, quando os filhos de Bolsonaro atacam o general Mourão, publicamente, eles estão reforçando nele suas tendências (boas e ruins). Se há, por exemplo, alguma possibilidade de se voltar contra o governo por questão de orgulho, essa possibilidade ficará mais forte, já que um orgulho ferido é o principal combustível da vingança.


Se existe a desconfiança de que Mourão poderá armar contra Bolsonaro, o mais inteligente a fazer é monitorar o andamento dos seus passos em silêncio, sem alardes, para que o fator surpresa se torne um benefício futuro, caso algo de ruim realmente aconteça. Há muitas maneiras de fazer isso e certamente não é twittando desenfreadamente para milhões de pessoas que o vice-presidente é um "traidor".


Implosão da estabilidade


Também na matéria já citada acima comentamos que "implodir" o governo é a grande estratégia da oposição, na qual se inclui à mídia. Uma vez que não há força suficiente externa contra o governo (por conta da grande aceitação popular), a estratégia nesse caso é minar o apoio os aliados, colocando uns contra os outros.


Vale a pena destacar uma passagem da Bíblia, onde Cristo ensinou que "todo reino dividido contra si mesmo não subsisti". Essa é uma grande lição para todos. Se não há unidade, não tem como fazer funcionar.

Discursos bélicos como os promovidos recentemente, também, pelo escritor Olavo de Carvalho, contra os militares, e ao contrário, de Mourão contra ele (em retaliação), apenas desgastam a imagem do governo e não contribuem em nada.

A contracultura surgida no Brasil nos últimos anos não é mérito de um homem só, nem de ninguém.


Ela é fruto de uma população inteira que no decorrer do tempo veio se cansando dos sintomas da corrupção, violência, doutrinação escolar, aparelhamento estatal, ativismo ideológico e etc. A prova disso é que não se trata de uma "onda" brasileira, mas mundial, presente em países onde nunca se ouviu falar o nome dos "gurus" brasileiros (risos).

O povo, coletivamente e através dos meios de comunicação, somaram vozes, cada qual com suas influências, muitos completamente independentes. Naturalmente alguns se identificando mais com uns e outros, mas sem liderança organizada.

Não há como ignorar, por exemplo, o impacto causado por grupos como o Movimento Brasil Live (MBL) e outros semelhantes que explodiram espontaneamente, organizando manifestações e arrastando milhões para às ruas.


Não há como ignorar os efeitos patrióticos despertados pela operação Lava Jato e seus representantes, entre eles o juiz Sérgio Moro e à equipe de procuradores da força-tarefa. Sem dúvida alguma é possível dizer que o país se uniu em defesa da Lava Jato, sendo essa operação um imã para todos e a grande responsável pelos desdobramentos da política nacional nos últimos quatro anos.

Perceba que estes são apenas alguns exemplos de atores distintos que juntos formaram um grande corpo, decidindo, por fim, o resultado das eleições presidenciais. Assim, quem busca reivindicar para si o papel de grande "mentor" ou influenciador de algo tão abrangente como esse, na verdade não passa de alguém que de tão soberbo se torna mais conhecido pela arrogância do que pelo conhecimento.

Munição desnecessária



Finalmente, se os filhos de Jair Bolsonaro não souberem administrar melhor suas redes sociais, vão terminar enfraquecendo o governo do próprio pai pelo desgaste de imagem causado. Isso não significa deixar de usar à rede, mas usar com sabedoria, sabendo que cada ponto, vírgula e interrogação servem de munição para os adversários.

Silenciar mais, tratar às suspeitas com cautela, em sigilo, buscar se aproximar dos "inimigos" e minimizar neles suas tendências negativas, parece mais inteligente do que arriscar antecipar por via da desconfiança uma guerra que até então não passa de especulação.

Por: Will R. Filho 

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